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Pescadores falam em "impacto recorde" do mau tempo. Barcos parados desde dezembro

A Apropesca conta com cerca de 120 associados ao longo de toda a costa, que, mensalmente, faturam mais de dois milhões de euros.

 Muitos pescadores não vão ao mar desde dezembro.
Muitos pescadores não vão ao mar desde dezembro. Rui Minderico
16 de Fevereiro de 2026 às 20:01

O presidente da Apropesca -- Organização de Produtores da Pesca Artesanal apontou um "impacto recorde" do mau tempo no setor da pesca, com os pequenos barcos parados desde dezembro, e pediu ajudas diretas ao Governo.

"Este ano, o impacto bateu recordes. Temos embarcações que, desde dezembro, não vão ao mar. As embarcações maiores foram ontem [domingo] e hoje já estão paradas", adiantou o presidente da Apropesca, Carlos Cruz, em declarações à Lusa.

De acordo com a organização, muitas famílias "já estão a passar mal", uma vez que os armadores têm de pagar aos seus trabalhadores, independentemente, de pescarem ou não.

"Têm de pagar o salário, a alimentação e a estadia. Depois têm as despesas nos estaleiros, com seguros e com a manutenção. Um barco parado fica sempre com alguma coisa estragada", disse.

A Apropesca conta com cerca de 120 associados ao longo de toda a costa, que, mensalmente, faturam mais de dois milhões de euros.

Cerca de 1% deste valor corresponde às quotas que são pagas à Apropesca, que garantiu estar, atualmente, a trabalhar "sem receber um cêntimo".

Carlos Cruz avisou também que as melhores épocas de pesca estão a passar, sem que os pescadores possam capturar, como a do robalo, que termina em 15 de março.

Em consequência, o comércio das regiões mais afetadas "está todo parado" e falta "o chamado peixe selvagem" no mercado, sobretudo, para a restauração.

Havendo menos peixe, o preço tem "carregado" nos leilões, adiantou o presidente da Apropesca.

Carlos Cruz referiu ainda que, até ao momento, só a Câmara de Vila do Conde avançou com uma ajuda de 250 euros a todos os trabalhadores residentes.

Já sobre o fundo de compensação salarial, medida que o Governo tem apontado como disponível para este setor, o presidente da Apropesca disse que só vai chegar em dezembro e que os pescadores precisam de uma ajuda direta.

Além dos prejuízos materiais e económicos causados pelo mau tempo, Carlos Cruz sublinhou que as praias estão "inundadas por pinheiros, paus e ramos", que desaguaram no mar e acabaram arrastados, adiantando que há muito trabalho a fazer.

"Nunca vi um ano como este", lamentou.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.

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