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Galp fecha 2025 com lucro recorde de 1.154 milhões

No quarto trimestre de 2025, a petrolífera conseguiu um resultado líquido de 182 milhões de euros, face a 71 milhões de euros no período homólogo.

Lucros da Galp voltam a superar os 1.000 milhões de euros
Lucros da Galp voltam a superar os 1.000 milhões de euros João Cortesão / Medialivre
07:06

A Galp Energia encerrou o ano de 2025 com um resultado líquido ajustado recorde de 1.154 milhões de euros, o maior de sempre, com o aumento da produção de petróleo e gás no Brasil e o aprovisionamento & trading de gás natural a mitigarem o efeito combinado das desvalorizações do crude e do dólar, bem como o impacto de uma paragem programada da Refinaria de Sines. É uma subida de 20%, face aos lucros do ano anterior, que tinham sido de 961 milhões de euros. Os resultados da empresa foram esta manhã comunicados à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Já no quarto trimestre, o lucro ajustado da empresa foi de 182 milhões de euros, mais do dobro face aos 71 milhões de euros reportados no período homólogo. 

"Num contexto internacional adverso e volátil, assegurámos uma performance operacional forte e transversal a todas as áreas de negócio, o que reflete bem a qualidade e resiliência dos nossos ativos,” afirma Maria João Carioca, co-CEO e CFO da Galp. “Ao mesmo tempo, prosseguimos a execução disciplinada dos nossos projetos estruturantes e a nossa estratégia de crescimento assente em parcerias, que posicionam a Galp para um futuro de criação de valor sustentável.”

O resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA), numa base ajustada, teve uma queda homóloga de 8% para 3.039 milhões de euros no conjunto do ano de 2025, refletindo o impacto do contexto de mercado, com a descida das cotações médias do Brent, de 80,8 dólares por barril em 2024 para 69,1 dólares em 2025, e a desvalorização de 4% do dólar face ao euro ao longo de 2025. Realça ainda que mais de 80% do EBITDA de 2025 teve origem nas atividades internacionais – e mais de metade foi proveniente da produção de petróleo e gás natural no Brasil. 

 No quarto trimestre recuou 10% para 619 milhões de euros, refletindo sobretudo o impacto da paragem programada para manutenção da Refinaria de Sines.

A média do consenso dos analistas avançado pela empresa para o quarto trimestre apontava para um lucro ajustado de 141 milhões de euros e para um EBITDA de 604 milhões de euros. Relativamente a 2025, o consenso apontava para lucros ajustados de 1.016 milhões de euros e um EBITDA de 2.961 milhões de euros.

"Para estes resultados foi fundamental a melhoria do desempenho das operações de Upstream no Brasil, e a entrada em produção de um novo campo no quarto trimestre, que permitiram que a produção média de petróleo e gás natural – que em 2024 se cifrara em 109 mil barris diários – tenha aumentado para 113 mil barris no quarto trimestre de 2025.

No Industrial & Midstream, o acesso a cargas de GNL dos Estados Unidos ao abrigo de contratos de longo prazo com a Venture Global permitiu aumentar 48% os volumes de gás natural comercializados em termos trimestrais homólogos, e 43% em evolução anual, limitando o efeito da paragem para manutenção da refinaria de Sines.

A Comercial obteve um resultado recorde em função da melhoria das condições no mercado espanhol e do reforço da contribuição dos produtos e serviços de conveniência e soluções de energia e as Renováveis operaram mais uma vez num cenário de preços da energia solar pressionados, prosseguindo a sua estratégia de otimização das atividades de geração, através da limitação voluntária da produção, e de fontes de receitas adicionais provenientes da prestação de serviços de sistema de rede.

Dividendo e programa de recompra de ações

O Conselho de Administração irá propor à Assembleia Geral um aumento de 4% do dividendo por ação para 0,64 euros, relativo ao exercício de 2025, tendo já sido antecipado um dividendo intercalar de 0,31 euros por ação em agosto de 2025. O dividendo será complementado por um programa de recompra de ações de 250 milhões de euros, destinado a cancelamento, com início previsto para março de 2026.

O investimento económico total no ano foi de 1,1 mil milhões de euros, uma redução face aos 1,3 mil milhões de euros registados em 2024, explicada pela diminuição das necessidades de capital dos projetos de Upstream, após a entrega do projeto Bacalhau no Brasil. "A aceleração do investimento nos projetos industriais – pioneiros a nível europeu – de produção de combustíveis de baixo carbono (SAF e HVO) e de hidrogénio verde em Sines impulsionou o Capex do Industrial & Midstream em mais de 50%", frisou a empresa no comunicado.

Em Portugal, o investimento efetuado em 2025 totalizou 420 milhões de euros, depois de 372 milhões aplicados no país no ano anterior. A petrolífera sublinha que o investimento na construção de novos parques solares e baterias traduziu-se num investimento de 173 milhões na área das Renováveis. A Comercial prosseguiu os investimentos na modernização das lojas e na expansão da rede de carregamento elétrico. O encaixe com a venda de ativos em Moçambique e Angola traduziu-se num investimento líquido total de 95 milhões de euros.

O endividamento líquido aumentou em relação ao final do ano passado, para €1,3 mil milhões, após o pagamento de dividendos a minoritários em empresas do grupo e a conclusão de um programa de recompra de ações de 78 milhões de euros. O rácio da dívida líquida sobre o Ebitda é de 0,5x, uma posição financeira sólida face à média da indústria.

Perspetivas para 2026

Para 2026, a Galp antecipa a manutenção de um desempenho financeiro sólido, projetando um EBITDA ajustado superior a 2,6 mil milhões de euros, sustentado sobretudo pelo contributo do Upstream, que deverá gerar mais de 1,5 mil milhões de euros.

As áreas de Industrial & Midstream deverão ultrapassar os 700 milhões de euros, enquanto o segmento Comercial deverá contribuir com mais de 350 milhões e o negócio de Renováveis superar os 30 milhões de euros. A empresa prevê ainda um fluxo de caixa operacional acima de 2,0 mil milhões de euros, acompanhado por um capex orgânico em torno de 1.000 milhões de euros, mantendo o net capex médio anual entre 2025 e 2026 abaixo de 0,8 mil milhões, refletindo uma estratégia de investimento disciplinada e foco na geração de caixa.  

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