Imposto europeu sobre lucros extraordinários na energia "a ser avaliado". Trump ameaça com “ofensiva mais forte”
Teerão mantém enriquecimento do urânio como condição para negociar
UE: Imposto sobre lucros extraordinários na energia "atualmente a ser avaliado"
Irão exige criptomoedas como pagamento para passar o estreito de Ormuz
Air France prolonga suspensão de voos para o Médio Oriente até 3 de maio
Trump ameaça “ofensiva maior e mais forte” se acordo com o Irão falhar
Teerão partilha rotas para que navios evitem minas no estreito de Ormuz
Tóquio pondera nova libertação de reservas de petróleo face a incerteza no cessar-fogo
Ataques israelitas ao Líbano constituem "grave perigo" para o cessar-fogo, diz ONU
Bruxelas apela à inclusão do Líbano no acordo de cessar-fogo
A vice-presidente da Comissão Europeia, Kaja Kallas, apelou esta quinta-feira a que o Líbano passe a fazer parte do acordo de cessar-fogo celebrado entre os EUA e o Irão, ao qual Israel se decidiu juntar-se posteriormente. Numa publicação nas redes sociais, a também Alta Representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros afirma que foram as ações do grupo armado Hezbollah que arrastaram o país para a guerra, mas reconhece que o "direito de Israel se defender não justifica infligir uma destruição tão massiva".
"Os ataques israelitas mataram centenas de pessoas ontem à noite, tornando difícil de argumentar que tais ações de mão pesada se enquadram na legítima defesa", escreveu Kaja Kallas, acrescentando que "as ações de Israel estão a colocar o cessar-fogo entre os EUA e o Irão sob forte pressão". "A trégua com o Irão deve estender-se ao Líbano", defendeu ainda, apesar de instar o Hezbollah a "desarmar-se".
Também o ministro francês e o britânico dos Negócios Estrangeiros já tinham apelado a um acordo que envolvesse o Líbano, após os ataques de Israel ao país vizinho. Apesar de o Irão defender que o seu aliado estava incluído no cessar-fogo negociado pelo Paquistão, os EUA e Israel negam que assim o seja. Mesmo assim, vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse esta quarta-feira que os israelitas mostraram disponibilidade para se “conterem um pouco” no Líbano de forma a que as negociações com Teerão sejam bem-sucedidas.
A Comissão Europeia apelou ainda ao Irão para que pare de cobrar taxas na passagem de embarcações pelo estreito de Ormuz, defendendo que a liberdade de navegação está garantida pelo direito internacional. "Significa, basicamente, que não pode haver qualquer tipo de pagamento ou portagem", afirmou o órgão executivo da UE.
Irão exige criptomoedas como pagamento para passar o estreito de Ormuz
O Irão está a exigir que os petroleiros que passem pelo estreito de Ormuz paguem portagens com criptomoeda. Quem o diz agora é o Financial Times, mas já no início do mês a Bloomberg dava conta dos métodos elaborados que estavam a ser usados para as embarcações atravessarem o estreito, incluindo pagamentos em criptomoedas.
Agora, o FT cita o porta-voz da União de Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irão, que diz que as embarcações foram informadas que têm de enviar emails às autoridades iranianas antes de tentarem passar, com informação detalhada sobre a carga. As autoridades iranianas respondem depois com um valor pela travessia, que deve ser pago com cripto - supostamente, 1 dólar por barril de petróleo.
Teerão mantém enriquecimento do urânio como condição para negociar
O responsável da agência nuclear iraniana reclamou hoje o direito de Teerão a enriquecer urânio como condição necessária para quaisquer negociações de cessar-fogo com os Estados Unidos.
"É uma das coisas necessárias de que ninguém fala", disse Mohammad Eslami, referindo-se à recusa dos Estados Unidos em reconhecer o enriquecimento do urânio como parte do plano de dez pontos do Irão para um cessar-fogo permanente.
Mohammad Eslami, que dirige a Organização de Energia Atómica do Irão, referiu-se ao enriquecimento do urânio em declarações aos jornalistas durante as cerimónias em honra do líder supremo, ayatollah Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra.
Os Estados Unidos e o Irão devem reunir-se em Islamabad, Paquistão, para negociações durante o fim de semana.
O cessar-fogo provisório na guerra com o Irão foi perturbado após o bombardeamento israelita contra Beirute e pelo contínuo controlo de Teerão sobre o Estreito de Ormuz.
Horas depois do anúncio do cessar-fogo, Israel bombardeou Beirute com ataques aéreos, resultando no dia mais sangrento no país desde o início da guerra, a 28 de fevereiro.
UE: Imposto sobre lucros extraordinários na energia "atualmente a ser avaliado"
A Comissão Europeia está a considerar um imposto sobre lucros extraordinários na energia, numa altura em que os preços do petróleo e do gás continuam elevados devido à guerra no Médio Oriente.
