Sonae admite baixar margens para travar subida dos preços. Guerra é "maior incógnita"
A presidente executiva (CEO) da Sonae destacou esta quinta-feira a evolução geopolítica como atual "maior incógnita" para o negócio do grupo, que admite vir a reduzir margens para minimizar eventuais impactos da escalada do petróleo nos preços do retalho alimentar.
"A geopolítica é, de longe, a maior incógnita que temos", afirmou Cláudia Azevedo, salientando que "os principais cenários [em cima da mesa] são à volta do preço do petróleo e de como é que a cadeia [de abastecimento] afeta os vários negócios" do grupo, na sequência da guerra no Irão.
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A CEO destacou que toda a cadeia de valor do negócio de distribuição alimentar "é muito afetada pelo preço do petróleo", como foi já visível com a guerra na Ucrânia, mas considerou que tudo irá depender do tempo que durar o conflito no Médio Oriente.
"É muito diferente se a guerra durar mais uma semana ou durar mais um mês, dois meses ou dois anos. Portanto, são cenários à volta disso [que estão em estudo] e como é que nos podemos adaptar para tentar que a proposta de valor ao nosso cliente seja a mais apetecível possível nas circunstâncias destas subidas de preços", sustentou.
Por sua vez, o administrador financeiro (CFO) da Sonae, João Dolores, notou que a inflação que se tem vindo a registar recentemente no retalho alimentar "é uma inflação controlada, relativamente baixa", em torno dos 3% no início do ano, "até algo inferior" à verificada durante o ano de 2025 (cerca de 4%).
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"Os clientes ainda não estão a sentir, na globalidade dos produtos, uma aceleração da inflação", afirmou, embora considerando "natural que se esta situação persistir no tempo essa pressão inflacionista comece a surgir também na cadeia de abastecimento e nos fornecedores do grupo", havendo já "alguns ecos de que isso esteja a acontecer".
"Já foi assim no passado, quando tivemos a última crise inflacionista, e nós fizemos o nosso papel, baixámos as nossas margens, acomodámos e amortecemos o impacto nos consumidores nessa altura, e é isso que podemos garantir também agora", enfatizou João Dolores.
Relativamente a medidas de apoio a tomar pelo Governo para apoiar as empresas e os consumidores, a CEO da Sonae considerou que poderiam vir a ser replicadas as tomadas na última crise inflacionista, que "demoraram algum tempo a chegar à cadeia de valor, mas no fim foram equilibradas".
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"Todos os 'players' da cadeia de valor têm de ter o seu papel e o Estado, obviamente, é um deles. Acho que da outra vez o fez de uma forma responsável e acho que desta vez também vamos encontrar uma solução todos em conjunto que beneficie o cliente final e tente atenuar o choque", defendeu Cláudia Azevedo.
Questionada sobre se defende um eventual regresso do cabaz de produtos com IVA zero, a líder da Sonae gracejou, dizendo: "Obviamente [é uma medida da qual] gostamos muito".
A empresa teve um resultado líquido de 247 milhões de euros em 2025, uma subida de 11% face ao ano anterior, enquanto o volume de negócios atingiu o valor recorde de aproximadamente 11,4 mil milhões de euros. A Sonae, liderada por Cláudia Azevedo, vai propor o pagamento de um dividendo de 0,06217 euros por ação.
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A Sonae investiu mais de 6.000 milhões de euros nos últimos cinco anos, dos quais 1.100 milhões em 2025. No ano passado, as compras a fornecedores nacionais cresceram 21% para 7.549 milhões, anunciou esta quinta-feira a presidente executiva (CEO).
Falando durante a apresentação das contas de 2025 do grupo, Cláudia Azevedo destacou ainda os 1.169 milhões de euros pagos no exercício passado em salários e prémios aos trabalhadores, um aumento de 12% face ao ano anterior, os 115 milhões de euros pagos aos acionistas (mais 5%) e os 334 milhões de euros liquidados em impostos (mais 23% em termos homólogos).
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Num contexto internacional que começou por descrever como "particularmente desafiante", para logo acrescentar que foi "muito mais do que isso", a CEO destacou o "ritmo acelerado" de crescimento consolidado no ano passado, em que o volume de negócios aumentou 14% para o máximo histórico de 11.400 milhões de euros e o resultado líquido atribuível aos acionistas subiu 11% para 247 milhões.
Já o administrador financeiro (CFO) da Sonae, João Dolores, salientou ter sido um "ano marcante do ponto de vista de valorização do portefólio" do grupo, que cresceu 15% e atingiu "o marco histórico" de 5.100 milhões de euros.
O CFO apontou ainda o máximo histórico da cotação das ações do grupo, considerando, contudo, que "existe ainda muito potencial de valorização", estando o título da Sonae "ainda a uma distância significativa do valor intrínseco do portefólio".
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