Navio da Maersk atravessa estreito de Ormuz com escolta militar americana
Maersk anuncia que um dos seus navios atravessou o estreito de Ormuz
A gigante dinamarquesa do transporte de mercadorias em contentores Maersk informou esta terça-feira que um dos seus navios, o Alliance Fairfax, com pavilhão norte-americano, atravessou o estreito de Ormuz, escoltado pela Armada dos Estados Unidos.
"O Alliance Fairfax, um navio que transporta veículos e arvorando pavilhão americano, operado pela Farrell Lines, Inc., uma filial da transportadora americana Maersk Line Limited (MLL), atravessou o estreito de Ormuz e deixou o golfo Pérsico a 4 de maio", indicou a Maersk num comunicado transmitido à agência de notícias France-Presse.
"A travessia decorreu sem incidentes e todos os membros da tripulação estão sãos e salvos", precisou a armadora. O navio foi "acompanhado por meios militares norte-americanos", acrescentou.
O navio de carga "encontrava-se no golfo Pérsico quando eclodiram as hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão em fevereiro e não pôde partir devido a preocupações persistentes em matéria de segurança", indicou a transportadora.
Dois navios mercantes com bandeira norte-americana conseguiram atravessar "com sucesso" a passagem estratégica, anunciou na segunda-feira o CentCom, o comando militar dos Estados Unidos para a região.
Desde a ofensiva israelo-norte-americana de 28 de fevereiro, o Irão controla o estreito de Ormuz, por onde normalmente transita um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Washington respondeu com um bloqueio dos portos iranianos.
Um cessar-fogo está em vigor desde 08 de abril, mas foi fragilizado na segunda-feira por confrontos entre iranianos e norte-americanos na zona do estreito de Ormuz e por bombardeamentos e lançamento de drones do Irão contra um dos seus vizinhos do Golfo, os Emirados Árabes Unidos.
Seul vai rever posição sobre operações dos EUA no Estreito de Ormuz
Seul anunciou esta terça-feira que vai "reavaliar cuidadosamente a sua posição" relativamente a uma eventual participação nas operações norte-americanas no Estreito de Ormuz, na sequência da explosão que atingiu um cargueiro fretado pela armadora sul-coreana HMM.
Sem se comprometer com uma eventual mudança, o ministério sul-coreano da Defesa indicou que pretende "reexaminar cuidadosamente a sua posição".
Seul tenciona definir a sua posição tendo em conta o direito internacional, a segurança das rotas marítimas internacionais, a sua aliança com os Estados Unidos e a situação de segurança na península coreana, precisou o ministério sul-coreano.
O Governo sul-coreano recordou, por outro lado, que "participa ativamente nas discussões internacionais sobre a cooperação destinada a garantir uma passagem segura pelo estreito de Ormuz".
O navio sul-coreano atingido na segunda-feira, o HMM Namu, é um cargueiro polivalente com cerca de 180 metros, com pavilhão panamiano, de acordo com dados do portal MarineTraffic.
Todos os 24 membros da tripulação a bordo, incluindo seis sul-coreanos, estão sãos e salvos, precisou hoje o ministério sul-coreano dos Negócios Estrangeiros, e o incêndio está "completamente extinto".
Desde a ofensiva israelo-americana de 28 de fevereiro, o Irão bloqueia o Estreito de Ormuz, por onde normalmente transita um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, reagiu ao incidente, considerando que este deveria incentivar a Coreia do Sul a juntar-se aos esforços norte-americanos para escoltar os navios bloqueados no estreito.
Tal como muitas economias asiáticas, a Coreia do Sul depende fortemente das importações de combustível provenientes do Médio Oriente.
Japão recebe primeira entrega de petróleo russo desde o início da guerra
Um carregamento de petróleo russo chegou esta terça-feira ao Japão, representando a primeira entrega de Moscovo ao país desde o bloqueio do Estreito de Ormuz devido à guerra no Médio Oriente, reportaram meios de comunicação locais.
O Japão depende da região para cerca de 95% das suas importações de petróleo e procura diversificar as fontes de abastecimento energético.
Um navio com petróleo bruto proveniente do projeto de exploração de gás natural Sakhaline-2 atracou esta segunda-feira na costa de Imabari no sudoeste do país, noticiaram a TV Tokyo e o Asahi Shimbun, citando responsáveis anónimos da companhia Taiyo Oil.
O Governo japonês investiu nesta empresa, que não está sujeita às sanções económicas globais contra a Rússia.
O Ministério da Economia japonês pediu à Taiyo Oil que recebesse este carregamento, que será encaminhado para uma refinaria, onde servirá para produzir gasolina, nafta --- utilizada na fabricação de plásticos, fibras ou tintas, entre outros --- e outros derivados.
Contactados pela AFP, os responsáveis da empresa não responderam até ao momento.
Os fornecimentos de petróleo estão perturbados pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde transita em tempo de paz um quinto da produção mundial de hidrocarbonetos, dos quais 80% se destinam à Ásia.
O Estreito encontra-se de fechado desde fevereiro, na sequência dos ataques israelo-americanos contra o Irão, uma situação com "repercussões enormes" na Ásia-Pacífico, advertiu na segunda-feira a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, à margem de conversações com o homólogo australiano, Anthony Albanese.
Os dois países acordaram reagir rapidamente para garantir abastecimentos energéticos estáveis.
As relações entre o Japão e a Rússia deterioraram-se desde que Tóquio impôs sanções a Moscovo devido à invasão da Ucrânia, alinhando-se com as medidas ocidentais.
Muneo Suzuki, deputado japonês conhecido pelos seus laços estreitos com a Rússia, assegurou esta segunda-feira que Moscovo está disponível para conversações entre ministros dos Negócios Estrangeiros com Tóquio.
O parlamentar reuniu-se com o vice-ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Andrei Rudenko, informou a agência Kyodo News.
Londres pede fim da escalada no Médio Oriente após ataques iranianos contra Emirados
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, condenou os ataques iranianos contra os Emirados Árabes Unidos, os primeiros registados desde a entrada em vigor da trégua no início de abril, e apelou a uma solução diplomática no Médio Oriente.
"O Reino Unido condena os ataques com drones e mísseis que tiveram como alvo os Emirados Árabes Unidos", reagiu Starmer num comunicado divulgado esta esta segunda-feira à noite.
"Esta escalada tem de cessar. O Irão deve empenhar-se verdadeiramente nas negociações, a fim de garantir que o cessar-fogo no Médio Oriente se mantenha e que se chegue a uma solução diplomática a longo prazo", acrescentou o chefe do Governo britânico.
Os Emirados Árabes Unidos anunciaram ter sido alvo de ataques iranianos na segunda-feira, no primeiro dia de uma operação norte-americana destinada a restabelecer a circulação de navios no estreito de Ormuz.
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