Passos escutado seis vezes no processo Monte Branco
O primeiro-ministro terá sido escutado seis vezes no processo Monte Branco e não apenas duas, como era do conhecimento público até agora, avança o Expresso. Passos Coelho terá sido alvo de pressões do BESI.
Segundo a mesma fonte, as conversas entre Pedro Passos Coelho e o presidente do BESI (Banco Espírito Santo Investimento), José Maria Ricciardi, alvo de escuta por parte do Ministério Público, estão identificadas num despacho de acusação contra jornalistas do Expresso, do "Diário de Notícias" e do "Correio da Manhã" por violação do segredo de justiça, precisamente a propósito deste caso.
O documento, que não se encontra em segredo de justiça, revela que as seis conversas entre o primeiro-ministro e Ricciardi ocorreram em Janeiro, Fevereiro e Julho de 2012. O despacho esclarece ainda que as escutas foram transcritas para papel e validadas pelo então presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Noronha do Nascimento, a 19 de Outubro de 2012.
O processo 'Monte Branco' envolve quatro banqueiros portugueses e suíços, por suspeita de fraude fiscal e branqueamento de capitais.
As escutas estão relacionadas com alegados crimes de tráfico de influências, corrupção e informação privilegiada no caso das privatizações da REN e da EDP. Passos Coelho não era o alvo das escutas, nem é suspeito de qualquer crime e o que o Ministério Público investiga é uma alegada tentativa de pressão do banqueiro sobre o primeiro-ministro.