Setor da construção prevê crescer 4,4% em 2026

AICCOPN diz que o setor vai crescer no mínimo 3,3% e no máximo 5,6% este ano, com a engenharia civil a manter-se como o principal motor do setor num contexto de aceleração da execução dos projetos do PRR.
João Cortesão
Maria João Babo 11:07

O setor da construção estima ter registado um crescimento global de 4,1% do Valor Bruto da Produção (VBP) em 2025 e projeta para este ano um acréscimo, médio, de 4,4%, com o setor da engenharia civil a manter-se como o motor desse desempenho.

De acordo com a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas Nacional (AICCOPN), no ano passado “o setor da construção teve um papel central na dinâmica económica, assegurando a execução dos fundos europeus, com destaque para os investimentos do plano de Recuperação e Resiliência (PRR)". Desta forma, o segmento da engenharia civil registou um acréscimo estimado de 5,5% no VBP, “sustentado por um volume historicamente elevado de contratos celebrados, que totalizaram 7.186 milhões de euros até novembro”, explica. Em paralelo, a atividade no segmento dos edifícios habitacionais terá encerrado o ano com um crescimento de cerca de 4% do VBP, “refletindo o reforço da procura e a retoma gradual da produção”. Já no que respeita aos edifícios não residenciais, “os indicadores disponíveis apontam para uma evolução mais moderada, com o VBP a crescer cerca de 1% face a 2024, num contexto de menor dinamismo do investimento privado”.

PUB

Para 2026, a AICCOPN antevê a manutenção da mesma tendência, estimando um crescimento mínimo de 3,3% e um máximo de 5,6%, o que resulta num ponto médio de 4,4%, novamente sustentado pelo segmento da engenharia civil.

“Para 2026, antecipa-se um enquadramento macroeconómico mais favorável, com o PIB a acelerar para 2,2% e o investimento público a atingir 3,8% do PIB”, diz a associação, salientando que, “neste contexto, 2026 configura-se como um ano determinante para a atividade das empresas do setor da construção e do imobiliário, num quadro de forte intensidade de execução dos projetos previstos no PRR e de reforço do investimento em habitação”.

Assim, acredita que no segmento dos edifícios de habitação o VBP possa registar uma variação homóloga entre 3,2% e 5,6%, sendo 4,4% o ponto médio. “Esta evolução resulta do dinamismo observado no licenciamento ao longo de 2025, traduzido num aumento de 6,3% no número de licenças emitidas e de 22,2% no número de fogos licenciados em construções novas até outubro”, diz, acrescentando que também “a estabilização das taxas diretoras do Banco Central Europeu deverá continuar a assegurar condições de financiamento favoráveis, compatíveis com a manutenção dos níveis de procura neste segmento”.

PUB

Por seu lado, o segmento de edifícios não residenciais deverá apresentar uma progressão mais contida, situada entre 1% e 3% - numa média de 2% -, “refletindo a estagnação do investimento privado num contexto económico ainda marcado por incerteza, parcialmente compensada pelo reforço do investimento público”, aponta.

Já a engenharia civil deverá manter-se como o principal motor de crescimento setorial em 2026, projetando-se um aumento do VBP entre 4,3% e 6,7%, com o ponto médio a situar-se nos 5,5%. “Esta evolução assenta na carteira de obras acumulada em 2025, resultante do elevado volume de concursos de empreitada de obras públicas lançados no âmbito do PRR, em fase final de execução, e do Portugal 2030”, diz a AICCOPN, avançando que até novembro os concursos promovidos totalizaram 9.668 milhões de euros, correspondendo a um crescimento homólogo de 28%, "o que sustenta a dinâmica de atividade projetada para 2026".

“Em termos globais, estima-se que o Valor Bruto da Produção da construção registe um crescimento médio de 4,4% em 2026, superando o ritmo de expansão do PIB e elevando o valor da produção setorial para cerca de 25.500 milhões de euros, refletindo o contributo determinante do investimento público e a consolidação da carteira de obras em execução”, conclui.

PUB
Pub
Pub
Pub