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Sócrates diz que a despesa com protecção social aumentou em toda a Europa - verdade?

Verdadeiro ou falso? O Negócios confronta declarações de José Sócrates com factos e números.

Nuno Aguiar naguiar@negocios.pt 28 de Março de 2013 às 12:12
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22h17

 

No final de 2009 tínhamos uma crise económica à qual procurávamos responder. E a Europa e Portugal responderam, procurando aumentar a protecção social, conter o crescimento do desemprego e potenciar a procura interna, e foi isso que foi feito em toda a Europa. 
 

 

No período pós-crise financeira, a Europa procurou regressar ao crescimento económico. Em Dezembro de 2008, José Sócrates dizia que o combate ao desemprego deveria ser a prioridade dos governos europeus no ano seguinte e, ao longo de 2009, foi defendendo o seu investimento público bandeira: a modernização do parque escolar. Não estava sozinho. No final de 2008, José Luís Zapatero prometia 33 mil milhões de euros em investimento em infraestruturas; na mesma altura, Gordon Brown anunciava acordos para investimentos em infraestruturas tecnológicas e ambientais; em Novembro de 2009, Nicolas Sarokozy apresentava também um plano de investimento público de 35 mil milhões de euros. O objectivo é que, numa altura em que o investimento privado não estava a responder, a despesa pública ajudasse a dinamizar a economia.

 

Quanto à protecção social, todos os Estados excepto a Hungria viram a despesa nesta área aumentar entre 2008 e 2009. Na Zona Euro, os gastos sociais cresceram, em média, 9,1% (em Portugal, 15,5%). Entre 2009 e 2010 essa tendência continuou, embora de forma mais moderada. Parte desta evolução é justificada pela actuação dos chamados "estabilizadores automáticos" (desemprego sobe, e gastos com subsídio de desemprego acompanham a subida, por exemplo), outra por decisões e medidas dos governos.

 

Onde a frase dita ontem por José Sócrates é mais discutível é quando se analisam os resultados. O antigo primeiro-ministro fala de conter o desemprego. No entanto, nesse período a taxa de desemprego sofreu um agravamento significativo, tanto em Portugal como na Zona Euro. Entre 2008 e 2010, observou-se um aumento de 8,5% para 12% em Portugal e 7,1% para 9,7% na Zona Euro.

 

Quanto à procura interna, resultados semelhantes. A estratégia não resultou numa recuperação. O indicador está em queda desde 2008, sem ter registado qualquer tipo de recuperação. Alguns economistas argumentam que as medidas não tiveram tempo de dar frutos, devido à explosão da crise grega e consequente inversão da estratégia europeia, que passou a apostar na austeridade e no equilíbrio orçamental.

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