Jerónimo Martins fecha as 18 lojas de chocolates Hussel até 30 de abril
Após "dificuldades que se revelaram insanáveis", o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos encerra a cadeia de retalho especializado em chocolates e confeitaria, mas assegura que os cerca de 60 empregos estão garantidos.
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A Jerónimo Martins anunciou ter tomado a "decisão difícil" de descontinuar a operação da Hussel, "após profunda análise e aturados esforços para viabilizar a empresa, que acabaram por não ser bem-sucedidos".
Em comunicado, enviado esta terça-feira às redações, o grupo liderado por Pedro Soares dos Santos indica que "a decisão de encerramento da operação da Hussel decorre de um conjunto de fatores, cujo impacto duradouro levou ao entendimento de estar-se perante uma situação de insustentabilidade da empresa sem que existam fundadas perspetivas de reversibilidade".
A Jerónimo Martins explica que depois de, em 2024, a Hussel GmbH, parceiro alemão de Jerónimo Martins na Hussel, ter declarado insolvência no culminar de uma trajetória de graves dificuldades financeiras amplificadas pela pandemia, tal acabou por "pôr fim à parceria em que assentava a operação em Portugal, o que gerou problemas de abastecimento e de perda de escala".
"Num contexto de forte subida dos custos – sobretudo os relacionados com rendas –, estas dificuldades acabaram por revelar- se insanáveis", realça.
Por outro lado, acrescenta, "pesou muito a forte e continuada pressão sobre o preço do cacau induzida por uma combinação de fatores, com destaque para a queda da produção nos grandes países produtores (quando a procura global continua a aumentar), o impacto das condições climatéricas adversas nas colheitas e a tendência regulatória crescente (trazida designadamente pela anunciada aplicação do Regulamento Europeu Contra a Desflorestação).
A Jerónimo Martins prevê que o encerramento das 18 lojas da Hussel seja feito de forma progressiva até 30 de abril e assegura que os trabalhadores terão emprego garantido numa das restantes companhias do grupo.
Em causa estão cerca de 60 trabalhadores, a maioria efetivos.
Em novembro de 2024, por deliberação unânime dos acionistas da Hussel Ibéria - Chocolates e Confeitaria, S.A. (Hussel) foi decidido a amortização das ações detidas por Hussel GmbH, acionista minoritário que detinha ações representativas de 49% do capital social da Hussel e que entrou então em processo de falência. Com a correspondente redução do capital social, o Grupo Jerónimo Martins passou a deter 100% do capital social da Hussel.
Em 2024, as vendas da Hussel caíram 1,4%, depois de terem crescido 4,1% no ano anterior.
A história da Hussel em Portugal remonta a 1990, ano em que foi aberta a primeira loja no Centro Comercial das Amoreiras, resultante de uma "joint-venture" entre o grupo português Jerónimo Martins e o grupo alemão de retalho especializado Douglas AG.
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