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Empresas portuguesas faturam mais, mas rentabilidade encolhe

Tecido empresarial português contava, no final do ano passado, com mais de 550 mil empresas. Um quinto de toda a faturação foi obtida nos mercados externos, sendo que as exportações encolheram. E apesar do aumento das receitas, a rentabilidade caiu.

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comercio, exportações, contentores, barcos, embarcações Pedro Catarino
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Existiam 558.722 empresas em Portugal, no final de 2025, que geraram 577,3 mil milhões de euros em receitas ao longo do último exercício, um aumento de quase 4,5% face ao período homólogo. Houve um crescimento da faturação, mesmo com um menor peso das exportações nos negócios, mas o aumento dos custos levou a que a rentabilidade tenha encolhido.

“Após os máximos de 2022 e 2023, a rendibilidade das empresas diminuiu”, de acordo com os indicadores das empresas não financeiras para 2025 divulgado pelo Banco de Portugal. Não obstante esta quebra, o supervisor nota que a rendibilidade das 558 mil empresas “manteve-se em níveis historicamente elevados”.

“Em 2025, a rendibilidade do ativo — medida pelo rácio entre o EBITDA e o total do ativo — situou-se em 9,2%, prolongando a tendência de descida iniciada após o pico de 2023”, enquanto a “rendibilidade dos capitais próprios — medida pelo rácio entre o resultado líquido e o capital próprio — apresentou uma evolução semelhante: prosseguiu a tendência de descida iniciada após o pico de 2022 e situou-se em 9,1% em 2025”.

A evolução da rendibilidade não é, contudo, idêntica em todos os setores de atividade, com o Banco de Portugal a apontar as empresas dos setores da “eletricidade, gás e água e as outras atividades” como as que “apresentaram reduções em ambos os indicadores”, isto considerando um período de análise de 20 anos.

Segundo os dados agora apresentados, “em 2025, os setores com rendibilidades mais elevadas foram os transportes e armazenagem, o comércio e as outras atividades”. Nos transportes e armazenagem, a rendibilidade dos capitais próprios chegou aos 14%, superando os 11% do comércio, sendo estes dois os únicos setores acima da média global.

Fruto da maior faturação, pese embora a menor rendibilidade, há sinais positivos para-a saúde financeira das empresas portuguesas. “Em 2025, as empresas continuaram a reforçar os seus capitais próprios, o que se traduziu num aumento da autonomia financeira — medida pela relação entre o capital próprio e o total do ativo — para 45,3% (44,4% em 2024)”, diz o Banco de Portugal.

Exportações? Sim, mas estão a encolher

Entre as mais de 550 mil empresas identificadas, responsáveis por 3,78 milhões de postos de trabalho, muitas olham para mercados externos para venderem os seus produtos. São várias as que se focam na exportação, mas o peso destas transações transfronteiriças no total da faturação das empresas portuguesas travou no ano passado.

“Em 2025, o perfil exportador das empresas — medido pela relação entre as exportações e o volume de negócios — diminuiu 0,7 pontos percentuais em relação a 2024, para 21,3%, mantendo a ligeira tendência de redução observada desde 2023”, referem os dados do Banco de Portugal.

Ainda assim, “apesar da correção observada nos últimos anos, as empresas portuguesas apresentam atualmente um grau de orientação para os mercados externos significativamente superior ao registado no início do período analisado”, com referência a 2026.

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