Porto copia projeto de antigo autarca para enterrar Avenida AEP e criar 35 mil empregos
Há décadas que a ideia de enterrar ou desnivelar a Avenida AEP é discutida no Porto como uma solução para mitigar o impacto da “muralha rodoviária” que separa as zonas residenciais e industriais de Ramalde, mas sempre foi dado como inviável devido a entraves técnicos e financeiros.
Até que, a 12 de setembro do ano passado, Nuno Cardoso, antigo presidente da Câmara do Porto e candidato às autárquicas realizadas em outubro, apresentou o projeto de criação daquilo a que chamou “Zona Económica Especial do Parque Ramalde (ZEEP)”.
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Uma operação urbanística ao longo de uma área de 100 hectares que previa, entre outras iniciativas, o enterramento da Avenida AEP, a construção de seis mil habitações a custos controlados, espaços dedicados a startups e inovação tecnológica, parque urbano de 600 mil metros quadrados e a criação de até 35 mil postos de trabalho, posicionando o Porto “como referência nacional e europeia na captação de investimento estrangeiro, com impacto direto na competitividade do país”.
“Este é um projeto mobilizador, que combina regeneração urbana, atração de empresas globais e habitação acessível para os portuenses. Queremos criar uma utopia no Porto, mas desta vez muito mais próxima e realista”, afirmou, na altura, Nuno Cardoso, que obteve apenas 1,9% dos votos nas últimas autárquicas.
Oito meses depois da apresentação do seu projeto ZEEP, o primeiro-ministro anunciou, esta terça-feira, 12 de maio, que o Porto vai enterrar a Avenida AEP para ligar as duas margens que esta artéria separa em Ramalde e criar o “Distrito Económico e Empresarial do Porto”.
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Luís Montenegro explicou que a Zona Industrial de Ramalde vai passar por uma “reorganização urbana de todo aquele espaço” para o direcionar “para um potencial que junte aquilo que já existe do ponto de vista industrial, do ponto de vista dos serviços, a novas utilizações, novos enquadramentos, nomeadamente no que diz respeito a empresas tecnológicas”, comparando estes planos ao projeto lisboeta "Parque Cidades do Tejo".
As especificidades do futuro "Distrito Económico e Empresarial do Porto" foram reveladas pelo presidente da autarquia portuense, Pedro Duarte, que informou que o projeto vai alavancar a criação de “até 35 mil novos postos de trabalho”, mas também a criação de “até seis mil novas habitações para a classe média”.
Todo o projeto e números coincidem com os que constavam da ZEEP de Nuno Cardoso, mas o seu nome nunca foi mencionado por Montenegro nem por Duarte.
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"A nossa intenção é enterrarmos a atual avenida AEP para podermos ligar as duas margens daquela zona industrial e podemos criar um grande parque de habitação, de espaços empresariais, de serviços, espaço público para usufruto das comunidades, com espaços verdes, para a prática desportiva", acrescentou Pedro Duarte, que sublinhou também a preferência pela utilização da mobilidade suave.
De resto, sem adiantar valores de investimento nem datas para o avanço do projeto, Duarte afirmou acreditar que o Porto “tem condições para ser um 'hub', um centro do ponto de vista de empresas tecnológicas” e que este novo espaço vai ser “dinamizador” no contexto da área metropolitana.
Já o projeto ZEEP, da autoria do arquiteto Martim Neiva, de José António Lameiras (número dois da candidatura de Cardoso) e do próprio Nuno Cardoso, tinha como investimento indicativo 70 milhões de euros e que demoraria “entre 10 a 15 anos” a desenvolver.
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Inaugurada em 1965 originalmente como Via do Marechal Carmona, passou a Via Rápida após o 25 de Abril de 1974, tendo depois adotado o nome de Avenida AIP (Associação Industrial Portuense) e, a partir dos finais dos anos 90, Avenida AEP (Associação Empresarial de Portugal).
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