Trump "muito otimista" sobre negociações com Irão. Avisa Teerão para não cobrar taxas em Ormuz

O Presidente dos EUA manifestou confiança num desfecho positivo das conversações que começam no sábado, mas voltou a ameaçar os iranianos pela alegada cobrança de taxas pela passagem dos navios pela via marítima, que continua muito condicionada.
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Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP Donald Trump fala à imprensa. Foto: Abir Sultan / Lusa - EPA Benjamin Netanyahu Foto: Rolex dela Pena Manfestação contra Israel e EUA em Manila. Foto: Mikala Compton/ AP Manifestantes nas ruas de Austin, EUA, em protesto contra a guerra no Irão. Foto: Ariel Schalit/ AP Míssil iraniano explode nos céus de Israel. Foto: Filip Singer Posto de combustível em Berlim, Alemanha. Foto: Dan Hernandez/ AP Pessoas protestam contra a guerra em São Francisco, EUA.
Negócios 09 de Abril de 2026 às 22:54
Últimos eventos
Trump avisa Irão para não cobrar taxas no estreito de Ormuz

O Presidente dos EUA, Donald Trump, voltou esta quinta-feira às redes sociais para avisar o regime de Teerão para não cobrar portagens aos petroleiros que necessitam de atravessar o estreito de Ormuz. “Há relatos de que o Irão está a cobrar taxas aos petroleiros que atravessam o estreito de Ormuz – é bom que não estejam a fazê-lo e, se estiverem, é melhor pararem agora!", escreveu no Truth Social. Posteriormente, Trump escreveu que o Irão "está a fazer um trabalho muito fraco, desonroso diriam alguns, em permitir o petróleo passar pelo estreito de Ormuz. Esse não é o acordo que temos!", referiu. Pelo meio, numa outra publicação, Trump atacou o Wall Street Journal por ter escrito que declarou vitória sobre o Irão de forma “prematura”, dizendo que, graças a si, o Irão “nunca terá uma arma nuclear”. “Muito rapidamente, vão ver o petróleo começar a fluir, com ou sem a ajuda do Irão e, para mim, não faz diferença, de qualquer forma”, acrescentou o Presidente norte-americano. *Notícia atualizada às 23:55 com novas declarações de Trump   
Petroleiro não iraniano passa pela primeira vez estreito de Ormuz após cessar-fogo

Um petroleiro com bandeira do Gabão foi o primeiro navio não iraniano a atravessar o estreito de Ormuz desde a entrada em vigor do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão, segundo o portal MarineTraffic. De acordo com dados do 'site' que rastreia o tráfego marítimo a nível mundial, citados pela agência France-Presse (AFP) em causa está o petroleiro MSG, de bandeira gabonesa, que se tornou o primeiro a abandonar o Golfo Pérsico desde que o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão entrou em vigor, na terça-feira. O navio transporta 6.941 toneladas de fuelóleo (44.000 barris) carregados em 28 de fevereiro em Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos e está a caminho de Aegis Pipavav, na Índia, segundo a AFP. Desde que o cessar-fogo entrou em vigor na terça-feira à noite, outros dois petroleiros iranianos e seis navios graneleiros atravessaram o estreito. Todos estes navios seguiram a rota recomendada pela Guarda Revolucionária Iraniana (o exército ideológico da República Islâmica), passando perto da ilha Larak, apelidada de "portagem de Teerão" pelo site de informação marítima Lloyd's List. Para já, o cessar-fogo não resultou num aumento do tráfego através do estreito de Ormuz. As nove passagens confirmadas de navios de transporte de matérias-primas num dia e meio são inferiores à média de oito navios que têm atravessado o estreito diariamente desde o início da guerra, aponta a AFP. Dos navios cuja passagem foi confirmada, seis são iranianos ou estavam a navegar de ou para o Irão. De acordo com os sinais visíveis no MarineTraffic, cerca de dez outros navios pareciam ter atravessado ou estavam prestes a atravessar o estreito hoje, mas a sua travessia ainda não foi confirmada pelo site especializado. Além disso, vários navios que se dirigiam para o estreito retrocederam antes de entrarem, segundo os seus sinais, como os petroleiros Aurora e Trend.
Trump manifesta-se "muito otimista" sobre negociações com Irão

