Novo Banco diz adeus ao Estado com lucro recorde de 828 milhões em 2025
Instituição apresenta o maior lucro de sempre a poucas semanas de ver fechada a venda ao BPCE. Foram os últimos resultados anuais ainda com o Estado como acionista. Dividendos de quase 500 milhões não serão distribuídos, pelo menos para já. Se e quando forem pagos, será 100% para o BPCE.
- 1
- ...
O Novo Banco alcançou um lucro recorde de 828,1 milhões de euros em 2025. O resultado - o mais elevado da história da instituição financeira - representa uma subida de 11,2% face a 2024.
Foi o primeiro resultado anual desde que foi anunciado o acordo para a venda ao BPCE por 6,4 mil milhões de euros, e o último com o Estado enquanto acionista. A venda ao grupo francês será fechada no final de abril ou início de maio e é descrita pelo CEO na mensagem que acompanha o documento enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) como “um passo estruturante para o nosso futuro, que permitirá potenciar escala, acelerar a inovação e reforçar o apoio ao tecido económico nacional. Com estes resultados e com a integração, a curto prazo, num dos maiores grupos financeiros europeus, o Novo Banco reforçará o seu compromisso de criar valor sustentável para clientes, colaboradores, investidores e para a economia portuguesa.”
A margem financeira caiu 7%, fixando-se em quase 1,1 mil milhões de euros. A queda reflete a normalização dos juros do Banco Central Europeu (BCE) mas foi, ainda assim, atenuada pelo aumento do valor médio dos empréstimos a clientes.
As comissões e outros serviços a clientes também contribuíram para estancar a queda da margem: renderam mais 30 milhões de euros do que em 2024, atingindo 353 milhões.
A carteira de crédito bruto aumentou 6,5% para mais de 30 mil milhões de euros. Os empréstimos a empresas cresceram 5,1% para 14,6 mil milhões de euros e os particulares representaram 13,3 mil milhões (mais 9,9% do que no final de 2024). O crédito à habitação aumentou 7,9% para quase 11 mil milhões.
As imparidades de crédito, por outro lado, caíram a pique: fixaram-se em 809 milhões de euros, menos 24,9% do que um ano antes.
O malparado ("Non-Performing Loans" ou NPL) está nos 2,9%, abaixo dos 3,3% reportados em dezembro de 2024.
O volume de depósitos alcançou 32 mil milhões de euros, numa subida de 7,6% face ao ano anterior.
O Novo Banco chegou ao final do ano passado com 4.081 trabalhadores (eram 4.195 um ano antes) e 289 balcões (menos um do que em 2024).
Dividendos congelados
No relatório de apresentação de resultados o Novo Banco faz referência a um "payout" de 60%, o que significaria uma remuneração acionista de quase 500 milhões de euros, mas ela não acontecerá dado que o fecho da operação está em curso. E a acontecer, será entregue aos novos donos da instituição financeira.
O acordo entre a Lone Star e o BPCE, tornado público em junho do ano passado, estabelecia que a operação se realizaria por "um montante equivalente a uma valorização de aproximadamente 6,4 mil milhões, no final de 2025, para 100% do capital social".
Assim, quando a operação for concluída, o novo acionista decidirá o que fazer relativamente aos dividendos. O valor foi incorporado nos termos do negócio entre o BPCE, o Lone Star, o Estado e o Fundo de Resolução. O negócio foi feito segundo as contas de 2025 e pela totalidade do capital da instituição, o que significa que os dividendos, a serem distribuídos, serão pagos já ao novo acionista.
A rentabilidade do banco voltou a aumentar: o indicador "Return on Tangible Equity" (RotE) cresceu de 17,4% para 21,4%, e esta evolução já contabiliza o "payout" de 60% do lucro. Também nessa lógica, o rácio CET1 totalizou 17,4% e o rácio de Capital Total atingiu 20,2%.
Mais lidas