Moscovo questiona legitimidade do novo Executivo ucraniano
O Governo russo mostra reticências quanto ao novo Governo de Kiev e à forma como este tomou o poder. A “Reuters” refere que o primeiro-ministro Dmitry Medvedev coloca em causa a legitimidade do Governo provisório ucraniano. “Existe um conjunto de dúvidas em relação à legitimidade de uma série de órgãos do poder”, defende o anterior Presidente da Rússia.
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Aquele que era um problema interno, toma repercussões de carácter regional e internacional. A queda, na sexta-feira, do Presidente pró-russo Viktor Ianukovich e a nomeação do até esse dia líder do Parlamento, Olexandre Turchinov, como Presidente interino até às eleições antecipadas do próximo mês de Maio, é encarada por Moscovo com grande desconfiança.
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Medvedev em declarações às agências noticiosas russas, citado pela “Reuters”, interroga-se sobre a legitimidade de um Governo que assumiu o poder na decorrência de uma “rebelião armada”.
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O primeiro-ministro russo lembra que o status-quo na Ucrânia é “uma real ameaça para os interesses [russos] e para a vida dos nossos cidadãos", naquilo que é uma das justificações para a retirada do embaixador russo em Kiev, que entretanto foi chamado para se apresentar em Moscovo. Medvedev garantiu não existirem as condições necessárias para o estabelecimento de relações normais com o poder designado pelo Parlamento ucraniano. “Será muito difícil para nós trabalhar com um Governo deste tipo”, atirou Medevdev, concluindo parecer “uma aberração classificar como legítimo aquilo que é, essencialmente, o resultado de uma rebelião armada”.
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O passado domingo, além da retirada do embaixador russo de Kiev, também ficou marcado por um protesto, contra o novo Governo, de cerca de 10 mil pessoas na região da Crimeia. Esta região, com uma maioria de descendentes russos e falantes de russo, discorda da queda do ex-Presidente Ianukovich e da reorientação do Executivo no sentido do processo de integração à União Europeia.
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Os dados estão lançados e a resposta de Moscovo não deverá quedar-se apenas por manobras diplomáticas e declarações de descontentamento. Além da dependência energética de Kiev face a Moscovo, o apoio financeiro que a Rússia tem prestado à Ucrânia reveste-se de carácter essencial. Na última sexta-feira foi cancelada uma emissão de dívida pública ucraniana a cinco anos no valor de 2 mil milhões de dólares cuja compra estava prevista ser efectuada por Moscovo.
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Já depois das declarações de Medvedev, o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, William Hague, citado pelo “The Guardian”, lembrava que a Ucrânia enfrentará graves dificuldades financeiras a menos que surja uma intervenção externa.
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