Ex-administrador do BES diz que problemas se revelaram no ESFG e não no BES
Joaquim Goes quis diferenciar o ESFG do BES, dizendo que cada um contava com órgãos autónomos. E defende que o ESFG, onde não tinha qualquer papel, é que aumentou a exposição ao lado não financeiro do GES.
Na sua intervenção inicial da comissão parlamentar de inquérito, o antigo administrador do Banco Espírito Santo quis criar uma distinção entre o banco e o Espírito Santo Financial Group, a "holding" que tinha cerca de 27% do seu capital.
"Eram entidades autónomas, com estruturas accionistas distantes, cada uma possuindo órgãos sociais", esclareceu Joaquim Goes na audição desta segunda-feira, 22 de Dezembro. Goes era administrador executivo do BES. Havia uma "diferença formal", realçou.
O BES, disse o ex-administrador, não tinha exposição directa significativa ao Grupo Espírito Santo até Setembro de 2013. "O que explica porque não existia nem tinha de existir um acompanhamento próximo da realidade do GES", frisou. Foi em Novembro que, na sequência de um exercício do Banco de Portugal, se detectou passivo escondido na Espírito Santo International, sociedade de topo do GES que acabou por criar uma derrocada no grupo.
Na ESFG, a exposição ao GES já existia e, nos primeiros seis meses de 2014, a exposição aumentou. "Entre Maio e Junho, a ESFG aumenta o seu nível de endividamento global ao BES". São investidos 150 milhões de euros pela Tranquilidade e aumenta-se o endividamento do ESFG junto do Nomura para participar no aumento de capital do BES, realizado naqueles meses. Não funcionou o mecanismo de "ring-fencing", que queria eliminar a exposição entre a área financeira da área não financeira.
Goes, que participou nas comissões de acompanhamento do BES criadas a pedido do Banco de Portugal, acrescentou ainda que o ESFG não criou uma dessas comissões, a de controlo de transacções de partes relacionadas.