Antigo chefe de gabinete de Macron vai liderar Banco de França

Até ao final de abril, Emmanuel Moulin era o conselheiro presidencial de mais alto nível no Eliseu. A sua nomeação valeu críticas ao Presidente francês por parte da oposição, mas o nome foi agora confirmado e vai liderar o banco central gaulês a partir do próximo mês.
Emmanuel Moulin vai ser o próximo governador do Banco de França
Ludovic Marin/AP
João Duarte Fernandes 18:31

O Parlamento francês aprovou a nomeação de Emmanuel Moulin, antigo chefe de gabinete do Presidente Emmanuel Macron, para liderar o banco central do país.

O sucessor de François Villeroy de Galhau como governador do Banco de França garantiu apoio suficiente numa votação das comissões de finanças tanto da Assembleia Nacional como do Senado, apesar de partidos como a União Nacional, a França Insubmissa e os socialistas terem criticado a nomeação e argumentado que Macron está a construir uma “república de amigos”.

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Seria necessário que três quintos dos membros das comissões votassem contra Moulin para que a nomeação fosse bloqueada. Dado o limiar relativamente elevado, nenhum anterior candidato a governador do banco central foi alguma vez rejeitado.

Até ao final de abril, Moulin era o conselheiro presidencial de mais alto nível no Eliseu, responsável pela supervisão de áreas que iam desde a política externa à economia. Anteriormente, desempenhou funções como chefe do Tesouro francês e ocupou vários cargos de alto nível no Ministério das Finanças gaulês.

Nas audições, cita o Financial Times, Moulin garantiu que seria independente e não ficaria em dívida para com Macron — nem para com qualquer futuro Presidente. Isto depois de a sua nomeação ter levantado críticas de vários quadrantes políticos, dada a sua relação com o atual Presidente do país, sendo esta vista como a mais recente iniciativa de Macron para preencher cargos importantes com aliados, na perspetiva de uma eleição presidencial de 2027 - à qual o atual Chefe de Estado não pode concorrer - que se apresenta incerta.

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“Não acredito que a minha carreira esteja ligada exclusivamente à do atual Presidente”, disse Moulin perante a comissão de finanças da Assembleia Nacional antes da votação, em resposta a perguntas sobre ser “leal” a Macron.

Villeroy de Galhau vai assim deixar o cargo no próximo mês — mais de um ano antes do previsto —, mas negou ter sido convidado a demitir-se. A sua saída abriu caminho para que Macron escolhesse o seu sucessor.

Durante a audiência de quarta-feira, Moulin afirmou que os bancos centrais na Europa devem permanecer atentos às mudanças nas perspetivas económicas e restringir a política monetária, se necessário. Mas recusou-se a comentar sobre se o Banco Central Europeu precisaria de aumentar as taxas de juro na sua próxima reunião, em junho, face aos impactos económicos da guerra no Irão, nomeadamente no que toca à inflação.

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