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Senado dos EUA aprova resolução para limitar poder de Trump ordenar novos ataques à Venezuela

A resolução não tem praticamente hipóteses de se tornar lei, pois Trump teria ainda de promulgá-la se fosse aprovada pela Câmara de Representantes, onde os republicanos têm uma curta maioria.

Maioria dos senadores dos EUA não quer nova intervenção na Venezuela
Maioria dos senadores dos EUA não quer nova intervenção na Venezuela EPA
08 de Janeiro de 2026 às 21:59

O Senado norte-americano aprovou esta quinta-feira, com apoio republicano, uma resolução preliminar para limitar a capacidade do Presidente ordenar novos ataques contra a Venezuela, que Donald Trump não deverá promulgar.

Todos os senadores democratas e cinco republicanos -- prontamente criticados por Trump - votaram a favor da resolução sobre os poderes de guerra, que obteve 52 votos a favor (47 contra), garantindo uma votação na próxima semana para aprovação final.

A resolução não tem praticamente hipóteses de se tornar lei, pois Trump teria ainda de promulgá-la se fosse aprovada pela Câmara de Representantes, onde os republicanos têm uma curta maioria.

Exigindo a aprovação do Congresso para quaisquer novos ataques ao país sul-americano, a resolução demonstra sobretudo a preocupação de alguns republicanos após a detenção do líder venezuelano Nicolás Maduro numa operação surpresa noturna levada a cabo pelas forças armadas norte-americanas no passado sábado.

O executivo Trump pretende agora controlar os recursos petrolíferos e o governo da Venezuela.

O senador Josh Hawley, do Missouri, um dos cinco republicanos que apoiou a resolução, defendeu que se o Presidente decidir "enviar tropas para a Venezuela", isso "exigiria a intervenção do Congresso."

Os outros republicanos que apoiaram a resolução foram os senadores Rand Paul, Lisa Murkowski, Susan Collins, e Todd Young.

Trump reagiu prontamente aos seus votos dizendo nas redes sociais que "nunca mais deveriam ser eleitos" e que a votação "prejudica enormemente a autodefesa e a segurança nacional dos Estados Unidos".

Os democratas não conseguiram fazer aprovar várias resoluções semelhantes enquanto Trump intensificou a sua campanha contra a Venezuela, tendo os eleitos republicanos sido influenciados agora pela captura de Maduro e a ambição manifestada em relação ao controlo da Gronelândia, território dinamarquês.

Os líderes republicanos afirmaram não terem sido notificados previamente sobre a operação realizada na madrugada de sábado para prender Maduro e a sua mulher, Cilia Flores, mas receberam esta semana informações confidenciais sobre a operação por parte de altos funcionários do executivo.

O governo tem utilizado uma série de justificações legais em constante evolução para a campanha de meses na América Central e do Sul, desde a destruição de alegados barcos de tráfico de droga e autorizações para o combate global ao terrorismo até à detenção de Maduro, no que foi ostensivamente uma operação de segurança para o levar a julgamento nos Estados Unidos.

O líder da maioria no Senado, John Thune, defendeu que Trump "já demonstrou, pelo menos, um forte compromisso com a paz através da força, especialmente neste hemisfério".

"Penso que a Venezuela entendeu esta mensagem de forma clara e inequívoca", sublinhou o republicano.

Trump confirmou depois da operação em Caracas que falou com executivos do setor petrolífero, mas não com líderes do Congresso, onde os republicanos têm maioria em ambas as câmaras.

Segundo a Constituição, o Congresso declara guerra enquanto o Presidente atua como comandante-chefe.

Contudo, os legisladores não declaram guerra formalmente desde a Segunda Guerra Mundial, concedendo aos presidentes ampla liberdade para agirem unilateralmente.

Os governos têm a obrigação de notificar o Congresso no prazo de 48 horas após o envio das tropas e de terminar as ações militares dentro de 60 a 90 dias, na ausência de autorização --- limites que os presidentes de ambos os partidos têm ultrapassado rotineiramente.

O senador republicano Lindsey Graham, aliado próximo de Trump considerou aceitável o Presidente assumir o controlo de outros países sem a aprovação do Congresso, incluindo a Gronelândia.

"O comandante-chefe é o comandante-chefe. Pode usar a força militar", disse Graham.

Numa entrevista publicada hoje no jornal The New York Times, Trump afirmou que "só o tempo dirá" por quanto tempo Washington irá manter o seu domínio sobre Caracas.

Questionado sobre se a situação duraria três meses, seis meses, um ano ou mais, Trump respondeu: "Diria que muito mais tempo".

"Vamos reconstruir o país de uma forma muito eficiente em termos de custos", alegou Trump, adiantando que os EUA vão usar o petróleo venezuelano.

As declarações do Presidente surgiram poucas horas depois de responsáveis da administração Trump terem declarado que os Estados Unidos planeavam assumir o controlo efetivo da venda de petróleo venezuelano por tempo indeterminado.

Já na noite de terça-feira, Donald Trump afirmou que a Venezuela iria entregar "entre 30 a 50 milhões de barris de petróleo" aos Estados Unidos, acrescentando que esse petróleo será vendido a preços de mercado.

Caracas possui as maiores reservas de petróleo conhecidas no mundo, com mais de 303 mil milhões de barris de crude, segundo a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), mas não tem capacidade nem infraestruturas para tirar partido dessa riqueza.

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