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Ambientalistas falam de "um dos maiores retrocessos nas políticas ambientais da UE"

Zero, WWF e Quercus criticam recuo de Bruxelas na meta de acabar com carros novos a gasolina ou a gasóleo dentro de 10 anos, falando de um "erro grave" tanto para clima como para a saúde pública, mas também de danos para a competitividade.

Ernesto Barroso
17 de Dezembro de 2025 às 07:16

A Zero diz que não só  "enfraquece significativamente os compromissos da União Europeia (UE)" ao nível da saúde pública e de descarbonização, como figura como "um dos maiores retrocessos nas políticas ambientais da União Europeia nos últimos anos". 

Em , após a apresentação do pacote automóvel, a associação ambientalista enfatiza que na revisão do regulamento, "considerado como um dos principais instrumentos da UE para a descarbonização do transporte rodoviário", o executivo comunitário "desiste de proibir a venda de veículos novos movidos a combustíveis fósseis a partir de 2035, com um alcance de 100% de redução nas emissões de CO2", avançando em alternativa com uma proposta para que "em 2035 o sector garanta somente 90% de redução das emissões, sendo que os restantes 10% deverão ser compensados na produção (uso de aço verde, por exemplo) ou na utilização recorrendo a combustíveis alternativos".

A Zero qualifica estas "cedências" como um "erro grave" tanto para o clima como para a saúde pública e "apela aos responsáveis políticos portugueses para assumirem uma posição firme e inequívoca contra qualquer recuo" - tanto no Conselho como no Parlamento Europeu, no âmbito dos trílogos e das negociações que agora se seguem.

E explica porquê: "Este recuo compromete os objetivos da UE de neutralidade carbónica até 2050 e coloca em risco a meta intermédia de redução das emissões de CO2 em 2030", adverte a associação ambientalista, apontando que os transportes representam 25% das emissões de gases com efeito de estufa na Europa e mais de 34% em Portugal, e que o transporte rodoviário constitui "o sector da economia mais problemático"

Por outro lado, acrescenta, "a prorrogação das vendas de veículos a biocombustíveis ou combustíveis sintéticos implica emissões adicionais de poluentes atmosféricos, com consequências diretas para a saúde pública. Os óxidos de azoto (NO) e as partículas finas (PM2,5) contribuem para doenças respiratórias e cardiovasculares, acidentes vasculares cerebrais e alguns tipos de cancro, afetando de forma particular crianças, idosos e populações urbanas".

"Cada ano extra de circulação de motores a combustão traduz-se em milhares de mortes prematuras evitáveis e aumenta significativamente a pressão sobre os sistemas de saúde", frisa.

A associação liderada por Francisco Ferreira aponta, aliás, que as metas de redução de CO2 para veículos impostas no regulamento que agora se pretende alterado "já estavam a impulsionar progressos significativos, promovendo a adoção de veículos elétricos, estimulando a inovação e incentivando novos investimentos". "Nos últimos anos a venda de veículos elétricos tem vindo a aumentar, sendo que em 2025 os fabricantes europeus registaram um aumento de 34% nas vendas de veículos elétricos a bateria em comparação com o ano anterior, e a quota de veículos 100% elétricos no total de vendas de automóveis novos na UE estava em torno dos 15% (em maio 2025)", argumenta.

Neste âmbito, a Zero recorda que "os construtores automóveis europeus comprometeram-se com centenas de milhares de milhões de euros em novos investimentos" e que o adiamento da sua meta de 2035 não só "ameaça este ritmo de progresso", como a confiança de investidores, "cedendo vantagem estratégica a concorrentes fora da Europa".

A WWF Portugal também partilha da mesma opinião. "Sob o pretexto da competitividade, face a um setor de produção automóvel que marca passo em se adaptar à produção de modelos elétricos, prejudicam-se as empresas que fizeram investimentos avultados nessa adaptação tecnológica, e não se reduzem o mais possível as emissões poluentes do setor dos transportes, prejudiciais à saúde humana e ao clima. Perdem as empresas, a competitividade da UE, as pessoas e o clima", afirmou a diretora de Conservação e Políticas da WWF Portugal, Catarina Grilo, num comentário ao anúncio, citado pela Lusa.

A Quercus juntou-se ao coro: "Esta alteração não é surpreendente e vem no seguimento de um claro posicionamento de um grupo de políticos europeus que consideram que sustentabilidade e descarbonização são opostos ao crescimento económico", apontou, também citada pela agência de notícias.

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