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Executivo transforma fracasso da Sanofi em negócio multimilionário

Em Abril de 2016, John Hood contou à esposa que tinha usado 250.000 dólares da poupança do casal como entrada para tentar recomprar um medicamento que ele tinha ajudado a inventar, mas que fracassou nas mãos da farmacêutica francesa Sanofi.

13 de Janeiro de 2018 às 20:00

Havia um problema: Hood tinha 120 dias para conseguir mais 5 milhões de dólares para fechar o negócio. Se não conseguisse, perderia o pagamento inicial. "Estás furiosa comigo?", perguntou ele.

Hood conseguiu o dinheiro junto da empresa de capital de risco Medicxi Ventures, a sua esposa não ficou furiosa e, no passado dia 7 de Janeiro, quase dois anos depois, a Celgene anunciou a conclusão de um acordo de compra da empresa de Hood, a Impact Biomedicines, e do medicamento por 1,1 mil milhões de dólares em espécie. Futuros pagamentos de incentivo podem vir a avaliar o negócio em 7 mil milhões.

Apesar ter recuperado o investimento inicial quando a Medicxi entrou no negócio, Hood manteve uma "grande participação" na empresa, mas optou por não informar sobre os detalhes dizendo que o valor é "o suficiente para que eu prefira não responder à pergunta".

O acordo com a Celgene foi fechado depois de mais de 18 dias sem dormir, disse Hood, após um contacto inicial em Outubro. Uma das decisões mais difíceis foi definir se a Impact deveria guardar o medicamento, chamado fedratinib, e optar antes por comercializar o tratamento em si.

O medicamento está a ser desenvolvido para o tratamento da mielofibrose, um cancro na medula óssea.

Uma longa história

Era uma decisão pessoal para Hood, que ajudou a inventar o fedratinib quando trabalhava numa empresa chamada TargeGen. A TargeGen foi vendida à Sanofi por 75 milhões de dólares em 2010, mas o medicamento foi "metido na gaveta" porque, nos testes, os pacientes desenvolveram um problema neurológico conhecido como encefalopatia de Wernicke.

Segundo Hood, a Impact mostrou que os casos de encefalopatia de Wernicke não estavam associados ao medicmento e que o perfil do fedratinib deve torná-lo competitivo com o tratamento Jakafi, da Incyte, também voltado para a mielofibrose.

Os analistas têm várias perspectivas para o fedratinib: se puder competir com o Jakafi como primeira opção dos pacientes, pode ter sucesso. Se estiver limitado a ser uma terapia de segunda linha para os doentes nos quais o Jakafi não funciona, provavelmente não superará a marca dos mil milhões de dólares em vendas anuais.

Hood e a sua equipa estão convencidos de que o medicamento funcionará e que eles serão recompensados. A Celgene pagará 4,5 mil milhões de dólares se as vendas globais do fedratinib chegarem aos 5 mil milhões.

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