Governo impediu interessados na TAP de se reunirem com os sindicatos, denuncia SNPVAC
O Sindicato Nacional de Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) denunciou que o Governo impediu os grupos interessados na TAP de se reunirem com as estruturas sindicais dos trabalhadores. O sindicato liderado por Ricardo Penarroias revela, em comunicado a que o Negócios teve acesso, que a decisão imposta pelo Executivo impede o escrutínio aos interesses dos grupos de aviação que estão na corrida pela companhia aérea portuguesa.
"Lamentavelmente, continuamos a assistir à postura prepotente do atual Governo na condução deste processo, mantendo afastados os sindicatos e os trabalhadores do grupo [TAP]", lê-se na comunicação efetuada aos associados. "Acresce, de forma particularmente preocupante, a imposição aos potenciais interessados de uma proibição de contacto com as estruturas representativas dos trabalhadores", o que, na sua visão, "impede a apresentação das suas intenções e projetos para a empresa".
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O Negócios sabe que, para terem acesso aos dados da transportadora aérea portuguesa, de forma a elaborarem a proposta não vinculativa, os grupos tiveram de assinar um acordo de confidencialidade, uma vez que estavam a ter acesso a dados críticos da empresa. Terá sido na assinatura destes documentos que constava o afastamento entre os interessados e as estruturas sindicais. Contudo, os grupos tiveram oportunidade de se reunir com os tripulantes e pilotos na fase inicial, aquando da entrega da manifestação de interesse.
Para o SNPVAC, a falta de reuniões entre os trabalhadores e os interessados - que na última quinta-feira foram reduzidos a dois - "afasta do processo quem mais tem contribuído para a recuperação do grupo e impede um escrutínio essencial das intenções dos interessados". "Se estes grupos demonstram interesse, tal deve-se ao momento positivo que a empresa atravessa — resultado direto do processo de reestruturação, só possível com o esforço dos tripulantes de cabine", vinca.
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"Esperamos que o Governo reveja urgentemente a sua postura, promovendo um processo transparente, participado e aberto ao diálogo. A privatização da TAP deve ser tratada como uma questão de interesse público, e não como uma realidade conduzida de forma fechada e idealizada por um restrito núcleo político. O Governo português precisa [de] reconhecer que o verdadeiro valor estratégico da empresa reside nas suas pessoas — os trabalhadores — que, ao longo de décadas, garantiram a excelência operacional, a segurança, a confiança dos passageiros e a projeção internacional da companhia", sublinha o sindicato liderado por Ricardo Penarroias.
O SNPVAC considera que "qualquer solução para o futuro da empresa deve colocar os trabalhadores no centro da decisão. Não apenas como garantia de estabilidade durante a transição, mas como elemento decisivo para o crescimento sustentável e para a afirmação do grupo TAP como referência no futuro da aviação". Por tal, a direção do sindicato dos tripulantes defende que "não estão, neste momento, a ser devidamente salvaguardados os interesses da empresa nem do país".
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