O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, disse esta quinta-feira, no Parlamento Europeu, que um "windfall tax" está "atualmente a ser avaliado", depois de "vários estados-membros" terem pedido que uma medida destas avance - a Bloomberg já tinha noticiado que Alemanha, Áustria, Itália, Espanha e Portugal faziam parte da lista.
"Estamos a ver se conseguimos ter uma abordagem mais coordenada ao nível da UE", disse no parlamento. Após o início da guerra da Ucrânia, em 2022, a União Europeia avançou com um imposto sobre os lucros inesperados na energia. Uma medida semelhante "permanece uma possibilidade", disse Dombrovskis.
Air France prolonga suspensão de voos para o Médio Oriente até 3 de maio
A Air France prolongou a suspensão dos voos com origem e destino em Dubai, Riade, Beirute e Telavive até ao dia 3 de maio, anunciou hoje a companhia aérea francesa em comunicado.
"Devido à situação de segurança no destino e ao encerramento contínuo do espaço aéreo aos voos comerciais, a companhia vê-se obrigada a prolongar a suspensão dos seus voos: com origem ou destino em Telavive [Israel], Beirute [Líbano], Dubai [Emirados Árabes Unidos] e Riade [Arábia Saudita] até 03 de maio de 2026, inclusive (ou seja, até 04 de maio de 2026 para os voos com partida de Dubai)", indicou a Air France num comunicado.
A filial 'low-cost' Transavia, que habitualmente opera voos para Telavive e Beirute, mantém a suspensão dos serviços até 05 de julho, alegando que a atual situação geopolítica não permite qualquer alternativa.
A Air France começou a suspender os voos para o Médio Oriente a partir de 28 de fevereiro, perante a escalada militar dos Estados Unidos e de Israel no Irão.
Em 01 de março, a companhia tinha anunciado a suspensão dos serviços para Telavive, Beirute, Dubai e Riade até 03 de março, com mais de 500 voos cancelados nos primeiros dias devido ao encerramento de vários espaços aéreos na região.
A Air France prolongou posteriormente essas medidas até ao início de abril e, a partir de agora, até 03 de maio.
A decisão da companhia aérea foi tomada antes de na terça-feira, os Estados Unidos e o Irão terem chegado a acordo para um cessar-fogo de duas semanas, pouco mais de uma hora antes do termo do ultimato de Donald Trump.
Desta forma, "o reinício das operações continuará sujeito a uma avaliação da situação de segurança no local, que está em constante evolução. Os clientes afetados estão a ser informados individualmente", indicou o grupo, que reforçou, desde o início de março, os voos com partida de vários destinos na Ásia, para compensar os cancelamentos de voos no Médio Oriente.
Trump ameaça “ofensiva maior e mais forte” se acordo com o Irão falhar
O Presidente dos Estados Unidos advertiu nas redes sociais que vai manter forças militares destacadas em torno do Irão até que o acordo alcançado seja cumprido e ameaçou lançar uma ofensiva "maior e mais forte" em caso contrário.
Donald Trump sublinhou que "todos os navios, aeronaves e pessoal militar dos EUA, juntamente com munições e armamento, permanecerão no Irão e arredores" até que seja cumprido "integralmente o acordo", insistindo que a mobilização responde à necessidade de garantir a estabilidade na zona, afirmou num mensagem divulgada na rede social que lhe pertence, Truth Social.
Além disso, Trump advertiu que, se o pacto não for respeitado, "começará a melhor, maior e mais forte batalha que nunca", considerando embora esse cenário "muito improvável", e salientado que "não haverá armas nucleares" e que o Estreito de Ormuz "permanecerá aberto e seguro".
Na mesma mensagem, o dirigente revelou que as Forças Armadas dos Estados Unidos se encontram "a preparar-se e a descansar", à espera da "próxima conquista".
Trump afirmou que existe apenas um conjunto de pontos aceites por Washington na proposta de cessar-fogo acordada com o Irão e que serão esses pontos a ser discutidos durante as negociações nas próximas duas semanas, sem esclarecer quais.
"Existe um único conjunto de 'pontos" significativos que são aceitáveis para os Estados Unidos, e iremos discuti-los à porta fechada durante estas negociações", escreveu o Presidente na Truth Social.
O Irão apresentou um plano de dez pontos para negociar, entre os quais se incluem a reabertura do Estreito de Ormuz, a retirada das forças de combate dos Estados Unidos destacadas na região, o levantamento de todas as sanções contra o Irão e que tudo o que foi referido seja consagrado numa resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.
Uma versão em persa divulgada pelos meios de comunicação social iraniana dá ainda conta da exigência de Teerão em prosseguir o seu programa de energia nuclear.
O Irão e os Estados Unidos acordaram na terça-feira uma trégua de duas semanas condicionada à reabertura do estratégico Estreito de Ormuz e têm previsto reunir-se no próximo fim de semana em Islamabad, Paquistão, para negociar um fim para o conflito.
