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Goldman Sachs entra no BES para facilitar transacções de clientes

Foi devido aos seus clientes que o Goldman Sachs superou os 2% no BES. Uma justificação que chegou numa sessão em que as acções do banco português subiram mais de 14%.

Bruno Simão/Negócios
Negócios 23 de Julho de 2014 às 17:39

O Goldman Sachs investiu no Banco Espírito Santo. Tem neste momento uma participação superior a 2% do capital social. A aposta deve-se à facilidade de transacções de clientes.

"O Goldman Sachs International adquiriu posições no BES no sentido de facilitar a transacção de clientes", disse o banco num e-mail enviado às agências de informação Reuters e Bloomberg.

O banco norte-americano detém 2,27% do capital social do congénere português. Qualquer sociedade é obrigada a comunicar ao mercado, através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), quando ultrapassa os 2% dos direitos de voto de uma empresa cotada em Portugal. Foi isso que aconteceu na terça-feira ao indicar que, a 15 de Julho, o Goldman tinha a referida participação qualificada no BES. Também a gestora de fundos Desco passou a ter 2,71% do capital da instituição sob comando de Vítor Bento.

O operador da OreyiTrade Juan Dieste disse, à Bloomberg, que esta compra "abre a porta a outros investidores institucionais".

A justificação para o investimento do Goldman, dada através das agências de informação, chega numa sessão em que as acções do BES registaram uma valorização de 14,35%, encerrando nos 0,478 euros, o valor mais elevado desde 11 de Julho. A sessão voltou a contar com um forte volume, tendo havido mais de 114 milhões de títulos trocados, o que não acontecia há uma semana.

A beneficiar a negociação dos títulos terá estado também a nota de análise emitida esta quarta-feira, 23 de Julho, pelo Citi, onde a casa de investimento reviu em baixa as estimativas de perdas que o BES deverá assumir com as empresas do GES e com a unidade de Angola. Ontem o Citi tinha reiterado a recomendação de compra para as acções do BES.

Os resultados do banco serão conhecidos no próximo dia 30 de Julho, quando inicialmente estava agendado para o dia 25 de Julho. O Negócios revela esta quarta-feira que as perdas do BES no primeiro semestre poderão ascender a várias centenas de milhões de euros, em vez dos 200 milhões que alguns analistas antecipavam antes de os problemas financeiros da Espírito Santo International, da Rioforte e suas subsidiárias ficarem à vista. 

E isto numa altura em que se sabe que a Rioforte também já pediu gestão controlada no Luxemburgo. Depois da Espírito Santo International (ESI), esta terça-feira foi a vez de a Rioforte anunciar que pediu acesso ao regime de protecção de credores. A decisão prende-se com "dificuldades substanciais" ocorridas na sociedade que detém 100% do seu capital - a ESI.

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