CAP vai juntar-se a milhares de agricultores em protesto em Estrasburgo contra reforma da PAC
A Confederação dos Agricultores Portugueses (CAP), que "reprova em toda a linha" a proposta de Bruxelas para a Política Agrícola Comum (PAC) para o período 2028-2034, vai participar na marcha de protesto que se espera que junte, esta terça-feira, milhares de agricultores do bloco dos 27 junto à sede do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, coincidindo com a sua sessão plenária.
Em comunicado, enviado às redações, a maior organização de agricultores de Portugal indica que vai participar "solidariamente", através da sua representação em Bruxelas, na iniciativa que tem lugar à mobilização do passado dia 18 de dezembro, em Bruxelas, onde se concentraram cerca de 10.000 agricultores em Bruxelas, como reflexo do "impasse que marca atualmente e de forma negativa a política agrícola comunitária".
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"A CAP marcará presença batendo-se pela melhoria da proposta da PAC, pela sua boa regulamentação e pela aplicação rigorosa de garantias no comércio com o exterior que assegurem comerciais justas e eficazes em benefício do setor, da economia e dos consumidores europeus", justifica.
A organização liderada por Álvaro Mendonça e Moura recorda que "reprova em toda a linha, e de forma muito vincada, as propostas apresentadas pela presidente [da Comissão Europeia] Von der Leyen para o próximo quadro financeiro plurianual e para a PAC no período 2028-2034", qualificando-as de "inaceitáveis para o conjunto dos países europeus, e em especial para Portugal, que nesta proposta vê a suas dotações não só muito reduzidas, como reduzidas numa proporção superior à média europeia".
"A CAP não pode aceitar uma renacionalização encapotada da política agrícola da UE que, prejudicando todos os agricultores, atingiria de forma mais severa os agricultores de países com menores disponibilidades orçamentais nacionais", frisa.
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O quadro financeiro plurianual e a estrutura da futura política agrícola comum são, no entender da CAP, "as grandes questões que ameaçam diretamente os agricultores europeus", razão pela qual "as alterações indispensáveis às propostas apresentadas não podem limitar-se a hipotéticas transferências de verbas ao sabor dos governos nacionais", mas antes "têm de ficar acordadas a nível europeu como sendo verbas destinadas exclusivamente ao desenvolvimento da PAC".
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Na mesma nota, a CAP deixa ainda uma nota sobre o acordo comercial entre a UE e o Mercosul, firmado este sábado ao fim de 25 anos de negociações. Apesar de o considerar "globalmente positivo" para o setor agroalimentar português, a organização "exige uma aplicação rigorosa e intransigente das cláusulas de salvaguarda e dos mecanismos de inspeção previstos no acordo UE-Mercosul", de forma a "evitar quaisquer prejuízos para os setores mais sensíveis.
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