Mais de uma dezena de personalidades de direita ao lado de Seguro na segunda volta

Um terço dos deputados da IL, históricos do PSD e figuras de peso ligadas ao CDS. A lista de apoiantes de direita de António José Seguro continua a crescer, apesar de as candidaturas deste lado do espectro político terem recusado recomendar o voto ao socialista.
António José Seguro continua a colecionar apoios à direita.
José Coelho / Lusa - EPA
Ricardo Jesus Silva 19 de Janeiro de 2026 às 22:36

Luís Montenegro, Marques Mendes, Cotrim de Figueiredo e Gouveia e Melo recusaram-se a endossar ou recomendar o voto a qualquer candidato na noite eleitoral, mas isso não tem impedido várias figuras à direita de avançarem pelo próprio pé e concederem o seu apoio ao candidato socialista António José Seguro. Com o cerrar de fileiras dos partidos à esquerda (e do PAN), o CDS e a Iniciativa Liberal (IL) atiram a decisão para mais tarde, com os democratas-cristãos a anunciarem um apoio na quarta-feira. 

Entre as várias personalidades de direita que já disseram que vão votar Seguro na segunda volta realizada a 8 de fevereiro contam-se três deputados da IL, vários históricos do PSD, o Presidente da Câmara do Porto e ainda dois grandes nomes ligados ao CDS. 

PUB

Do lado dos sociais-democratas, Miguel Poiares Maduro e Pedro Duarte foram as duas primeiras figuras a chegarem-se à frente. Na noite eleitoral da RTP, o antigo ministro do PSD e membro da comissão política de Marques Mendes defendeu que Seguro era preferível a André Ventura e tornou claro que iria apoiar "claramente" o candidato socialista. Já o Presidente da Câmara do Porto, no programa Princípio da Incerteza, na CNN Portugal, elogiou a campanha do antigo líder do PS e disse que não tinha dúvidas em que iria dar o seu voto. "É absolutamente claro e inequívoco. Vou votar em António José Seguro", rematou. 

Já esta manhã, os apoios ao socialista continuaram a chegar em peso e, numa entrevista à Antena 1, José Eduardo Martins classificou Seguro como um moderado e uma escolha de "clareza democrática". O antigo secretário de Estado do PSD, que apoiou Luís Marques Mendes na primeira volta, dá agora o seu voto ao candidato de centro-esquerda, considerando que apoiar André Ventura é ir contra "a Constituição, a defesa da democracia liberal e a dignidade da pessoa humana". Também o presidente da Câmara Municipal de Cascais António Capucho, que já serviu como secretário-geral do PSD, disse à TSF que iria apoiar Seguro. 

PUB

José Miguel Júdice, que curiosamente foi mandatário nacional da candidatura de José Cotrim de Figueiredo, aposta agora as suas fichas no antigo líder do PS para a segunda volta da presidenciais. Num comentário na CNN Portugal, foi perentório: “O meu mandato [como mandatário] terminou. (...) Se ele [Cotrim] não tivesse sido candidato, eu teria apoiado António José Seguro na primeira volta". 

"Sem entusiasmo", o comentador José Pacheco Pereira, ex-líder parlamentar do PSD, também se comprometeu com um apoio ao socialista na segunda volta contra André Ventura. Já Cristóvão Norte, deputado social-democrata, não tem dúvidas que o voto em Seguro é o garante da "coesão nacional" - daí, ter anunciado o seu apoio através de uma publicação nas suas redes sociais. 

PUB

"À frente de interesses pessoais e partidários", o líder parlamentar da IL, Mário Amorim Lopes, também não tem dúvidas em quem votar. Na RTP, o liberal afirmou que iria votar em Seguro no dia 8 de fevereiro, apesar de se assumir "um grande crítico do Partido Socialista", que classifica como "o maior responsável pelo estado em que o país se encontra". No entanto, do outro lado, está André Ventura, que diz ser uma "forte ameaça ao Estado de direito" - o que não deixa muito espaço de manobra. 

Já o deputado liberal e vice-presidente da Assembleia da República Rodrigo Saraiva vota contra o candidato "que quer tudo destruir" e a favor do "que quer pelo menos manter a previsibilidade e a estabilidade", ou seja, António José Seguro, disse no programa "Entre Políticos" da Antena 1. Ainda na ala liberal, o antigo presidente da IL Carlos Guimarães Pinto afirmou no programa "Linhas Vermelhas" da SIC Notícias que iria votar no candidato socialista, que conseguiu demonstrar que "consegue colocar o país à frente do seu ego e de interesses partidários". 

No mesmo programa, Cecília Meireles, ex-deputada do CDS, também revelou que o seu sentido de voto na segunda volta das presidenciais iria passar por Seguro. "Tendo ponderadas as duas escolhas que temos, acho que tomei a minha decisão. Acho que António José Seguro será mais árbitro do que jogador", esclareceu. 

PUB

Já Francisco Rodrigues dos Santos, conhecido por "Chicão" e que liderou o CDS entre 2020 e 2022, foi uma das primeiras vozes de direita a demonstrar o seu apoio pelo candidato suportado pelo PS. "Não pode haver contemplações, hesitações, quando está em causa um consenso matricial de valores fundacionais e civilizacionais do nosso continente e do nosso país", atirou o democrata-cristão, que, depois de ter apoiado Henrique Gouveia e Melo na primeira volta, assume agora, "sem dúvidas rigorosamente nenhumas", o voto em Seguro. 

Também o ex-presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que foi mandatário nacional do candidato presidencial Luís Marques Mendes, anunciou que vai apoiar António José Seguro na segunda volta em detrimento de André Ventura.

"Sem nenhum desprimor para com André Ventura, ele disse que não queria ser presidente de todos os portugueses, e eu quero um presidente que seja de todos, os que pensam como eu e os que pensam de forma diferente", referiu esta segunda-feira à noite Rui Moreira na SIC Notícias.

PUB

Para o antigo autarca do Porto, António José Seguro dá essas garantias, manifestando que o irá "apoiar firmemente".

*Com Lusa

Pub
Pub
Pub