"Gás é única alternativa que tenho". Ministra da Economia alemã insta país a reavaliar nuclear
A ministra da Economia alemã, Katherina Reiche, alertou que a dependência do gás natural torna a Alemanha vulnerável a choques energéticos, instando o país a rever a sua posição sobre a energia nuclear, num contexto de escalada dos preços da energia, desencadeada pela guerra no Médio Oriente.
Num discurso durante o lançamento de uma nova conferência de investidores para atrair capital estrangeiro para a maior economia da Europa, Katherina Reiche afirmou que a decisão dos governos anteriores de encerrar as centrais nucleares alemãs significa que agora "não há alternativa" ao gás natural.
PUB
"Precisamos de gás natural para garantir o nosso abastecimento - esta é a única fonte de energia de base que me resta", afirmou, em declarações ao Financial Times (FT). "Politicamente falando, não tenho alternativa", vincou.
O comentário de Katherina Reiche reflete um debate crescente na Alemanha sobre o legado do abandono da energia nuclear, decidida no consulado da ex-chanceler Angela Merkel em 2011 e concluída sob o de Olaf Scholz. Embora essa política tenha sido acompanhada por uma expansão das energias renováveis aumentou a dependência do gás para a geração de eletricidade.
Os preços do gás na Europa subiram mais de 60% desde o início da guerra com o Irão, mergulhando o velho continente no segundo choque energético em menos de cinco anos, após o anterior, provocado pela guerra na Ucrânia, em 2022.
PUB
Os preços da eletricidade na Alemanha para maio, com base em contratos de futuros, são quatro vezes superiores aos da França, o maior produtor de energia nuclear da Europa, de acordo com a plataforma de negociação de energia EEX, refere o FT.
Como aponta o jornal financeiro, além de França, países como a Suécia e a Polónia estão a investir em novas centrais nucleares ou a prolongar a vida útil dos reatores, dado que a eletricidade é de baixo carbono e fiável.
E Reiche, membro do partido União Democrata Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, instou a Alemanha a participar, de alguma forma, na revitalização da energia nuclear na Europa.
PUB
"Podemos decidir que não estamos interessados. Nesse caso, continuamos a apostar no gás e tornamo-nos mais dependentes de uma única fonte de energia. Ou podemos dizer que estamos novamente interessados na tecnologia", realçou Reiche.
A Alemanha, "com toda a sua experiência em engenharia, deve estar representada nos comités internacionais e, se necessário, também estar preparada para investir na Europa, sem de forma alguma nos opormos a outros países que queiram seguir este caminho".
Quem fica à margem, limitando-se a comentar, perde influência. Para jogar é preciso estar em campo", vincou.
PUB
A dependência da Alemanha do gás tornou-se um problema depois de a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, ter forçado Berlim a abandonar as importações por gasoduto provenientes de Moscovo e a recorrer ao gás natural liquefeito, principalmente proveniente dos EUA, que agora representa cerca de 10% do seu abastecimento de gás, explica o FT.
Os custos energéticos persistentemente elevados têm, desde então, pesado fortemente sobre a indústria e as famílias. Segundo o jornal, que cita dados do instituto de estatística alemão, no segundo semestre de 2025, os preços do gás para uso doméstico eram 79% mais elevados do que no mesmo período de 202, enquanto os da eletricidade estavam 23% acima.
E esses custos foram agora agravados pela guerra no Médio Oriente. Os elevados preços do petróleo e do gás representam "um fardo adicional severo para as indústrias com utilização intensiva de energia, que já estavam sob uma enorme pressão", reconheceu Reiche.
PUB
Merz já tinha classificado a saída do programa nuclear como um "grande erro" e embora tenha descartado o retomar das operações nas centrais nucleares convencionais, o seu Governo apoia novas tecnologias, incluindo pequenos reatores modulares e fusão nuclear. E após a vitória nas eleições, em fevereiro do ano passado, Merz prometeu deixar de se opor à energia nuclear a nível da UE.
Saber mais sobre...
Saber mais preços Bom preço Indústria do petróleo e do gás Energia nuclear Katherina Reiche Alemanha Europa Friedrich Merz Médio Oriente França Faculdade Táhirih União EuropeiaMais lidas
O Negócios recomenda