Sucesso na OPA da Bondalti à Ercros. Paga 247 milhões por 77%
A oferta pública de aquisição (OPA) da química portuguesa Bondalti sobre a espanhola Ercros foi bem sucedida. A empresa portuguesa confirmou nesta quinta-feira que a aceitação final foi de 77,23% dos direitos de voto efetivos "correspondentes a 70.615.637 ações, que serão adquiridas em numerário a um preço de 3,505 euros por ação". O preço final representa um investimento total de 247,5 milhões de euros. A liquidação da oferta está prevista para o dia 24 de março.
A química portuguesa confirma em comunicado que após a liquidação, a Ercros sairá da bolsa "através do lançamento de uma OPA de exclusão a um preço não superior ao da primeira OPA".
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"Este nível de aceitação permite iniciar uma nova etapa orientada para o reforço do projeto industrial da Ercros e, em conjunto, da própria Bondalti", escreve a empresa liderada por João de Mello. "O setor químico na Europa atravessa um momento particularmente desafiante, marcado pela subida dos preços das matérias-primas, pela quebra da procura e pela forte concorrência de empresas estrangeiras", continua a companhia, garantindo que "trabalhará para reforçar a competitividade e a proposta de valor do grupo, contribuindo para a criação de um líder químico com a escala e as capacidades necessárias para competir a nível global num mercado particularmente exigente."
A companhia lusa reafirma ainda o seu "compromisso com o emprego, as condições laborais, a atividade industrial, a viabilidade futura da Ercros e a sua inserção territorial".
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A Bondalti já tinha confirmado na segunda-feira o negócio bem sucedido, quando comunicou que, segundo a informação preliminar apurada, o nível de aceitação dos acionistas foi superior a 50% dos direitos de voto efetivos da Ercros.
A oferta pública de aquisição da Bondalti foi feita em março de 2024, um processo que durou praticamente dois anos. Em fevereiro, a CNMV tinha definido como critério para o sucesso da operação a obtenção de mais de 50% dos direitos de voto por parte dos acionistas da Ercros. Trata-se de uma dos mais longas mais longas ofertas públicas de aquisição no país vizinho nos últimos anos.
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Esta não foi uma OPA pacífica, com o conselho de administração da catalã Ercros a ter emitido um um parecer "desfavorável" ao negócio. Mas a rejeição não foi unânime no próprio conselho de administração, tendo dois dos elementos referido que a contrapartida oferecida é "justa". Já os sindicatos tinham indicado uma posição favorável sobre a oferta.
A Ercros é um dos grandes "players" da indústria química espanhola.
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