Lagarde deixa alerta: Ordem mundial está em perigo devido aos EUA
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, alertou que a ordem internacional está em perigo porque os Estados Unidos começaram a questioná-la.
Lagarde recebeu na quinta-feira, em Nova Iorque, o Prémio Wolfgang Friedmann, atribuído anualmente pela Universidade de Columbia a uma pessoa que tenha dado um contributo excecional para o campo do direito internacional.
PUB
No University Club de Nova Iorque, onde decorreu a cerimónia de entrega do prémio, Lagarde criticou o conceito de uma "nova ordem mundial", que descreveu como um regresso aos "velhos padrões de coerção e mercantilismo".
A economista defendeu o sistema atual, que começou a ganhar forma no século 18, com o aparecimento de novos atores, como os Estados Unidos, o Haiti e as nações recém-independentes da América Latina. "Os Estados Unidos, que apoiaram o sistema durante décadas, começaram a perder a confiança de que as regras funcionavam a seu favor. E quando o garante de uma ordem começa a duvidar dela, essa ordem está em perigo", afirmou.
Lagarde insistiu na inevitável interdependência entre países, um facto que se tornou evidente em 2025, quando os EUA tentaram impor tarifas à China e "isenções significativas tiveram de ser concedidas numa questão de semanas".
PUB
A dirigente de 70 anos reconheceu que as regras da ordem mundial "deixaram de evoluir ao ritmo do mundo" e defendeu a reforma do sistema para restaurar a confiança no mesmo, através do aprofundamento de acordos bilaterais e regionais.
Na quarta-feira, o BCE disse que Lagarde "não tomou nenhuma decisão" sobre uma eventual saída do cargo antes do final do mandato de oito anos.
Isto horas depois do jornal britânico Financial Times ter noticiado que a francesa pretendia abandonar a presidência, citando uma fonte próxima de Lagarde, mas que não foi identificada.
PUB
Mais lidas
O Negócios recomenda