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Empresas chinesas tiveram entre 3 e 8 vezes mais de ajudas públicas que concorrentes

A OCDE afirma que estas ajudas públicas desempenham um papel determinante na economia mundial.

Xi Jinping discursa em evento na China
Xi Jinping discursa em evento na China Jessica Lee / Lusa - EPA
12:58

A OCDE estima que as empresas chinesas de 15 setores-chave beneficiaram entre três e oito vezes mais de ajuda pública no período de 2005 a 2024 do que as concorrentes internacionais, segundo um relatório publicado esta segunda-feira.

No documento, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) precisa que a estimativa é "prudente" e que se baseia nas comunicações das maiores empresas dos referidos 15 setores industriais, fundamentais para grandes partes da economia mundial, como por exemplo o do aço, da indústria automóvel, dos semicondutores ou dos painéis solares.

A organização considera como ajudas públicas as ajudas diretas, os benefícios fiscais, mas também os empréstimos a taxas muito vantajosas concedidos por instituições financeiras públicas.

A OCDE afirma que estas ajudas públicas desempenham um papel determinante na economia mundial e que "quase 60% dos ganhos das participações de mercado globais" das empresas chinesas "podem ser explicados pelos subsídios públicos recebidos".

Noutras palavras, não foi por as empresas chinesas serem melhores do que as concorrentes norte-americanas ou europeias que conquistaram, em cerca de vinte anos, enormes fatias de mercado nos setores de painéis solares, construção naval ou aço, mas sim graças a um apoio sem igual das atividades por parte do poder público.

Os 15 setores observados são, em ordem alfabética, a aeronáutica e a defesa; o alumínio; automóvel; o cimento; a química; os fertilizantes; o vidro e as cerâmicas; a maquinaria pesada; os semicondutores; a construção naval; os painéis fotovoltaicos; o aço; os equipamentos de telecomunicações; o material rolante; os aerogeradores.

A nível mundial, os subsídios públicos a esses 15 setores industriais atingiram no período de 2023-24 o nível mais alto desde a crise financeira de 2008, representando em média 1,3% da faturação das empresas em 2024.

A organização observa, no entanto, que o pico observado em 2009 coincidiu com um período de forte recessão internacional, o que não é o caso em 2023-24. "Isto indica que o recente aumento das ajudas à indústria é mais estrutural" do que após a crise das hipotecas 'subprime'.

O montante total das ajudas públicas aos quinze setores industriais elevou-se a 108.000 milhões de dólares em 2024, segundo os dados compilados pela OCDE com base em dados da denominada "MAGIC", "Manufacturing Groups and Industrial Corporations".

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