Proença quer resolver "mal-entendido" com Ronaldo e regresso em novembro
O presidente da Federação desvalorizou a atitude do avançado, que abandonou o estágio de Portugal em Copenhaga 24 horas antes do duelo com a Dinamarca, e preferiu apontar o "amor" que Ronaldo tem pela equipa das “quinas”, que ganhou esta noite à Noruega com dois golos artísticos.
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O presidente da Federação Portuguesa Futebol (FPF), Pedro Proença, afirmou hoje que o caso Cristiano Ronaldo é apenas um "mal-entendido" que será resolvido com "tranquilidade nos próximos dias", esperando que capitão regresse à seleção nacional já em novembro.
Em declarações à RTP Notícias, Proença desvalorizou a atitude do avançado de 41 anos, que abandonou o estágio de Portugal em Copenhaga 24 horas antes do duelo com a Dinamarca, para a Liga das Nações, e preferiu apontar o "amor" que Ronaldo tem pela equipa das 'quinas'.
"É um jogador extraordinário que podia ter terminado a sua carreira na seleção nacional após o Mundial, mas não quis pelo amor que tem pela sua seleção. Vamos ter tempo e tranquilidade para nos próximos dias nos sentarmos todos e resolver este mal-entendido. E, para em novembro, estarmos todos novamente juntos", afirmou o dirigente.
Proença referia-se aos próximos dois jogos de Portugal, que serão em 14 e 17 de novembro, em Braga com a Dinamarca e em Cardiff com o País de Gales, respetivamente, no fecho de fase de qualificação da Liga das Nações.
"Estamos a falar do melhor jogador de todos os tempos. Deu mais de duas décadas ao futebol português. O Cristiano é o nosso símbolo maior e está na seleção por mérito desportivo próprio. Fará sempre parte deste grupo de trabalho sempre que estiver capaz. Ele sabe disso. Faz parte da seleção e é a nossa bandeira", reforçou.
Quando se esperava mais explicações do líder máximo da FPF, sobretudo sobre o que realmente se tinha passado em Copenhaga, Proença acabou por abandonar de forma súbita a zona para declarações no Estádio do Dragão, no Porto.
Na quarta-feira, o capitão Cristiano Ronaldo abandonou, por decisão própria, o estágio de Portugal em Copenhaga, pouco depois de ter voltado a ser tema dominante na conferência de imprensa do selecionador Jorge Jesus.
Em Oslo, no último domingo, Ronaldo não saiu do banco frente à Noruega, apesar de ter estado a aquecer grande parte da segunda parte, e abandonou o relvado insatisfeito logo após o apito final, tendo falhado todos os treinos que se seguiram.
Nas suas redes sociais, Ronaldo confirmou ter falado com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, antes de abandonar o estágio, deixando a garantia de que "a seu tempo" dirá "a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram" a decisão de abandonar a comitiva.
A FPF confirmou, sem adiantar qualquer explicação, a saída do jogador que tem um recorde mundial de 234 internacionalizações, além de 146 golos pela seleção principal de Portugal, com a qual conquistou o Euro2016 e as Ligas das Nações de 2019 e 2025.
Golos artísticos conduzem Portugal aos quartos de final da Liga das Nações
Dois golos com nota artística conduziram hoje Portugal aos quartos de final da Liga das Nações de futebol, ao garantirem uma vitória caseira com reviravolta sobre a Noruega (2-1), na quarta e antepenúltima jornada do Grupo A4.
No Estádio do Dragão, no Porto, João Cancelo (38 minutos), num pontapé de longe, e Gonçalo Ramos (79), a finalizar uma jogada coletiva, inverteram o tento inicial de Kristoffer Ajer (36), também de fora da área.
Os lusos terminaram em inferioridade numérica por expulsão de Francisco Conceição (86 minutos), regressado de lesão e punido com dois amarelos em poucos segundos, numa altura em que estava prestes a ser substituído.
Portugal reeditou o triunfo alcançado há uma semana em Oslo, na segunda ronda, e dilatou o pleno vitorioso com Jorge Jesus, o primeiro selecionador luso a entrar com quatro êxitos seguidos numa edição da Liga das Nações.
O técnico foi alvo de um misto de assobios e aplausos antes da partida, quando o seu nome foi anunciado na instalação sonora do recinto durante a apresentação das equipas, quatro dias depois de o capitão Cristiano Ronaldo ter deixado, por decisão própria, o estágio da equipa das 'quinas'.
