Carneiro não acompanha comissão de inquérito sobre Lajes e acusa Rangel de nervosismo

O líder do PS abordou a polémica em torno da utilização pelos EUA da base aérea nos Açores em entrevista ao NOW, considerando não ser necessária uma comissão de inquérito. Contudo, quer esclarecimentos do ministro dos Negócios Estrangeiros no Parlamento.
José Luís Carneiro quer mais esclarecimentos de Rangel sobre as Lajes
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Lusa 19 de Maio de 2026 às 23:59

O líder do PS rejeitou esta terça-feira uma comissão de inquérito sobre a Base das Lajes, mas quer explicações no parlamento do ministro dos Negócios Estrangeiros, que acusa de nervosismo, para esclarecer as declarações do secretário de Estado norte-americano.

“Considerando que países aliados de Portugal - o Reino Unido, a Alemanha, a França e a Itália - atuaram de forma diferente daquela que foi a atuação do Governo português, o PS tem um dever porque aquilo que nos foi transmitido não corresponde àquilo que foi transmitido pelo Secretário de Estado norte-americano”, respondeu José Luís Carneiro esta noite, em entrevista ao NOW, sobre a polémica em torno do uso da Base das Lajes.

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Na perspetiva do secretário-geral do PS, o dever do seu partido é exigir “o escrutínio no Parlamento, nomeadamente na Comissão dos Negócios Estrangeiros”, audição do ministro Paulo Rangel que os socialistas já pediram no parlamento.

“No nosso entender, não é necessária uma comissão de inquérito, porque é normal, é regular que o ministro dos Negócios Estrangeiros responda às perguntas que lhe são feitas pelos deputados”, disse, quando questionado sobre a comissão de inquérito que PCP e BE já pediram.

Para José Luís Carneiro, a “pergunta é simples”.

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“Se aquilo que disse o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, não corresponde à verdade daquilo que se passou, o senhor ministro dos Negócios Estrangeiros transmite essa mensagem em sede própria e com certeza que as questões ficam esclarecidas”, desafiou.

Sobre Paulo Rangel, o líder do PS disse compreender “o desconforto”, mas considerou que “não justifica tanto nervosismo”. 

“O primeiro-ministro contactou-me no dia 27 de fevereiro para perguntar a posição do PS sobre o uso da Base das Lajes. (…)  E aquilo que eu disse foi que nós éramos contrários a uma intervenção militar feita à margem das Nações Unidas” e do direito internacional, referiu, enfatizando que já tinha dito o mesmo no parlamento perante Luís Montenegro.

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Segundo o secretário-geral do PS, o Governo transmitiu que “colocou três condições em relação ao uso da base das lajes” e os socialistas consideraram que “essa justificação era uma justificação válida”.

“O uso da Base das Lajes seria feito não para atos de guerra, mas para operações de logística e para apoio logístico a ações de retaliação, desde que fundamentadas, justificadas e proporcionais e nunca contra alvos civis. Nós concordamos com estas condições que o Governo colocou e dissemo-lo na Assembleia da República”, disse.

No entanto, de acordo com Carneiro, aquilo que Marco Rubio veio “afirmar, para todo o mundo, é que Portugal que disponibilizou a utilização sem perguntar para que efeito”.

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O ministro dos Negócios Estrangeiros escusou-se hoje a “falar mais” sobre o uso da base das Lajes pelos Estados Unidos nos ataques ao Irão, argumentando que já foi “muito claro” e “o tempo da clareza agora é para outros”.

Rangel insistiu que não vai “falar mais sobre isso”, convidando a fazê-lo “quem lançou a confusão”, sem nunca mencionar explicitamente o PS, cuja posição sobre esta matéria o ministro condenou “veementemente” na véspera.

Os pedidos do PS para audição de Rangel e do PCP e BE para uma comissão de inquérito surgiram na sequência de declarações do secretário de Estado norte-americano na quinta-feira, quando elogiou Portugal por aceitar o pedido dos Estados Unidos para utilizar a base das Lajes no conflito com o Irão.

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Em entrevista à Fox News, Marco Rubio disse que essa autorização foi dada ainda antes de Portugal saber qual seria o pedido.

No mesmo dia, o ministério esclareceu em comunicado que “o pedido a Portugal para utilização da Base das Lajes só foi feito já depois do ataque ao Irão, sendo que o Governo português só autorizou mediante condições que foram logo tornadas públicas e que são conhecidas”.

Segunda-feira, Rangel condenou a posição do PS sobre este tema, garantindo que o partido foi “informado e consultado previamente”.

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