AIE deixa alerta para níveis elevados de metano e diz que há desperdício energético

Entre as medidas mais eficazes de eficiência está a redução das emissões durante as fases de exploração e produção de petróleo e gás, responsáveis por quase 80% das emissões.
Redução nas emissões de metano poderiam aumentar produção de matérias-primas
Julio Cortez / Associated Press
Lusa 09:35

As emissões de metano provenientes de combustíveis fósseis continuam "muito elevadas" e poderiam disponibilizar até 200 mil milhões de metros cúbicos de gás natural nos mercados anualmente, afirmou esta segunda-feira a Agência Internacional de Energia (AIE).

Num relatório, a organização sublinhou que medidas de mitigação comprovadas poderiam representar o dobro do volume de gás natural que transita a cada ano pelo estreito de Ormuz, bloqueado parcialmente pelo Irão.

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O estreito, importante rota do petróleo e gás mundiais, está parcialmente bloqueado pelo Irão desde 28 de fevereiro, após os Estados Unidos e Israel terem atacado Teerão.

A produção recorde de petróleo, carvão e gás em 2025 foi responsável por 35% das emissões de metano causadas pela atividade humana, com um total estimado de 124 milhões de toneladas, disse a AIE.

No contexto da atual crise energética, agravada pelas tensões no Médio Oriente e pelo impacto no fornecimento de gás natural liquefeito, a AIE sublinha que a redução das emissões de metano poderá reforçar a segurança energética.

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O relatório refere que a adoção de medidas relativamente simples permitiria a libertação rápida de aproximadamente 15 mil milhões de metros cúbicos de gás.

A longo prazo, os esforços globais para reduzir as emissões provenientes das operações de petróleo e gás poderão contribuir com cerca de 100 mil milhões de metros cúbicos anuais, para além de mais 100 mil milhões de metros cúbicos resultantes da eliminação da queima de gás não essencial.

Juntos, estes volumes duplicariam o fornecimento afetado por interrupções no estreito de Ormuz.

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"Esta não é apenas uma questão climática: combater o metano e a queima de gás também traz benefícios significativos para a segurança energética, especialmente numa altura em que o mundo procura urgentemente um fornecimento adicional face à crise atual", salientou o economista-chefe da AIE, Tim Gould.

O relatório destaca ainda que muitas soluções para reduzir as emissões de metano são conhecidas e economicamente viáveis.

A AIE observa que aproximadamente 70% das emissões do setor dos combustíveis fósseis (cerca de 85 milhões de toneladas) poderiam ser evitadas com as tecnologias existentes. Destas, mais de 35 milhões de toneladas poderiam ser eliminadas sem custos, graças ao valor comercial do gás recuperado.

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Entre as medidas mais eficazes está a redução das emissões durante as fases de exploração e produção de petróleo e gás, responsáveis por quase 80% das emissões.

Nesta área, tanto o Canadá como a União Europeia adotaram recentemente regulamentos mais rigorosos, enquanto outros países, como o Brasil, o Gana e o Cazaquistão, estão a caminhar nesse sentido, observa a AIE.

O estudo destaca ainda o papel crescente dos satélites, que permitem detetar grandes fugas de metano e melhorar a resposta dos governos e operadores.

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Apesar dos compromissos internacionais assumidos nos últimos anos, a AIE alerta para um fosso significativo entre as metas anunciadas e a implementação efetiva.

As políticas atuais apenas permitiriam uma redução de 20% das emissões do setor do petróleo e gás até 2030, abaixo da meta global de 30%.

O relatório indica ainda que quase 70% das emissões de metano ligadas aos combustíveis fósseis estão concentradas em dez países, com a China, os Estados Unidos e a Rússia na liderança.

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A AIE indica que a intensidade das emissões (a quantidade de metano libertada por unidade de energia produzida) diminuiu cerca de 10% a nível global desde 2019, embora o progresso tenha sido compensado pelo aumento da produção.

Países como a Noruega têm os níveis mais baixos, enquanto outros, como o Turquemenistão e a Venezuela, têm-nos mais elevados.

O metano é um gás incolor, inodoro e invisível, e o principal componente do gás natural.

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Globalmente, são emitidas aproximadamente 580 milhões de toneladas de metano a cada ano, das quais cerca de 60% são atribuíveis à atividade humana, sendo a pecuária a principal fonte, seguida pelo setor energético.

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