Líder da Nvidia diz que "não faz sentido" culpar IA de destruir empregos
As declarações do empresário surgem no meio de crescentes preocupações sobre o impacto da IA no mundo do trabalho, receios que procurou dissipar ao enfatizar que a tecnologia com impacto produtivo real "já está aqui".
O diretor executivo da gigante norte-americana de semicondutores Nvidia, Jensen Huang, afirmou hoje que "não faz sentido" dizer que a inteligência artificial (IA) está a destruir postos de trabalho. Durante o discurso de abertura da conferência de programadores GTC da Nvidia, em Taipé, Huang sublinhou que o setor está a contratar um número crescente de engenheiros de programação.
O executivo explicou que 30 milhões de programadores de software representam atualmente cerca de três biliões de dólares (2,48 biliões de euros) em salários, e que a sua produtividade é três vezes superior, atingindo nove biliões de dólares (7,73 biliões de euros).
"Este é o potencial, esta é a promessa da IA. O número de engenheiros está, na verdade, a aumentar. As pessoas falam que a IA reduz os empregos, e isso não faz sentido; está a levar à contratação de mais engenheiros de programação", declarou Huang.
"A razão para isto é muito simples: se pode contratar um engenheiro de programação, pode gerar nove biliões de dólares em trabalho produtivo, então por que não contrataria mais engenheiros?", acrescentou.
As declarações do empresário surgem no meio de crescentes preocupações sobre o impacto da IA no mundo do trabalho, receios que procurou dissipar ao enfatizar que a tecnologia com impacto produtivo real "já está aqui". "A IA gera agora lucros, a IA gera agora PIB [Produto Interno Bruto]", enfatizou Huang.
Também hoje, a Nvidia apresentou um novo processador para portáteis com Windows, concebido para quebrar o domínio da Intel nesta área e modernizar os dispositivos para a era da IA. "A Microsoft e a Nvidia vão reinventar o PC; este será o novo PC", disse o empresário, ao anunciar o lançamento do "RTX Spark" no Outono.
As duas gigantes norte-americanas da tecnologia "otimizaram meticulosamente tudo para que este computador possa executar literalmente qualquer coisa que o mundo já tenha criado e, além disso, agora executa agentes de IA", acrescentou Huang. "Se quiser fazer biologia digital, processamento sísmico ou astrofísica, não há problema", afirmou.
A Nvidia é conhecida principalmente pelas suas GPU, unidades de processamento gráfico dedicadas à renderização de imagens, especialmente para videojogos, e que mais recentemente se tornaram o motor para ferramentas de IA, desde chatbots e geradores de imagens a agentes capazes de realizar tarefas para os utilizadores.
Enquanto os governos e as empresas têm investido em infraestruturas de IA, a avaliação da empresa ultrapassou cinco biliões de dólares (4,29 biliões de euros), superando o PIB do Japão ou da Índia.