Reclamações dos consumidores de energia sobem 47% num ano. Faturas lideram queixas
As reclamações dos consumidores de energia aumentaram 47% no terceiro trimestre deste ano, face ao mesmo período de 2025, atingindo 6.442 queixas apresentadas através dos livros de reclamações físico e eletrónico. Apesar da subida homóloga, os números representam uma redução de cerca de 12% em relação ao trimestre anterior, prolongando a descida iniciada depois do pico registado nos primeiros três meses de 2026.
Os dados constam do Boletim de Apoio ao Consumidor de Energia, divulgado pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), que acompanha as reclamações apresentadas pelos clientes das empresas de eletricidade, gás natural, mobilidade elétrica e GPL canalizado.
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Entre julho e setembro, a faturação foi o principal motivo de reclamação, com 1.933 queixas, seguindo-se os contratos de fornecimento (608), as práticas comerciais desleais (466) e as interrupções de fornecimento (419). Em conjunto, estas quatro categorias representaram 53,2% das reclamações registadas no trimestre.
O setor elétrico continua a concentrar a maior parte das queixas. Nos últimos quatro trimestres, representou 68,9% das reclamações, seguido do fornecimento conjunto de eletricidade e gás natural, com 15,8%. A apresentação de reclamações por via eletrónica também continua a ganhar expressão, correspondendo a 84% do total no mesmo período.
Embora os números estejam a recuar, mantêm-se acima dos níveis registados no ano passado. Depois de 4.358 reclamações no terceiro trimestre de 2025, o número subiu para 5.300 nos últimos três meses desse ano e atingiu 9.584 no primeiro trimestre de 2026. Seguiram-se 7.293 reclamações entre abril e junho e 6.442 entre julho e setembro. A ERSE identifica uma tendência de normalização, embora mais tardia nas reclamações do que nos pedidos de informação. O boletim não identifica, contudo, os fatores concretos que explicam o aumento de 47% face ao período homólogo.
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Também os pedidos de intervenção do regulador na resolução de litígios aumentaram em termos homólogos. No terceiro trimestre, a ERSE recebeu 1.679 pedidos, mais 58% do que no mesmo período de 2025, mas menos 11% face aos três meses anteriores. A faturação continua a ser a principal fonte de conflitualidade, representando 32,2% destes processos.
Nos dados acumulados dos últimos quatro trimestres, 39% dos casos em que a ERSE foi chamada a intervir tiveram uma resolução total ou parcial do conflito, enquanto outros 39% resultaram na prestação de informação ao consumidor. No terceiro trimestre, 98% dos processos tratados tiveram resposta em menos de 90 dias.
Em sentido contrário, os pedidos escritos de informação diminuíram 16% face ao trimestre anterior, para 806, enquanto o atendimento telefónico registou 2.114 chamadas, uma redução de 18%. A eletricidade manteve-se como o setor com maior peso nos pedidos de informação, representando 61,9% do total acumulado dos últimos quatro trimestres.
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