Portugal, detentor do troféu e recordista de conquistas (2019 e 2025), está pela segunda vez nos 'quartos' da mais recente competição europeia de seleções, ao assegurar uma das duas vagas, sendo que ainda faltará confirmar o primeiro lugar da 'poule' na janela internacional de novembro.
Os lusos têm 12 pontos, contra seis da Dinamarca, segunda classificada, que ganhou no País de Gales (1-0) e vai visitar Braga na próxima jornada, enquanto os britânicos, terceiros, e a Noruega, última, somam três cada.
Em relação ao triunfo na Dinamarca (4-2), na quinta-feira, para a terceira ronda, Jorge Jesus devolveu João Palhinha, Francisco Conceição e João Félix à titularidade, por troca com Rúben Neves, Pedro Neto e Rafael Leão.
Stale Solbakken manteve de início Fredrik Aursnes e Andreas Schjelderup, tendo a dupla do Benfica formado a ala direita da Noruega, que, tal como Portugal, competiu pela quarta vez em 10 dias nesta pausa internacional.
Num início de parada e resposta, os lusos procuraram assentar com bola em zonas ofensivas, embora sem desequilibrar os nórdicos, que reagiam em saídas rápidas e através da superior envergadura nas bolas paradas.
Vitinha (21 minutos) e Cancelo (22) visaram à distância a baliza de Egil Selvik, tendo o substituto do habitual titular Orjan Nyland negado a tentativa do lateral direito com uma palmada, tal como logrou Diogo Costa a seguir, ao afastar por cima da barra um remate em arco de Antonio Nusa (26).
Bruno Fernandes (31 minutos), em mais uma finalização frontal de fora da área, e Gonçalo Ramos (32), descaído a partir da esquerda, causaram maiores problemas a Selvik, que viu o capitão português falhar o alvo (34).
Esse desacerto de Portugal seria penalizado pelo defesa central Ajer, que subiu à área contrária e, depois de um livre do capitão Martin Odegaard na esquerda e na sobra de um duelo entre Bruno Fernandes e Leo Ostigard, recebeu a bola na meia-direita, deixou-a bater uma vez no chão e atirou cruzado na direção do ângulo oposto para adiantar a Noruega (minuto 36).
Apesar de repetirem o quarteto defensivo utilizado desde a estreia na Liga das Nações, os lusos sofreram golos pelo terceiro embate seguido, mas não demoraram a anular a primeira desvantagem sob comando de Jesus.
Um lançamento de linha lateral intenso de Nuno Mendes percorreu as imediações da área a partir da esquerda e encontrou o pé direito de João Cancelo, que, de longe, marcou pelo segundo jogo consecutivo e reforçou o estatuto de defesa com mais tentos da história da seleção nacional (14).
Cancelo ameaçou a reviravolta no reatamento (55 minutos), valendo nova parada de Selvik à Noruega, cuja réplica surgiu por Erling Haaland, num lance desenquadrado, de ângulo apertado e diante de Diogo Costa (61).
O recordista de golos pelo seu país (65) e da história da Liga das Nações (22) só dispôs dessa ocasião e saiu na meia hora final, sob aplausos da plateia e quando já estava em campo Rúben Neves, ineficaz a finalizar ao segundo poste um livre lateral de Bruno Fernandes, fletido em Ajer (74 minutos).
Apesar da menor acutilância ofensiva, a segunda parte revestiu-se de uma jogada sublime de Portugal, iniciada num passe aéreo de Vitinha a isolar Félix e concluída na pequena área por Gonçalo Ramos, para uma série inédita do ponta de lança, a marcar pelo terceiro jogo seguido na seleção.
A Noruega nunca incomodou Diogo Costa até ao apito final, mas Portugal ainda viveu momentos tensos, pois Conceição viu dois cartões de forma sucessiva quando estava prestes a ser substituído e acabou expulso pelo árbitro italiano Maurizio Mariani (86 minutos), que, pouco depois, mostrou por lapso um vermelho a Bruno Fernandes, mas retificou-o para amarelo.
A seleção nacional não juntava quatro vitórias consecutivas desde 2023 e triunfou pela 10.ª vez sucessiva no Dragão, onde já tinha garantido o acesso aos 'quartos' da Liga das Nações precisamente na anterior edição.