China quer impor barreiras à entrada de capital dos EUA no setor tecnológico

Depois de uma das startups mais promissoras da China ter sido vendida à Meta, o Governo quer impedir que mais tecnologia chinesa caia nas mãos norte-americanas. A entrada de capital dos EUA vai ficar dependente de aprovação.
China quer impedir que tecnologia chinesa passe para as mãos dos EUA.
Mark R. Cristino/EPA
Ricardo Jesus Silva 24 de Abril de 2026 às 13:00

A China quer restringir a entrada de capital norte-americano no setor tecnológico do país, depois de a compra da startup Manus pela Meta (dona do WhatsApp e do Instagram) ter feito "soar os alarmes" dentro do executivo chinês no ano passado. De acordo com a Bloomberg, as empresas vão passar a necessitar de uma aprovação governamental para poder receber fundos dos EUA, de forma a prevenir que Washington tenha uma participação num setor considerado "chave" para a economia e segurança nacional.

A Comissão Nacional para o Desenvolvimento e Reforma - uma poderosa agência estatal com amplos poderes de definição de políticas - terá entrado em contacto com uma série de empresas chinesas nas últimas semanas, alertando-as que não devem aceitar capital norte-americano em rondas de investimento, caso não tenham obtido aprovação expressa do Governo. Entre as empresas contactadas, a Bloomberg aponta o dedo à Moonshot AI, que está a considerar uma oferta pública inicial (IPO, na sigla inglesa), e à startup StepFun, de acordo com fontes que preferiram ficar anónimas.

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Também a ByteDance - dona do TikTok e cujas operações nos EUA foram vendidas a um consórcio formado pela Oracle, MGX, Silver Lake e investidores individuais - terá recebido alertas desta agência estatal. A startup mais valiosa da China, que opera um dos "chatbots" mais utilizados no país oriental, terá de pedir aprovação ao Governo para avançar com a venda de ações secundárias a investidores norte-americanos.

A ideia de restringir a entrada de capital no país surgiu após a compra da startup de inteligência artificial (IA) Manus pela Meta por dois mil milhões de dólares em dezembro - a empresa está agora sediada em Singapura, mas foi fundada em território chinês. A aquisição desencadeou uma investigação por parte de Pequim sobre investimento estrangeiro e exportações tecnológicas, numa altura em que a corrida à IA e à supremacia tecnológica entre os EUA e China se intensifica.

Washington tem em vigor uma série de restrições à venda de semicondutores ao rival geopolítico, que incluem os "chips" de nova geração Blackwell. Os , mas as empresas chinesas têm de ter autorização do Governo para poderem avançar com compras. Na quarta-feira, o secretário do Comércio norte-americano, Howard Lutnick, revelou que ainda nenhum destes semicondutores tinha sido vendido à China, com as tecnológicas a serem obrigadas a privilegiarem soluções domésticas.

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