Banca & Finanças Líder dos quadros bancários diz que "Montepio não tem problema nenhum"

Líder dos quadros bancários diz que "Montepio não tem problema nenhum"

Paulo Marcos entende que "os ataques não são inocentes" num contexto em que os bancos têm perdido o capital ou o centro de decisão nacional. E sugere que a Caixa meta carrinhas a percorrer as terras que perdem agências.
Líder dos quadros bancários diz que "Montepio não tem problema nenhum"
António Larguesa 03 de abril de 2017 às 09:40

O presidente do Sindicato Nacional dos Quadros e Técnicos Bancários (SNQTB) considera que tanto a associação mutualista como o banco Montepio têm "papéis sociais e económicos importantíssimos, suficientemente importantes para que a sociedade civil não deixe que uma disputa de poder num destes órgãos possa contaminar o outro ou possa pôr em causa o papel que cada um deles desempenha".

 

Em entrevista ao jornal i, publicada esta segunda-feira, 3 de Abril, Paulo Gonçalves Marcos sustenta que "o banco Montepio não tem problema nenhum" e que "é provavelmente o banco com crédito mais disperso, tem as poupanças mais dispersas". E insinua ainda que "talvez alguém ganhe com esta confusão porque estamos num processo de reconfiguração do sector".

 

"Há quatro ou cinco anos, os grandes bancos tinham ou capital ou o centro de decisão em Portugal, mas depois desta alienação do Novo Banco ficamos apenas com dois grupos com capital ou com centro de decisão em Portugal. O que me parece é que estes ataques não são inocentes e é importante que a sociedade civil perceba que trazer para a praça pública questões de luta privada não tem interesse nenhum", resumiu.

 

Quanto à Caixa Geral de Depósitos, o dirigente eleito em Dezembro de 2015 gostaria que o Governo e a administração do banco tivessem "uma sensibilidade especial" em torno do processo de encerramento de balcões. Embora achasse "razoável" que não fechasse onde é a única agência, caso isso aconteça deve adoptar "soluções itinerante que possam providenciar serviços", dando o exemplo do Bank of Scotland, que em algumas localidades tem um serviço itinerante com carrinhas.

 

No entanto, recorda Paulo Marcos, os problemas da Caixa não advêm de ter 150 balcões a mais e dois mil trabalhadores em excesso. "Os problemas estão identificados e esses milhares de milhões que tiveram de ser injectados são resultado das gestões sem controlo. Devíamos ter tido um processo de selecção da equipa de gestão mais competitivo e mais transparente, com uma análise rigorosa de currículos e eventuais entrevistas no Parlamento", acrescenta.

 

Novo Banco dará "retorno fabuloso"

 

Sobre a operação de alienação do Novo Banco, concluída na passada sexta-feira, o líder do SNQTB, com mandato até 2019, considera na mesma entrevista que "a venda, ainda que em situação menos favorável, é melhor do que nada fazer". Olhando para o médio prazo e também para o histórico da Lone Star, antecipa que o fundo norte-americano "virá a ter um retorno fabuloso" com o antigo BES.

 

Paulo Marcos contesta, porém, a "cultura de opacidade" em torno deste processo e adiantou que "gostaria que, depois de este processo estar todo concluído, o Banco de Portugal deixasse em consulta as diversas fases do processo, os candidatos, as propostas e a troca de correspondência". "Acho que isso era um escrutínio democrático que todos gostaríamos de fazer de forma independente", conclui.




pub

Marketing Automation certified by E-GOI