Teerão partilha rotas para que navios evitem minas no estreito de Ormuz
A Guarda Revolucionária Iraniana partilhou hoje um mapa com rotas alternativas para a navegação no Estreito de Ormuz, um dia após o Presidente norte-americano aceitar o plano apresentado por Teerão e ter-se iniciado um cessar-fogo.
Devido à guerra, que começou no passado dia 28 de fevereiro, e "face à presença de diversos tipos de minas antinavio" na zona, a agência Tasnim, ligada ao corpo de elite das forças armadas iranianas, indicou que os navios que transitarem pelo estreito "devem coordenar-se com a CGRI [Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica] e, até nova ordem, utilizar as rotas alternativas para a travessia" por esta via estratégica.
De acordo com meios de comunicação social persas, será estabelecida uma rota de entrada e outra de saída: a primeira irá do mar de Omã para norte, até à ilha de Larak, e daí para o Golfo Pérsico, enquanto a segunda seguirá o percurso inverso, ambas de acordo com um mapa que a Tasnim partilhou na plataforma de mensagens Telegram.
Após registar quedas drásticas no tráfego de até 97%, após o início da guerra, o movimento no Estreito de Ormuz foi sendo retomado com cautela na quarta-feira, depois de EUA e Irão terem acordado uma trégua de duas semanas que permitirá a "passagem segura" pela via.
No entanto, ainda na quarta-feira, Teerão anunciou a interrupção da navegação de petroleiros em resposta aos bombardeamentos surpresa em grande escala que Israel lançou contra o Líbano, informação que foi desmentida pela Casa Branca.
Horas antes do acordo, Teerão assegurou que o plano de dez pontos estipula um "protocolo de segurança" para garantir o controlo iraniano desta passagem estratégico, pela qual, antes da guerra, circulavam cerca de 20% das energias fósseis mundiais.
A reabertura de Ormuz tem sido uma exigência da comunidade internacional e o principal trunfo estratégico de Teerão na guerra.
O Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou arrasar as centrais elétricas e pontes iranianas, caso o país não reabrisse o estreito, afirmando que o país poderia ser "aniquilado numa única noite" e feito regressar à "Idade da Pedra".
Ataques israelitas ao Líbano constituem "grave perigo" para o cessar-fogo, diz ONU
Os ataques israelitas ao Líbano representam um "grave perigo" para o cessar-fogo de duas semanas entre os Estados Unidos e o Irão, alertou hoje o porta-voz de António Guterres, secretário-geral da ONU.
"A continuação da atividade militar no Líbano representa um grave perigo para o cessar-fogo e para os esforços em prol de uma paz duradoura e geral na região", afirmou, num comunicado, o porta-voz de António Guterres, que reitera os apelos para um fim imediato das hostilidades.
O Governo israelita anunciou que concordou com a interrupção dos ataques conjuntos com os Estados Unidos desde 28 de fevereiro contra a República Islâmica, mas esclareceu que a trégua não inclui o Líbano, onde mantém uma frente aberta desde o início de março contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão.
Também o Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou, entretanto, que o acordo de cessar-fogo entre Irão e Estados Unidos não se aplica ao Líbano, embora o Paquistão, país mediador, tenha reiterado que o acordo engloba o território libanês.
Os ataques israelitas ao Líbano causaram 182 mortos na quarta-feira.
Tóquio pondera nova libertação de reservas de petróleo face a incerteza no cessar-fogo
Tóquio está a ponderar uma libertação adicional de reservas de petróleo estratégicas, perante a incerteza quanto à aplicação do acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão e à reabertura do Estreito de Ormuz.
O Governo japonês está a considerar libertar o equivalente a cerca de 20 dias de reservas nacionais a partir de maio, uma vez que, considera o Executivo de Sanae Takaichi, a retoma segura da navegação pelo estratégico estreito "continua a ser incerta" após o acordo de tréguas, avançou hoje a agência noticiosa japonesa Kyodo.
As autoridades japonesas têm como objetivo estabilizar o abastecimento de petróleo com esta libertação adicional, considerando que o arquipélago, que está a ser afetado pelo bloqueio seletivo de Ormuz, importa do Médio Oriente cerca de 90% do crude que consome.
Nos últimos dias, a primeira-ministra Takaichi garantiu que o Japão tem assegurado o abastecimento de petróleo para oito meses, ou seja, até ao final do ano; e acrescentou que a aquisição a fornecedores alternativos "avança de forma constante".
Recorde-se que, durante uma reunião que manteve em Tóquio com o diretor executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, este pediu a Takaichi que preparasse "possíveis libertações coordenadas adicionais" de petróleo bruto, caso a guerra no Irão se prolongasse.
Desde que os Estados Unidos e Israel lançaram a ofensiva contra o Irão em 28 de fevereiro e o abastecimento global de petróleo começou a ser afetado, o Governo de Takaichi libertou milhões de barris das suas reservas estratégicas e concedeu subsídios às petrolíferas, num esforço concertado para reduzir os preços dos combustíveis no país.
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