PIB dos EUA cresce 2% e resiste ao primeiro impacto da guerra
A economia norte-americana parece ter resistido ao primeiro impacto da guerra no Irão e à subida generalizada dos preços dos combustíveis. De acordo com os dados conhecidos nesta quinta-feira, 30 de abril, o produto interno bruto (PIB) dos Estados Unidos terá crescido, em termos homólogos, 2% nos primeiros três meses do ano, numa forte aceleração face aos 0,5% do final de 2025.
Os dados do Bureau of Economic Analysis (BEA) indicam que a expansão da atividade se ficou a dever ao aumento do investimento, que subiu 10,4% e que ficou a dever-se a investimento em equipamento e produtos relacionados com propriedade intelectual. Os analistas atribuem esta subida ao forte investimento em inteligência artificial (IA) e serviços relacionados.
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Já a despesa das famílias, que tem sido o grande motor do crescimento da economia norte-americana, subiu a um ritmo mais fraco face ao trimestre anterior, em 1,6%, abrandando face aos 1,9% do final de 2025.
A despesa pública também aumentou, mas tal deveu-se, segundo o BEA, a um efeito base ainda relacionado com o "shutdown" de novembro e que levou a uma contração de 16,6% desta componente no último trimestre do ano passado.
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As exportações aumentaram ligeiramente, em 1,3% e as importações diminuíram 2,6%.
O crescimento da economia norte-americana contrasta com a quase estagnação da Zona Euro, com os países da moeda única a avançarem 0,1% em cadeia.
"Os dados globais sugerem que a economia estava razoavelmente em boa forma no período que antecedeu e a fase inicial do conflito no Médio Oriente", conclui o economista-chefe do ING James Knightley. Contudo, acrescenta, "quanto mais persistirem as perturbações nos fluxos comerciais através do estreito de Ormuz, mais fortes serão os ventos contrários ao crescimento e à criação de emprego e maiores serão os riscos ascendentes para a inflação."
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Já o Royal Bank of Canada (RBC) sublinha que apesar de resiliente, o consumo das famílias está a aguentar-se à custa de uma taxa de poupança cada vez mais pequena. "Os dados de março mostram que o consumo continua resiliente – mas o forte nível de despesa ocorre em detrimento das poupanças", refere o economista Mike Reid. "A taxa de poupança das famílias caiu para 3,6%, uma vez que os consumidores absorveram os preços mais elevados da gasolina através da redução das poupanças, em vez de uma diminuição da procura."Uma circunstância que leva os economistas do RBC a anteciparem que com a "taxa de poupança em níveis historicamente baixos, não há muito espaço para uma nova redução das poupanças, e as alternativas (ou seja, o aumento do recurso ao crédito ou a diminuição da procura) tornar-se-ão cada vez mais prováveis quanto mais se prolongar o conflito no Médio Oriente."
Notícia atualizada às 16:05
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