China quer impor barreiras à entrada de capital dos EUA no setor tecnológico
A China quer restringir a entrada de capital norte-americano no setor tecnológico do país, depois de a compra da startup Manus pela Meta (dona do WhatsApp e do Instagram) ter feito "soar os alarmes" dentro do executivo chinês no ano passado. De acordo com a Bloomberg, as empresas vão passar a necessitar de uma aprovação governamental para poder receber fundos dos EUA, de forma a prevenir que Washington tenha uma participação num setor considerado "chave" para a economia e segurança nacional.
A Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma - uma poderosa agência estatal com amplos poderes de definição de políticas - terá entrado em contacto com uma série de empresas chinesas nas últimas semanas, alertando-as que não devem aceitar capital norte-americano em rondas de investimento, caso não tenham obtido aprovação expressa do Governo. Entre as empresas contactadas, a Bloomberg aponta o dedo à Moonshot AI, que está a considerar uma oferta pública inicial (IPO, na sigla inglesa), e à startup StepFun, de acordo com fontes que preferiram ficar anónimas.
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Também a ByteDance - dona do TikTok e cujas operações nos EUA foram vendidas a um consórcio formado pela Oracle, MGX, Silver Lake e investidores individuais - terá recebido alertas desta agência estatal. A startup mais valiosa da China, que opera um dos "chatbots" mais utilizados no país oriental, terá de pedir aprovação ao Governo para avançar com a venda de ações secundárias a investidores norte-americanos.
A ideia de restringir a entrada de capital no país surgiu após a compra da startup de inteligência artificial (IA) Manus pela Meta por dois mil milhões de dólares em dezembro - a empresa está agora sediada em Singapura, mas foi fundada em território chinês. A aquisição desencadeou uma investigação por parte de Pequim sobre investimento estrangeiro e exportações tecnológicas, numa altura em que a corrida à IA e à supremacia tecnológica entre os EUA e China se intensifica.
Washington tem em vigor uma série de restrições à venda de semicondutores ao rival geopolítico, que incluem os "chips" de nova geração Blackwell. Os H200, menos potentes, já podem ser exportados, mas as empresas chinesas têm de ter autorização do Governo para poderem avançar com compras. Na quarta-feira, o secretário do Comércio norte-americano, Howard Lutnick, revelou que ainda nenhum destes semicondutores tinha sido vendido à China, com as tecnológicas a serem obrigadas a privilegiarem soluções domésticas.
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