Air France entrega proposta inicial pela TAP com foco no hub e rotas

O grupo Air France-KLM foi o primeiro a revelar a entrega da proposta não vinculativa pela TAP. Candidato admite valorizar marca e “hub” em Lisboa, bem como a infraestrutura no Porto.
A Air France-KLM já levantou voo para a próxima etapa do processo de privatização.
Miguel Baltazar
Inês Pinto Miguel 07:59

O grupo Air France-KLM esperou pelas primeiras horas desta quinta-feira para entregar a sua proposta não vinculativa pela companhia aérea portuguesa TAP. Foi, até agora, o único candidato na corrida a posicionar-se publicamente sobre esta etapa.

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Em comunicado, o CEO do grupo franco-neerlandês, Benjamin Smith, admitiu valorizar “tudo o que a TAP construiu ao longo dos últimos 81 anos”, nomeadamente “um ‘hub’ forte em Lisboa, uma marca valiosa e uma proposta de valor única que proporciona conectividade e orgulho a milhões de portugueses”. 

“Acreditamos firmemente que o próximo capítulo da história desta companhia aérea deve ser escrito enquanto parte do grupo Air France-KLM, partindo deste legado e elevando a TAP a um novo patamar”, evidencia o CEO.

Para Benjamin Smith, que está à frente do grupo de aviação que tem os seus principais “hubs” em Paris e Amesterdão, a transportadora portuguesa “encaixa totalmente na estratégia multi-hub da Air France-KLM, e o nosso objetivo é reforçar as operações em Lisboa, ao mesmo tempo que desenvolvemos as conectividades noutras cidades do país, incluindo o Porto”. É desta forma que a Air France-KLM se mostra atenta ao último recado do primeiro-ministro Luís Montenegro, que alertou para a importância do reforço das operações da TAP nos aeroportos nacionais, que devem estar inscritas nas propostas não vinculativas, tendo admitido fazer cair a privatização caso estas condições não sejam cumpridas.

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Para a Air France-KLM, a posição geográfica de Lisboa permite que o grupo tenha um “hub único no Sul da Europa”, onde será possível ter uma ligação direta às Américas, no qual inclui o Brasil,  que considera um “mercado fundamental” para as duas partes, e a África. 

A Air France-KLM reconhece ainda “uma vasta experiência a trabalhar com acionistas estatais”, afastando preocupações em relação ao Estado português manter a maioria do seu lado, ainda que Benjamin Smith tenha vincado por diversas vezes que a gestão tem de ficar do seu lado. “Acreditamos que esta experiência de parceria é um testemunho da importância estratégica da aviação para uma Nação”, justifica.

O grupo de aviação sustenta que a TAP, ao integrar o universo Air France-KLM, irá beneficiar de uma estratégia que abrange companhias como a Air France, a KLM e a Transavia, existindo ainda uma rede transatlântica próxima com a Delta Air Lines e a Virgin Atlantic, o que “ajudaria a TAP a concretizar a sua visão de ‘abraçar o mundo’”. Reconhecendo que operam redes complementares, o que pode levar a remédios de Bruxelas, o grupo franco-neerlandes assegura que “Portugal, como um todo, beneficiaria de um aumento da conectividade aérea”.

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E o grupo pisca ainda o olho a algo inscrito no caderno de encargos, provando que está atento aos pedidos do Governo português. Inserida neste grupo, a TAP poderia “maximizar as sinergias económicas e operacionais”, uma vez que a integração num grupo de grande dimensão europeia iria reforçar a sua competitividade em “todas as áreas de negócio”, incluindo a descarbonização.

Ainda atento à importância da TAP para Portugal, e seguindo as indicações do caderno de encargos, a Air France-KLM recorda que tem um histórico de preservar e de fazer crescer as marcas que são integradas, tal como aconteceu com a KLM e, tem vindo a dizer, vai acontecer com a SAS. O grupo admite querer “permitir que a TAP se mantenha fiel à sua herança portuguesa, ao mesmo tempo que potencia a sua identidade distintiva no cenário global”, algo que só irá reforçar o crescimento sustentável da companhia portuguesa e o desenvolvimento regional do país, ao mesmo tempo que salvaguarda todas as conectividades essenciais.

Agora, e com uma proposta na vinculativa em cima da mesa, o CEO afirma que o grupo aguarda “com expectativa as próximas etapas deste processo de privatização”. A partir de sexta-feira, a Parpública tem 30 dias para analisar as propostas que lhe cheguem e reduzir o leque de concorrentes que avançam para as propostas vinculativas.

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Notícia atualizada às 8h30 

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