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Empresas em Angola devem ter "abordagem a longo prazo" e "não oportunística"

Painel que juntou, entre outros, os dirigentes da Mota-Engil e da Delta Cafés, abordou a forma como as empresas olham para Angola.

Conferência Radar África
Conferência Radar África João Cortesão / Jornal de Negócios
13:41

Do CEO da Mota-Engil ao da Delta Café até ao presidente da comissão executiva do Banco BAI Europa, parece haver um ponto de concordância em relação aos investimentos em Angola: as empresas que queiram estar no país têm de ter uma abordagem a longo prazo.

Na , que o Negócios promove esta sexta-feira, o CEO da Mota-Engil, Carlos Mota dos Santos, deixou claro que "Angola "foi, é e será sempre um mercado absolutamente estrutural e estruturante" para a empresa. "A Mota existe há 80 anos e está há 80 anos em Angola. O fundador da Mota, o meu avô, disse que se alguma vez a empresa fechasse a última luz a apagar era Cabinda", realçou.

"Não se pode ter uma abordagem oportunística, mas sim de longo prazo e estruturada", afirmou, defendendo que "as empresas portuguesas, nomeadamente as de infraestruturas, agroalimentar, industrial, medicamentos e serviços, deviam olhar para Angola de uma forma mais estrutural", defendeu o presidente executivo da construtora que .

As empresas portuguesas, como as de infraestruturas, agroalimentar, industrial, medicamentos e serviços, deviam olhar para Angola de uma forma mais estrutural. Carlos Mota dos Santos
CEO da Mota-Engil

A Delta Cafés também tem mais de 50 anos de presença em Angola, onde tem, aliás, a única fábrica fora de Portugal e na Angonabeiro, criada em 2000, a segunda maior operação do grupo fora da Europa. Tem uma história peculiar, dado que fundador, Rui Nabeiro, fez o impensável, quando no verão de 1975, numa altura em que a maioria dos portugueses em África tenta regressar a Portugal, ruma a Angola para comprar o máximo de café que podia.

"Estamos em 50 países e com Angola temos realmente uma relação especial e 'quase uma dívida' para com o país", apontou Rui Miguel Nabeiro, o neto do fundador, hoje CEO, falando de um mercado, que é o seu "hub" em África, no qual a empresa "continua a acreditar muito", e subscrevendo que tem de ser olhado "a longo prazo".

"Angola tem um potencial muito grande. Para nós estrategicamente desempenha papel muito importante, realçou. "Somos o principal comprador, produtor e exportador de café angolano", acrescentou.

Angola tem um potencial muito grande. Para nós estrategicamente desempenha papel muito importante. Rui Miguel Nabeiro
CEO da Delta Cafés

Vítor Ribeirinho, "senior partner" do cluster KPMG Portugal Angola, também realça que a consultora tem "uma história que tem a ver com o compromisso em Angola": "O que temos procurado fazer é construir um projeto para o futuro".

"Angola não é um projeto oportunístico, tem de ser um projeto de médio e longo prazo e quem chega a Angola tem de ter a capacidade de entender o contexto, os riscos subjacentes", afirmou, sublinhando que "estão a fazer-se reformas estruturais importantes nas área fiscais, económica e cambial", algo crucial para dar previsibilidade a empresários e investidores.

Angola não é um projeto oportunístico, tem de ser um projeto de médio e longo prazo. Vítor Ribeirinho
"Senior partner" do cluster KPMG Portugal Angola

Sobre os riscos subjacentes, o "partner" da KPMG sublinha que "existem em Angola, mas são substancialmente conhecidos, passando pela questão financeira, económica e de talento, que demograficamente é um atrativo, mas que se depara com o desafio de retenção, tal como em Portugal". "Globalmente vemos com algum otimismo, mas há que ter presença de resiliência de investimento, de produzir e transferir conhecimento para a economia formal", reforçou.

Nesta medida, Omar Guerra, presidente da comissão executiva do Banco Angolano de Investimentos (BAI) Europa, sustenta que "estamos numa fase de melhoria" no que toca à economia angolana. "Começamos a observar em 2025 que há um crescimento do crédito dado às empresas", indicando que dados mais recentes apontam para que um crescimento na ordem dos 15%". "Nos anos anteriores esses valores eram menos expressivas", enfatizou.

Ricardo Gonçalves deixou claro que o Grupo Carrinho, de capitais angolanos, do qual é administrador, "é um grupo 100% comprometido com Angola" e que "há 33 anos tem crescido e investido todos os meios que vai gerando na economia de Angola", mas apontou que numa das áreas tidas como estratégicas, a agricultura, os investidores precisam também de respaldo em termos de políticas públicas.

"Entramos em 2021/2022 no setor agrícola para o qual olhamos com muito otimismo, porque é onde Angola tem vantagens competitivas (...) e se as coisas forem bem feitas pode ser um 'player' de referência no contexto internacional", mas "é muito importante que haja políticas públicas de apoio ao investimento" até porque, "ao contrário do que se possa pensar, é um negócio de capital intensivo" e "há questões em que temos de ter cuidado", afirmou.

"Todas as economias desenvolvidas tem políticas agrícolas estabilizadas com mecanismos de proteção", frisou, dando o exemplo da Política Agrícola Comum da União Europeia.

Angola tem vantagens competitivas no setor agrícola (...), mas é muito importante que haja políticas públicas de apoio ao investimento. Ricardo Gonçalves
Administrador do Grupo Carrinho
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