A dois dias de se iniciarem as negociações entre as delegações dos EUA e do Irão em Islamabad, o Presidente norte-americano, Donald Trump disse em entrevista à NBC News que está “muito otimista” sobre um acordo de paz duradouro com Teerão.     De acordo com Trump, os líderes iranianos “falam de forma muito diferente numa reunião do que à comunicação social. São muito mais sensatos”. Numa entrevista por telefone ao canal, Trump acrescentou que “eles estão a concordar com todas as coisas em que têm de concordar. Lembrem-se, eles foram conquistados. Não têm forças armadas”.         Trump deixou também a ameaça de que “se não chegarem a acordo, vai ser muito doloroso”. Recorde-se que o Presidente dos EUA já ameaçou “destruir uma civilização inteira”, caso os iranianos não chegassem a acordo até à madrugada de quarta-feira, tendo acabado por aceder a um cessar-fogo de duas semanas para as negociações.        O Presidente dos EUA também confirmou ter falado com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para que este recuasse nas operações militares no Líbano, de forma ajudar no sucesso das negociações. “Ele vai ser mais moderado. Penso que temos de ser de certa forma um pouco mais moderados.”
Arábia Saudita confirma que ataques iranianos cortaram produção de crude em 600.000 barris por dia

Nos primeiros números oficiais divulgados sobre o impacto dos ataques iranianos nas infraestruturas energéticas da Arábia Saudita, o reino anunciou que a sua capacidade de produção caiu 600.000 barris de petróleo por dia. Em comunicado, o ministério da Energia saudita disse que os ataques danificaram a capacidade de produção nos campos de Khurais e Manifa, eliminando cerca de 5% da capacidade normal do país de 12 milhões de barris por dia. O ministério também confirmou que os ataques desta semana que atingiram o importante oledouto leste-oeste também causaram uma diminuição de 700.000 barris por dia no transporte de crude.  
Netanyahu reitera que não há cessar-fogo no Líbano mas confirma negociações

O primeiro-ministro israelita negou que haja um cessar-fogo no Líbano e disse que Israel vai continuar a atingir o Hezbollah até que a segurança seja reestabelecida no norte de Israel. Contudo, Benjamin Netanyahu confirmou a abertura de negociações diretas com o Líbano, com o objetivo de desarmar o Hezbollah e chegar a um acordo de paz sustentável. O general israelita Eyal Zamir, num discurso perante as tropas israelitas no Líbano, disse que a missão do Exército é “continuar a aprofundar os danos e a enfraquecer o Hezbollah”, removendo a ameaça direta aos residentes do norte de Israel. Já Asim Iftikhar Ahmad, o represnetante do Paquistão na ONU, disse não perceber porque houve um desentendimento sobre o Líbano estar incluido no cessar-fogo, uma vez que isso estava “claramente” referido no comunicado do primeiro-ministro paquistanês, que intermediou o acordo.           
Khamenei diz que Irão vai "levar gestão do estreito de Ormuz a uma nova fase"

O líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, anunciou numa declaração feita através do Telegram que a gestão do estreito de Ormuz “vai entrar numa nova fase”, não especificando que fase será essa. “Vamos, sem dúvida, levar a gestão do estreito de Ormuz a uma nova fase”, escreveu o novo aiatola. “Não procurámos nem procuramos a guerra, mas não abdicaremos dos nossos direitos de forma alguma e, neste sentido, estamos a considerar todas as frentes de resistência de forma unificada”, acrescentou. Khamenei sublinhou ainda que Teerão mantém a intenção de ser indemnizado pelos danos causados por ataques norte-americanos e israelitas. “Se Deus quiser, não vamos, de forma alguma, deixar escapar os agressores criminosos que submeteram o nosso país a isto”. “Vamos, sem dúvida, exigir uma indemnização pelos graves danos infligidos, pelo sangue dos mártires e pelos feridos desta guerra”, sublinhou na mesma mensagem. Segundo dados citados pelo Wall Street Journal, o estreito permanece ainda fechado e apenas oito navios atravessaram a via marítima esta quinta-feira, mas apenas cargueiros e porta-contentores destinados ao Irão, estando a via marítima fechada na prática a outros tipos de transporte, como os petroleiros.
Dados revelam que tráfego em Ormuz continua fechado aos petroleiros

