Repsol retira investimentos de Espanha e aposta 15 milhões no hidrogénio verde em Sines
A petrolífera espanhola Repsol decidiu transferir parte dos seus investimentos para Portugal, em protesto contra as medidas fiscais do Governo de Madrid para taxar as energéticas no país, e vai apostar 15 milhões de euros num eletrolisador de 4 megawatts (MW) em Sines, noticiam esta segunda-feira os jornais El Mundo e El Economista. O projeto deverá produzir 600 toneladas de hidrogénio verde por ano.
Para Espanha, a empresa tem previstos 350 megawatts (MW) de eletrólise, sendo que o maior dos seus projetos será na refinaria da Repsol em Cartagena, com uma capacida de eletrólise de 100 MW e um investimento de 200 milhões de euros. Somam-se ainda os projetos de Tarragona (150 MW) e Bilbau (100 MW).No entanto, todos eles estão ainda em stand-by, à espera de uma decisão final de investimento, desde que o Executivo espanhol implementou o imposto de 1,2% sobre o rendimento das empresas energéticas.
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Segundo o El Mundo, o plano da Repsol para o novo electrolisador de Sines junta-se aos 650 milhões de euros de investimento já programados no complexo português da marca na região.
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Já no passado a empresa tinha ameaçado deixar de investir em Espanha e levar os seus milhares de milhões (entre 3.000 e 4.000 milhões até 2027) para desenvolver projetos noutros países, devido ao imposto extraordinário sobre as empresas bancárias e energéticas decidido pelo Governo de Pedro Sanchéz.
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Na visão do CEO da Repsol, Josu Jon Imaz, este importo "pune" as empresas que investem em ativos industriais, geram empregos de "qualidade" e garantem a independência energética do país.
Para já, a multienergética decidiu finalmente dar este primeiro passo e irá transferir para Sines o investimento naquele que será o primeiro de vários projetos que ambiciona ter no setor do hidrogénio verde. A Repsol andava à procura de uma localização ideal para este primeiro projeto e acabou por eleger o sul do Portugal para o mesmo.
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Esta alteração deve-se ao anúncio, feito na semana passada pelo ministro da Economia, Carlos Corpo, de que o Governo irá tornar estas taxas sobre as empresas energéticas permanentes, escreve o Cinco Días.
No início do ano, a Repsol decidiu provisionou o valor relativo às suas expectativas de pagamento do imposto extraordinário, e fixou o pagamento deste imposto em 335 milhões para este ano, contra 444 milhões no ano passado. Assim, a empresa já efetuou um desembolso de 779 milhões de euros em impostos extraordinários.
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No passado mês de julho o Governo espanhol aprovou um pacote de quase 800 milhões de euros para financiar eletrolisadores de hidrogénio verde, dos quais a Repsol recebeu 355 milhões para os seus projetos em Escombreras (Cartagena) e na refinaria de Muskiz (Vizcaya).
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Em Portugal, a Repsol tem planos para investir 657 milhões de euros na ampliação do Complexo Industrial de Sines, para construir duas novas fábricas de produção de polímeros 100% recicláveis para as indústrias automóvel, farmacêutica, agroalimentar e outras. A empresa prevê a finalização dos projetos para o final de 2025, com as duas fábricas a produzir polietileno linear e polipropileno.
Para Josu Jon Imaz, CEO da Repsol, "este investimento demonstra o empenho da Repsol no seu complexo industrial em Portugal. A companhia está empenhada no desenvolvimento industrial, que permite a transição energética, ao mesmo tempo que cria riqueza e emprego de qualidade".
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Em março deste ano, a Comissão Europeia aprovou uma ajuda estatal de 63 milhões de euros, sob a forma de crédito de imposto sobre o rendimento com o objetivo de permitir a diversificação e aumento da produção química no complexo da Repsol Polímeros.
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