Casa Branca proíbe funcionários de fazer apostas sobre guerra no Irão
O documento interno que impõe a restrição, procedente do Gabinete de Gestão Orçamental e datado de 24 de março, refere-se diretamente a uma polémica que há meses acompanha o Governo Trump, até agora circunscrita às redes sociais e que tem como protagonista a plataforma Polymarket, entre cujos investidores está o Presidente norte-americano, Donald Trump, e a sua empresa 1789 Capital.
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A Casa Branca enviou recentemente aos funcionários um memorando interno avisando-os de que estão proibidos de jogar em aplicações de apostas ou mercados financeiros para lucrar com a guerra no Irão, utilizando informação privilegiada.
O documento interno, procedente do Gabinete de Gestão Orçamental e datado de 24 de março, refere-se diretamente a uma polémica que há meses acompanha o Governo Trump, até agora circunscrita às redes sociais e que tem como protagonista a plataforma Polymarket, entre cujos investidores está o Presidente norte-americano, Donald Trump, e a sua empresa 1789 Capital.
Os apostadores nessa plataforma de jogo digital chegaram a fazer ameaças de morte a jornalistas (como Emanuel Fabian, editor de Defesa do diário The Times of Israel,) por publicarem informações contrárias às suas apostas.
Além das apostas privadas, a agência Bloomberg salientou o enorme impacto económico até da mais pequena declaração pública de Trump sobre o assunto e destacou cenários estranhos, como o que ocorreu a 23 de março, quando Trump anunciou uma pausa de cinco dias na sua ameaça de atacar centrais elétricas iranianas.
Só nos dois minutos seguintes às 06:49 (10:49 de Lisboa), foram negociados contratos de futuros equivalentes a seis milhões de barris de crude Brent e West Texas Intermediate. A publicação de Trump na sua rede social, Truth Social, surgiu por volta das 07:05 (11:05 de Lisboa) desse dia.
Em resposta à publicação do memorando no Wall Street Journal e na agência Bloomberg, o porta-voz da Casa Branca Davis Ingle insistiu que o Presidente Trump "deixou muito claro" que nem os membros do Congresso, nem os funcionários da Casa Branca podem usar informação privilegiada para seu benefício financeiro.
Uma série de apostas oportunas sobre o Irão, realizadas na Polymarket por contas anónimas recém-criadas, geraram centenas de milhares de dólares em lucros até à data, levando os analistas a examinar minuciosamente as operações, em busca de indícios de utilização de informação privilegiada.
Alguns pagamentos de apostas relacionadas com a guerra no Irão encontram-se atualmente congelados devido a uma disputa, e os operadores não conseguem cobrá-las enquanto os utilizadores debatem o que constitui um cessar-fogo.
"Todos os funcionários federais estão sujeitos às normas éticas do Governo, que proíbem o uso de informações não-públicas para obter ganhos financeiros. No entanto, qualquer insinuação de que funcionários do Governo estão envolvidos em tais atividades sem provas é infundada e constitui jornalismo irresponsável", acrescentou Ingle.
No início deste mês, o Pentágono teve de desmentir publicamente uma notícia publicada pelo Financial Times que implicava o secretário da Defesa, Pete Hegseth, cujo corretor bolsista na consultora financeira Morgan Stanley contactou a BlackRock em fevereiro, antes da ofensiva ao Irão, para fazer um "investimento multimilionário" num fundo de bens da Defesa.
"Nem o secretário Hegseth, nem nenhum dos seus representantes contactou a BlackRock para discutir tal investimento", declarou o porta-voz do Departamento de Defesa, Sean Parnell, referindo-se à notícia do Financial Times, que classificou como "mais uma difamação infundada e desonesta destinada a enganar o público".
Um grupo de senadores democratas, liderado por Elizabeth Warren, Richard Blumenthal e Tammy Duckworth, pediu a Hegseth que deponha para explicar o sucedido e para se "perceber onde podem existir deficiências nas práticas e políticas atuais do departamento para impedir conflitos de interesses".