Apenas oito navios atravessaram o estreito de Ormuz esta quinta-feira, mas apenas cargueiros e porta-contentores destinados ao Irão, estando a via marítima fechada na prática a outros tipos de transporte, como os petroleiros. Os dados são da empresa especializada em dados de navegação Marine Traffic, citados pelo Wall Street Journal. Normalmente, passam mais de 100 navios por dia no estreito em ambas as direções. De acordo com o jornal, os transitários dizem que quatro petroleiros com crude saudita e iraquiano partiram em direção ao estreito, tendo parado à entrada, não tendo sido possível apurar se estariam a negociar a passagem com as forças armadas iranianas.    Os dados contrariam as declarações do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, que garantiu numa entrevista à ITV que o estreito está aberto à navegação, embora sujeito a condicionalismos técnicos.    Al Jaber, CEO da petrolífera estatal do Abu Dhabi, foi taxativo: “O estreito de Ormuz não está aberto”, escreveu numa publicação online. “O acesso está a ser restringido, condicionado e controlado.”
Israel vai iniciar negociações diretas com o Líbano

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse ter concordado em iniciar conversações diretas com o Líbano. Os objetivos de Israel nestas negociações centrar-se-ão no desarmamento do Hezbollah e no estabelecimento de relações pacíficas entre os dois países. “À luz dos repetidos apelos do Líbano para iniciar negociações diretas com Israel, ontem dei instruções ao Conselho de Ministros para que fossem iniciadas negociações diretas com o Líbano o mais rapidamente possível”, disse. As negociações deverão arrancar na próxima semana no Departamento de Estado, em Washington, capital dos EUA, e terão sido possibilitados por um pedido de Trump a Netanyahu, de acordo com a CNN Internacional.             O anúncio chega depois de Israel ter conduzido vários ataques militares contra o Líbano já depois de ter sido decretado o cessar-fogo de duas semanas entre os EUA e o Irão. Notícia atualizada
Trump pediu a Netanyahu para recuar nos ataques ao Líbano

O Presidente dos EUA, Donald Trump, pediu ao primeiro-minisro israelita, Benjamin Netanyahu, para recuar nos ataques de Israel ao Líbano, de forma a assegurar o sucesso das negociações com o Irão, avançou a NBC. De acordo com um responsável da Administração Trump citado pelo canal, Israel terá concordado em ser um “parceiro útil” depois do pedido de Trump, feito na quarta-feira. Também na quarta-feira, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, tinha dito que Israel concordara em “conter-se um pouco” em relação ao Líbano para contribuir para o sucesso das negociações. Vance vai ser um dos líderes da equipa negociar dos EUA que vai reunir-se com a delegação iraniana no proximo sábado, em Islamabad, no Paquistão.
Mais de 200 petroleiros à espera de passar Estreito de Ormuz

O ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos, Sultan al Jaber, pediu hoje a abertura incondicional do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão, estimando que 230 navios carregados de petróleo estão prontos para zarpar. "O estreito deve estar aberto, plena, incondicionalmente e sem restrições. A segurança energética e a estabilidade económica mundial dependem disso. A militarização desta via marítima vital, sob qualquer forma, é inaceitável", denunciou Al Jaber nas redes sociais. O também diretor executivo da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi lamentou que Ormuz não estivesse aberto e que o acesso estivesse "condicionado e controlado". Al Jaber referiu que a passagem estava "sujeita a permissões, condições e pressão política" por parte do Irão, que bloqueou o estreito desde que foi atacado pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. "Isso não é liberdade de navegação. Isso é coerção", criticou na mensagem, citada pela agência de notícias espanhola EFE. Al Jaber recordou que o estreito é uma passagem natural regida pela Convenção da ONU sobre o Direito do Mar, que garante o trânsito como um direito, e não um privilégio "que se possa conceder, negar ou utilizar como arma". Segundo o ministro dos emirados, "230 navios encontram-se carregados de petróleo e prontos para zarpar", mas estão impedidos de o fazer devido ao bloqueio do estreito, por onde passa 20% do comércio mundial de energia. Al Jaber exigiu que todas as embarcações tenham liberdade de navegar pelo corredor sem restrições, porque "nenhum país tem direito legítimo a determinar quem pode passar e sob que condições". Exigiu ainda que os produtores de energia "possam restabelecer a produção em larga escala de forma rápida e segura". Anunciou que a companhia nacional de Abu Dhabi pela qual é responsável carregou petróleo e vai aumentar a produção "dentro das limitações impostas pelos danos sofridos" pelos ataques iranianos. Al Jaber alertou para a "encruzilhada crítica" em que se encontram os mercados, uma vez que os últimos carregamentos que transitaram pelo Estreito de Ormuz antes da guerra só estão agora a chegar aos destinos. "É aqui que os mercados financeiros enfrentam a realidade física, e o hiato de 40 dias nos fluxos energéticos mundiais fica claramente exposto", afirmou Al Jaber, insistindo na necessidade de restabelecer o fluxo da energia que transita por Ormuz. O objetivo é "reequilibrar os mercados, aliviar a pressão sobre os preços e o custo de vida", algo especialmente urgente para a Ásia, que depende em 80% dos carregamentos da região e onde reside metade da população mundial. "A estabilidade depende agora do restabelecimento de fluxos reais. Não de um acesso parcial, nem de medidas temporárias, nem de uma passagem controlada, mas de um fornecimento pleno e fiável", acrescentou. O bloqueio do Estreito de Ormuz foi uma das reações do Irão à ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel que enfrenta desde 28 de fevereiro. As perturbações na navegação pelo estreito causaram uma subida dos preços do petróleo e criaram o receio de uma crise inflacionária global. O Irão também reagiu à ofensiva israelo-americana com o lançamento de mísseis e drones contra países vizinhos, incluindo os Emirados Árabes Unidos, onde os ataques iranianos causaram pelo menos 12 mortos e danificaram infraestruturas petrolíferas. A guerra terá já causado mais de quatro mil mortos, maioritariamente no Irão e no Líbano, de acordo com dados divulgados pelos países afetados. Os Estados Unidos e o Irão anunciaram na quarta-feira um acordo de cessar-fogo de duas semanas, sob mediação do Paquistão, que Israel considerou não abranger o Líbano, pelo que prosseguiu com os ataques contra Beirute. A trégua, que as partes denunciaram já ter sido violada, visa a negociação de um acordo de paz, que deverá começar a ser discutido na sexta-feira, em Islamabad, novamente por mediação paquistanesa.
G7 debate impacto económico da guerra na próxima semana nos EUA

Os ministros das Finanças do G7 reúnem-se na próxima quarta-feira, em Washington (EUA), para coordenar a resposta ao impacto económico da crise no Médio Oriente, disse hoje o ministro da Economia francês. Numa entrevista à France Info, Roland Lescure informou que viajará na próxima semana para Washington, onde presidirá a uma reunião do G7 de ministros das Finanças na próxima quarta-feira, para reforçar a cooperação entre os membros: Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Reino Unido e Japão. Segundo o ministro, este encontro visa "coordenar, trocar informações, avaliar os diagnósticos e agir" face à volatilidade dos mercados energéticos. "Estamos perante uma situação extremamente volátil que exige coordenação internacional", sublinhou. Roland Lescure considerou que esta reunião permitirá analisar as consequências económicas do conflito, incluindo o abastecimento energético, mas também a inflação e a estabilidade dos mercados. Além disso, espera que os ministros das Finanças do G7 avaliem medidas para atenuar o impacto sobre os consumidores e as empresas. O ministro francês, cujo país exerce este ano a presidência rotativa do G7, recordou que a ação conjunta do grupo já permitiu medidas concretas recentemente. "Graças à ação do G7, graças à ação da França, libertámos reservas estratégicas para garantir que haja petróleo disponível em todo o mundo, incluindo em zonas onde escasseia", declarou. A crise atual demonstra a necessidade de uma resposta coletiva, pelo que "França age, mas não age sozinha", sublinhou Roland Lescure, após referir um contexto marcado pela fragilidade do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão e pela incerteza quanto à evolução do conflito. Perante a situação energética, muitos governos implementaram medidas para limitar o impacto das dificuldades de abastecimento e do forte aumento dos preços da energia, apesar da incerteza sobre a duração do conflito e a extensão das hostilidades. A nível interno, o ministro francês calculou que o custo da guerra no Médio Oriente para as finanças públicas francesas pode ascender a cerca de 4.000 milhões de euros, caso o conflito se prolongue durante todo o ano. O Grupo dos Sete, ou G7, é o grupo dos países mais industrializados do mundo, composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Reino Unido e Japão.
Bruxelas apela à inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo

A vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, apelou esta quinta-feira a que o Líbano passe a fazer parte do acordo de cessar-fogo celebrado entre os EUA e o Irão, ao qual Israel se decidiu juntar-se posteriormente. Numa publicação nas redes sociais, a também Alta Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros afirma que foram as ações do grupo armado Hezbollah que arrastaram o país para a guerra, mas reconhece que o "direito de Israel se defender não justifica infligir uma destruição tão massiva".  "Os ataques israelitas mataram centenas de pessoas ontem à noite, tornando difícil de argumentar que tais ações de mão pesada se enquadram na legítima defesa", escreveu Kaja Kallas, acrescentando que "as ações de Israel estão a colocar o cessar-fogo entre os EUA e o Irão sob forte pressão". "A trégua com o Irão deve estender-se ao Líbano", defendeu ainda, apesar de instar o Hezbollah a "desarmar-se".  Também o ministro francês e o britânico dos Negócios Estrangeiros já tinham apelado a um acordo que envolvesse o Líbano, após os ataques de Israel ao país vizinho. Apesar de o Irão defender que o seu aliado estava incluído no cessar-fogo negociado pelo Paquistão, os EUA e Israel negam que assim o seja. Mesmo assim, vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse esta quarta-feira que os israelitas mostraram disponibilidade para se “conterem um pouco” no Líbano de forma a que as negociações com Teerão sejam bem-sucedidas. A Comissão Europeia apelou ainda ao Irão para que pare de cobrar taxas na passagem de embarcações pelo estreito de Ormuz, defendendo que a liberdade de navegação está garantida pelo direito internacional. "Significa, basicamente, que não pode haver qualquer tipo de pagamento ou portagem", afirmou o órgão executivo da UE.
Teerão mantém enriquecimento do urânio como condição para negociar

O responsável da agência nuclear iraniana reclamou hoje o direito de Teerão a enriquecer urânio como condição necessária para quaisquer negociações de cessar-fogo com os Estados Unidos. "É uma das coisas necessárias de que ninguém fala", disse Mohammad Eslami, referindo-se à recusa dos Estados Unidos em reconhecer o enriquecimento do urânio como parte do plano de dez pontos do Irão para um cessar-fogo permanente. Mohammad Eslami, que dirige a Organização de Energia Atómica do Irão, referiu-se ao enriquecimento do urânio em declarações aos jornalistas durante as cerimónias em honra do líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra. Os Estados Unidos e o Irão devem reunir-se em Islamabad, Paquistão, para negociações durante o fim de semana. O cessar-fogo provisório na guerra com o Irão foi perturbado após o bombardeamento israelita contra Beirute e pelo contínuo controlo de Teerão sobre o Estreito de Ormuz. Horas depois do anúncio do cessar-fogo, Israel bombardeou Beirute com ataques aéreos, resultando no dia mais sangrento no país desde o início da guerra, a 28 de fevereiro.
UE: Imposto sobre lucros extraordinários na energia "atualmente a ser avaliado"

A Comissão Europeia está a considerar um imposto sobre lucros extraordinários na energia, numa altura em que os preços do petróleo e do gás continuam elevados devido à guerra no Médio Oriente. O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, disse esta quinta-feira, no Parlamento Europeu, que um "windfall tax" está "atualmente a ser avaliado", depois de "vários estados-membros" terem pedido que uma medida destas avance - a Bloomberg já tinha noticiado que Alemanha, Áustria, Itália, Espanha e Portugal faziam parte da lista. "Estamos a ver se conseguimos ter uma abordagem mais coordenada ao nível da UE", disse no parlamento. Após o início da guerra da Ucrânia, em 2022, a União Europeia avançou com um imposto sobre os lucros inesperados na energia. Uma medida semelhante "permanece uma possibilidade", disse Dombrovskis.
Irão exige criptomoedas como pagamento para passar o estreito de Ormuz

O Irão está a exigir que os petroleiros que passem pelo estreito de Ormuz paguem portagens com criptomoeda. Quem o diz agora é o Financial Times, mas já no início do mês . Agora, o FT cita o porta-voz da União de Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irão, que diz que as embarcações foram informadas que têm de enviar emails às autoridades iranianas antes de tentarem passar, com informação detalhada sobre a carga. As autoridades iranianas respondem depois com um valor pela travessia, que deve ser pago com cripto - supostamente, 1 dólar por barril de petróleo.

