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RTP recusa mexer nos conteúdos por pressão do público e concorrentes

Gonçalo Reis ambiciona "internalizar as competências" na área da analítica, mas só admite usar esses dados sobre os hábitos e as preferências dos consumidores para ser "mais eficaz a distribuir os conteúdos".

Miguel Baltazar
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 23 de Março de 2017 às 21:09
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O presidente da RTP defendeu esta quinta-feira, 23 de Março, que o maior conhecimento dos consumidores, através da recolha e análise de dados, é apenas uma ferramenta, mas "não deve influenciar a política de conteúdos". O canal público deve ter essa informação sobre os hábitos e as preferências apenas para ser "mais eficaz a distribuir os conteúdos".

 

Admitindo que as empresas de Comunicação Social "ainda estão atrás" de outras indústrias no campo da analítica, Gonçalo Reis frisou que esta informação será "cada vez mais relevante" e que o objectivo é "internalizar estas competências" na RTP. "Mas ficaria desiludido se as equipas usassem esse conhecimento para influenciar a política de conteúdos", insistiu.

 

Durante um debate na QSP Summit que confrontou produtores e distribuidores de conteúdos, o gestor rejeitou a pressão para seguir "o que o público mais pede" ou para "fazer igual ao que os concorrentes" privados oferecem. "A pressão que [temos] não é exterior, impomo-la a nós próprios", sustentou. É que, caso o fizesse na RTP, "no curto prazo até podia ganhar alguns pontos, mas a prazo estaria a perder identidade".

 

Miguel Almeida, presidente executivo da NOS, concordou que "não se deve conhecer os consumidores para lhes dar as notícias como eles querem" ler, ver ou ouvir, justificando que "estar a fazer informação para segmentos específicos cria uma sociedade que dificilmente é democrática e sustentável a prazo".

 

Contrapondo que "a curadoria é fundamental", Miguel Almeida chamou a atenção para as "consequências desastrosas" que advêm da facilidade de criar notícias falsas na Internet e aproveitou para deixar um recado ao responsável pelo Google em Portugal, por "devolver" nas suas buscas os conteúdos que "têm mais leitores, não os que têm mais qualidade".

 

Na resposta, Bernardo Correia argumentou que as visualizações de uma página "não são o mais importante", mas apenas um dos sinais valorizados. Exemplificou que um dos factores que o algoritmo tem em conta são os "links" que remetem para determinada página e que "ajudam a medir a credibilidade". E pediu até a "ajuda" dos produtores de conteúdos, uma vez que disse ser "raro" que os órgãos de informação façam essa ligação directa à origem de uma determinada notícia.

 

Google defende "personalização dos conteúdos"

 

O "country manager" da Google Portugal referiu que a empresa faz "algoritmos para dar a melhor resposta possível à busca do consumidor" e que os media "só tinham a ganhar em fazer uma personalização dos conteúdos" e adaptar-se ao consumidor. Inclusive através de uma "aproximação do que é o texto, vídeo e fotografia", já que "essa fronteira está a desaparecer e o consumidor não quer saber qual o formato, mas o [produtor] que lhe dá o quer". "Compete aos ‘publishers’ fazerem a melhor curadoria dos conteúdos para chegar ao consumidor", acrescentou.

 

Reconhecendo que actualmente é possível um maior diálogo entre os produtores e quem consome os conteúdos, indo "de encontro às suas necessidades", o CEO do grupo Impresa recordou que isso tem impacto a nível editorial e na área comercial. Porém, "há que completar isto com criatividade, não pode ser só números", completou Francisco Pedro Balsemão, concluindo que "sem a magia do entretenimento e a qualidade da informação não vamos a lado nenhum".

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