pixel

Negócios: Cotações, Mercados, Economia, Empresas

Notícias em Destaque

Escolha o Jornal de Negócios como "Fonte Preferida"

Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.

Adicionar fonte

Crise na Europa pode trazer mais negócio para a Mundotêxtil

Queda de outros grandes "players" do sector deu a liderança da produção de felpos à empresa de Vizela, que agora quer diversificar mercados

02 de Novembro de 2011 às 10:19

José Pinheiro | O presidente da Mundotêxtil quer que o grupo esteja voltado para as grandes marcas mundiais.

"Temos alguns clientes que se estão a deslocar para a Mundotêxtil sem que os tenhamos procurado. Há clientes que, estando inseguros com certos fornecedores, procuram empresas que lhes dão maior segurança", enfatiza o administrador da empresa manufactureira de Vizela, Rogério de Matos, convicto de que vai capitalizar com a crise na Europa. A Mundotêxtil é já a maior produtora europeia de felpos (atoalhados), tendo chegado a essa posição pela falência de outras grandes unidades do continente.

"Em Inglaterra desapareceu uma empresa muito forte em têxteis-lar e felpos há pouco tempo, e há clientes que estão a mudar para aqui. Essa empresa há oito anos facturava 125 milhões de euros, e no ano passado facturou 42 milhões. A Mundotêxtil já é a maior produtora de felpos na Europa, não porque tivesse crescido muito nos últimos anos mas porque desapareceram duas ou três das maiores", reforça o administrador da empresa que este ano deverá facturar 40 milhões de euros - 98% dos quais resultantes das vendas em mercados externos. A Europa vale 90% das exportações, sendo que França e Inglaterra lideram o "raking", com um peso de 25% na facturação.

Mas mesmo estando presente em grandes superfícies, como o Carrefour ou o E-Leclerc, ou produzindo para marcas como a Gant, a Escada e a Esprit, a Mundotêxtil riscou do seu dicionário de negócios o verbo "acomodar". "Se nos mantivermos estáticos, é óbvio que vamos ter uma quebra nas vendas e perder facturação. Na Europa ainda há mercados para nos expandirmos. E há outros. A estratégia da empresa passa por apostar em novos mercados", aponta Matos. Aliás, a experiência nos Estados Unidos serve de alerta para evitar o excesso de dependência de um só destino. A desvalorização cambial do dólar face ao euro quase exterminou um mercado que valia 38% das vendas.

Têxtil já não é mundo único

Esta unidade têxtil está longe de ser unidireccionada. O presidente da Mundotêxtil, José Pinheiro, tece uma nova linha de desenvolvimento na estrutura da empresa. "Somos também uma empresa de serviços, que faz a gestão de 'stocks'. Na Europa, queremos associar-nos às grandes marcas que precisam de têxteis-lar, como a Kelvin Klein, a Ralph Lauren ou a Gant. Todas essas marcas não têm estrutura para as os têxteis-lar mas procuram parceiros", frisa.

Exemplo: "Somos nós que produzimos e distribuímos a Gant. Fazemos tudo aqui e é isso que queremos ser em Portugal, uma plataforma de distribuição das grandes marcas", remata o presidente da Mundotêxtil.

Perguntas a...

José Pinheiro

Presidente da MundoTêxtil

Nem "com seguro de crédito na mão" a banca está a dar liquidez às empresas

Mesmo sendo uma empresa com boa solvabilidade, sentem o problema da falta de crédito bancário?

Tenho agora um cliente em França de quem tenho uma nota de encomenda de três milhões de euros, valor que já não tenho em caixa porque o gastei a fazer a mercadoria. Digo ao banco que o cliente me vai pagar em 120 dias e apresento a factura com um seguro a 100%. Aí pergunto: 'Pode adiantar-me o dinheiro e daqui a 120 dias recebe?' Não querem, esse é o problema. Nem com seguros de créditos querem movimentos, e não me venham dizer que é por causa da solvabilidade das empresas.

É possível ainda assim crescer de forma significativa nos próximos tempos?

Para não perder volume, a Mundotêxtil tem de fazer coisas do "arco da velha" e gastar muito dinheiro em viagens, em aviões e em publicidade. Para crescer significativamente, só com outro tipo de produto. Temos os clientes, e se tivermos outro tipo de produto, mesmo que 10% mais caro do que os indianos, temos as portas abertas. Mas para isso há que produzir com outras condicionantes. Actualmente, para ter crescimentos superiores a 5% tem de se "trabalhar como um cão".

A pressão dos preços feita por países fora da Europa continua a ser um problema central?

O preço médio de Portugal na exportação foi de nove euros/quilo. A seguir a nós, vem a Turquia [sete euros/quilo]. Mas a lira turca nos últimos dez anos desvalorizou 300%. É impossível lutar contra eles, sendo que ainda exportam para a Europa sem pagar direitos nem taxas. Foi a Alemanha que assim quis. Temos de vender a este preço e acrescentar qualquer coisa. Ou vamos a sítios que mais ninguém vai, ou fazer coisas que mais ninguém quer.

Ideias-chave

Ideias-chave

Metade da produção tem destinatário certo: as grandes superfícies. A outra metade é a batalha diária desta têxtil

1. "Dar linha" à alemanha para chegar aos 10%

Há quatro anos a Alemanha não valia mais do que 1% da facturação da empresa. Até 2012, deve chegar aos 10%. Para tal, a têxtil criou uma estratégia de ataque àquele mercado. "Fomos através de vários canais e vários negócios mais pequenos, para chegarmos aos grandes 'department stores'", revela José Pinheiro.

2. Esquecer o Brasil e rever a áfrica do sul

O presidente da Mundotêxtil até gostaria de vender no Brasil, um mercado que diz ter potencial. Mas as taxas aduaneiras de 91% deixam as toalhas nacionais do lado de cá. Entretanto, a África do Sul voltou a ser um destino de eleição. O país africano começou a cobrar taxas de 30% aos produtos asiáticos e abriu um "gap" de oportunidade.

3. Grandes superfícies: o esteio do negócio

"No nosso plano de negócios, 40% a 50% da produção tem de estar garantidamente vendida", diz Pinheiro. Nesse sentido, as vendas da têxtil estão alavancadas pelos contratos com a grande distribuição.

4. Um grupo com dez empresas

A empresa de Vizela tem um mundo de empresas no seio da sua estrutura. São dez no total, desde uma tinturaria a uma gestora de participações financeiras, passando por unidades especializadas na comercialização no mercado externo.

Ver comentários
Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.

Publicidade

C-Studio é a marca que representa a área de Conteúdos Patrocinados do universo Medialivre.
Aqui as marcas podem contar as suas histórias e experiências.