Air France prolonga suspensão de voos para o Médio Oriente até 3 de maio

A Air France prolongou a suspensão dos voos com origem e destino em Dubai, Riade, Beirute e Telavive até ao dia 3 de maio, anunciou hoje a companhia aérea francesa em comunicado. "Devido à situação de segurança no destino e ao encerramento contínuo do espaço aéreo aos voos comerciais, a companhia vê-se obrigada a prolongar a suspensão dos seus voos: com origem ou destino em Telavive [Israel], Beirute [Líbano], Dubai [Emirados Árabes Unidos] e Riade [Arábia Saudita] até 03 de maio de 2026, inclusive (ou seja, até 04 de maio de 2026 para os voos com partida de Dubai)", indicou a Air France num comunicado. A filial 'low-cost' Transavia, que habitualmente opera voos para Telavive e Beirute, mantém a suspensão dos serviços até 05 de julho, alegando que a atual situação geopolítica não permite qualquer alternativa. A Air France começou a suspender os voos para o Médio Oriente a partir de 28 de fevereiro, perante a escalada militar dos Estados Unidos e de Israel no Irão. Em 01 de março, a companhia tinha anunciado a suspensão dos serviços para Telavive, Beirute, Dubai e Riade até 03 de março, com mais de 500 voos cancelados nos primeiros dias devido ao encerramento de vários espaços aéreos na região. A Air France prolongou posteriormente essas medidas até ao início de abril e, a partir de agora, até 03 de maio. A decisão da companhia aérea foi tomada antes de na terça-feira, os Estados Unidos e o Irão terem chegado a acordo para um cessar-fogo de duas semanas, pouco mais de uma hora antes do termo do ultimato de Donald Trump. Desta forma, "o reinício das operações continuará sujeito a uma avaliação da situação de segurança no local, que está em constante evolução. Os clientes afetados estão a ser informados individualmente", indicou o grupo, que reforçou, desde o início de março, os voos com partida de vários destinos na Ásia, para compensar os cancelamentos de voos no Médio Oriente.
Trump ameaça “ofensiva maior e mais forte” se acordo com o Irão falhar

O Presidente dos Estados Unidos advertiu nas redes sociais que vai manter forças militares destacadas em torno do Irão até que o acordo alcançado seja cumprido e ameaçou lançar uma ofensiva "maior e mais forte" em caso contrário. Donald Trump sublinhou que "todos os navios, aeronaves e pessoal militar dos EUA, juntamente com munições e armamento, permanecerão no Irão e arredores" até que seja cumprido "integralmente o acordo", insistindo que a mobilização responde à necessidade de garantir a estabilidade na zona, afirmou num mensagem divulgada na rede social que lhe pertence, Truth Social. Além disso, Trump advertiu que, se o pacto não for respeitado, "começará a melhor, maior e mais forte batalha que nunca", considerando embora esse cenário "muito improvável", e salientado que "não haverá armas nucleares" e que o Estreito de Ormuz "permanecerá aberto e seguro". Na mesma mensagem, o dirigente revelou que as Forças Armadas dos Estados Unidos se encontram "a preparar-se e a descansar", à espera da "próxima conquista". Trump afirmou que existe apenas um conjunto de pontos aceites por Washington na proposta de cessar-fogo acordada com o Irão e que serão esses pontos a ser discutidos durante as negociações nas próximas duas semanas, sem esclarecer quais. "Existe um único conjunto de 'pontos" significativos que são aceitáveis para os Estados Unidos, e iremos discuti-los à porta fechada durante estas negociações", escreveu o Presidente na Truth Social. O Irão apresentou um plano de dez pontos para negociar, entre os quais se incluem a reabertura do Estreito de Ormuz, a retirada das forças de combate dos Estados Unidos destacadas na região, o levantamento de todas as sanções contra o Irão e que tudo o que foi referido seja consagrado numa resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU. Uma versão em persa divulgada pelos meios de comunicação social iraniana dá ainda conta da exigência de Teerão em prosseguir o seu programa de energia nuclear. O Irão e os Estados Unidos acordaram na terça-feira uma trégua de duas semanas condicionada à reabertura do estratégico Estreito de Ormuz e têm previsto reunir-se no próximo fim de semana em Islamabad, Paquistão, para negociar um fim para o conflito.
Teerão partilha rotas para que navios evitem minas no estreito de Ormuz

