Goldman Sachs regista melhor trimestre em cinco anos mas "trading" de obrigações desilude

Apesar de os lucros do banco norte-americano terem acelerado 14% para mais de 17 mil milhões de dólares, as receitas na negociação de obrigações, câmbio e matérias-primas acabou por ficar bastante abaixo das expectativas. As ações do Goldman Sachs chegaram a cair mais de 4%.
David Solomon destaca um 'panorama geopolítico muito complexo'.
Seth Wenig / AP
Ricardo Jesus Silva 13 de Abril de 2026 às 15:46

O gigante da banca norte-americana Goldman Sachs deu o pontapé de saída à época de resultados do primeiro trimestre de 2026 - e, apesar de até ter registado o melhor trimestre em cinco anos, a divisão de negociação de obrigações, divisas e matérias-primas acabou por desiludir os investidores. De acordo com um comunicado enviado esta segunda-feira ao regulador dos EUA, o banco viu os seus lucros acelerarem 14% para 17,23 mil milhões de dólares face ao mesmo período do ano passado

No entanto, as receitas de negociação FICC (obrigações, câmbio e matérias-primas) acabaram por ficar abaixo das expectativas, fixando-se nos 4,01 mil milhões de dólares - menos 800 milhões do que o esperado pelo consenso de mercado e 10% abaixo do resultado obtido nos primeiros três meses de 2025. O crescimento nas receitas obtidas pela negociação de ações, que atingiu um novo máximo de 5,33 mil milhões, não foi o suficiente para convencer os investidores e as ações da instituição financeira estão, neste momento, a cair 3,20% para 878,75 dólares, tendo chegado a afundar mais de 4%.

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O valor alcançado com a negociação de títulos de empresas foi o maior de sempre registado por um banco em apenas três meses, beneficiando de um grande aumento da volatilidade com o estalar do conflito no Médio Oriente - bem como com os receios em torno da inteligência artificial (IA) e do crédito privado. Este "boom" foi impulsionado por um crescimento acentuado no financiamento de ações, o que inclui empréstimos a grandes clientes de "hedge funds" e outros investidores institucionais. 

"O panorama geopolítico continua a ser muito complexo - por isso, uma gestão de risco rigorosa deve continuar a ser fundamental na forma como operamos", afirmou David Solomon, CEO da Goldman Sachs, no comunicado que acompanha a divulgação dos resultados trimestrais do banco. Mesmo assim, a instituição financeira destaca o aumento das fusões e aquisições concluídas como o grande fator por detrás daquele que foi a melhor série de três meses em cinco anos para o Goldman Sachs. 

Os honorários de consultoria dos banqueiros de investimento cresceram 89% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo os 2,84 mil milhões de dólares e superando as expectativas em todos os setores. Já os ativos sob gestão do Goldman Sachs cresceram para 3,7 mil milhões. 

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