Hungria: Opositor avisa Orbán que não poderá impedir legislativas
O líder da oposição húngara, Péter Magyar, favorito nas legislativas do próximo domingo, advertiu o primeiro-ministro para o facto de não poder impedir a realização das eleições. Isto após terem sido encontrados explosivos perto de um gasoduto sérvio junto à fronteira com a Hungria.
"Permitam que me dirija a Viktor Orbán: é bom que saiba que não conseguirá impedir a eleição de 12 de abril de forma alguma", afirmou - num vídeo publicado nas redes sociais - o líder do Tisza, que as sondagens colocam em primeiro lugar nas intenções de voto.
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No próximo domingo, acrescentou, "milhões de húngaros tomarão uma decisão e encerrarão as duas décadas mais corruptas da história do país, que fizeram da Hungria o Estado-membro mais pobre da União Europeia", referindo-se aos 16 anos de poder do Fidesz, partido liderado por Orbán.
Magyar considerou ainda que, se Viktor Orbán "ou a sua propaganda" usarem "esta provocação na Sérvia para fins de campanha, será uma admissão aberta de que foi uma operação de falsa bandeira pré-planeada contra agentes da lei e pessoal das forças armadas". A estes, pediu: "Permaneçam fiéis ao vosso juramento, sirvam o país, não as ordens políticas".
As autoridades sérvias abriram uma investigação depois de agentes do exército e da polícia terem encontrado duas mochilas e dois grandes pacotes de explosivos com detonadores perto do gasoduto Balkan Stream, na localidade de Kanjiza, junto à fronteira com a Hungria.
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Até ao momento, não há informações sobre a origem dos explosivos nem sobre quem os poderá ter colocado no local. O gasoduto, uma extensão do Turk Stream, abastece a Sérvia e a Hungria de gás russo. O Governo de Viktor Orbán ligou a Ucrânia a uma "tentativa de ataque terrorista", o que Kiev já negou.
No vídeo, Magyar afirmou que "nas últimas semanas, surgiram vários relatos independentes de que, devido ao colapso do apoio ao Fidesz, Orbán planeia atravessar outra fronteira com a ajuda da Sérvia e da Rússia, e vários especialistas e jornalistas próximos do Fidesz indicaram publicamente e de forma não pública que algo ia acontecer no gasoduto na Sérvia, e isso aconteceu".
O candidato pediu ao primeiro-ministro que o informe "imediatamente sobre os desenvolvimentos, pois a situação que se desenvolveu terá de ser resolvida pelo Governo do Tisza", numa referência à eventual vitória do partido.
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Também os húngaros esperam "informações reais", disse, argumentando que "a confiança do povo húngaro tem sido abalada nas últimas semanas devido a uma série de crimes dos serviços secretos".
"Os húngaros temem, com razão, que o primeiro-ministro cessante, seguindo o conselho dos agentes russos, tente incutir medo nos próprios compatriotas com operações de bandeira falsa cada vez mais duras", afirmou. Prometeu ainda que o Governo, que espera liderar, "vai investigar, no âmbito de uma investigação pública abrangente, quem foram os clientes políticos e executores destes crimes contra o Estado".
Dirigindo-se aos eleitores do Fidesz, disse compreender que se sintam "preocupados ou com medo", devido à "ansiedade artificialmente gerada pelo poder de Orbán". "Para dar respostas a estas preocupações, em vez de reforçar os receios, uma das tarefas do período que se avizinha será unir a nação, ter um objetivo comum, uma crença comum e um consenso entre nós de que este país pertence a todos os húngaros", defendeu.
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Durante a campanha, o primeiro-ministro húngaro, pró-Moscovo, tem aumentado os ataques contra a Ucrânia, que acusa de tentar perturbar a segurança energética da Hungria, Estado-membro da UE, que, tal como a Eslováquia, continua a importar gás russo.
Em março, Orbán vetou o empréstimo de 90 mil milhões de euros prometido por Bruxelas a Kiev e travou a imposição do 20.º pacote de sanções à Rússia, em retaliação pela interrupção de fornecimento de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, após um ataque russo que danificou um troço em território ucraniano.
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