A Guarda Revolucionária Iraniana partilhou hoje um mapa com rotas alternativas para a navegação no Estreito de Ormuz, um dia após o Presidente norte-americano aceitar o plano apresentado por Teerão e ter-se iniciado um cessar-fogo. Devido à guerra, que começou no passado dia 28 de fevereiro, e "face à presença de diversos tipos de minas antinavio" na zona, a agência Tasnim, ligada ao corpo de elite das forças armadas iranianas, indicou que os navios que transitarem pelo estreito "devem coordenar-se com a CGRI [Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica] e, até nova ordem, utilizar as rotas alternativas para a travessia" por esta via estratégica. De acordo com meios de comunicação social persas, será estabelecida uma rota de entrada e outra de saída: a primeira irá do mar de Omã para norte, até à ilha de Larak, e daí para o Golfo Pérsico, enquanto a segunda seguirá o percurso inverso, ambas de acordo com um mapa que a Tasnim partilhou na plataforma de mensagens Telegram. Após registar quedas drásticas no tráfego de até 97%, após o início da guerra, o movimento no Estreito de Ormuz foi sendo retomado com cautela na quarta-feira, depois de EUA e Irão terem acordado uma trégua de duas semanas que permitirá a "passagem segura" pela via. No entanto, ainda na quarta-feira, Teerão anunciou a interrupção da navegação de petroleiros em resposta aos bombardeamentos surpresa em grande escala que Israel lançou contra o Líbano, informação que foi desmentida pela Casa Branca. Horas antes do acordo, Teerão assegurou que o plano de dez pontos estipula um "protocolo de segurança" para garantir o controlo iraniano desta passagem estratégico, pela qual, antes da guerra, circulavam cerca de 20% das energias fósseis mundiais. A reabertura de Ormuz tem sido uma exigência da comunidade internacional e o principal trunfo estratégico de Teerão na guerra. O Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou arrasar as centrais elétricas e pontes iranianas, caso o país não reabrisse o estreito, afirmando que o país poderia ser "aniquilado numa única noite" e feito regressar à "Idade da Pedra".
Tóquio pondera nova libertação de reservas de petróleo face a incerteza no cessar-fogo

Tóquio está a ponderar uma libertação adicional de reservas de petróleo estratégicas, perante a incerteza quanto à aplicação do acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão e à reabertura do Estreito de Ormuz. O Governo japonês está a considerar libertar o equivalente a cerca de 20 dias de reservas nacionais a partir de maio, uma vez que, considera o Executivo de Sanae Takaichi, a retoma segura da navegação pelo estratégico estreito "continua a ser incerta" após o acordo de tréguas, avançou hoje a agência noticiosa japonesa Kyodo. As autoridades japonesas têm como objetivo estabilizar o abastecimento de petróleo com esta libertação adicional, considerando que o arquipélago, que está a ser afetado pelo bloqueio seletivo de Ormuz, importa do Médio Oriente cerca de 90% do crude que consome. Nos últimos dias, a primeira-ministra Takaichi garantiu que o Japão tem assegurado o abastecimento de petróleo para oito meses, ou seja, até ao final do ano; e acrescentou que a aquisição a fornecedores alternativos "avança de forma constante". Recorde-se que, durante uma reunião que manteve em Tóquio com o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, este pediu a Takaichi que preparasse "possíveis libertações coordenadas adicionais" de petróleo bruto, caso a guerra no Irão se prolongasse. Desde que os Estados Unidos e Israel lançaram a ofensiva contra o Irão em 28 de fevereiro e o abastecimento global de petróleo começou a ser afetado, o Governo de Takaichi libertou milhões de barris das suas reservas estratégicas e concedeu subsídios às petrolíferas, num esforço concertado para reduzir os preços dos combustíveis no país.
Ataques israelitas ao Líbano constituem "grave perigo" para o cessar-fogo, diz ONU

Os ataques israelitas ao Líbano representam um "grave perigo" para o cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irão, alertou hoje o porta-voz de António Guterres, secretário-geral da ONU. "A continuação da atividade militar no Líbano representa um grave perigo para o cessar-fogo e para os esforços em prol de uma paz duradoura e geral na região", afirmou, num comunicado, o porta-voz de António Guterres, que reitera os apelos para um fim imediato das hostilidades. O Governo israelita anunciou que concordou com a interrupção dos ataques conjuntos com os Estados Unidos desde 28 de fevereiro contra a República Islâmica, mas esclareceu que a trégua não inclui o Líbano, onde mantém uma frente aberta desde o início de março contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão. Também o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou, entretanto, que o acordo de cessar-fogo entre Irão e Estados Unidos não se aplica ao Líbano, embora o Paquistão, país mediador, tenha reiterado que o acordo engloba o território libanês. Os ataques israelitas ao Líbano causaram 182 mortos na quarta-feira.
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