Governo quer que ANA reveja projeções "conservadoras" de tráfego do novo aeroporto
O Governo, através do Ministério das Infraestruturas e Habitação, disponibilizou esta sexta-feira a carta de resposta à ANA na sequência da entrega, a 16 de janeiro, do Relatório do Local Selecionado e Estudo de Impacte Ambiental, referente ao novo aeroporto de Lisboa (NAL), que foi o segundo de quatro relatórios intercalares a integrar a candidatura completa que tem de ser feita até janeiro de 2028.
No documento, o Governo manifestou a sua concordância com a escolha da localização do NAL junto à extremidade nascente do campo de tiro de Alcochete, mas diz discordar das projeções de tráfego apresentadas pela concessionária por considerar que “não refletem a evolução do setor nem o potencial de procura associado ao novo aeroporto”. “Os pressupostos utilizados são demasiado conservadores, o que pode comprometer o correto dimensionamento do NAL, sendo por isso essencial que a concessionária proceda à revisão das projeções”, refere o gabinete de Miguel Pinto Luz numa nota divulgada esta sexta-feira.
PUB
Na carta, assinada pelo ministro das Infraestruturas e disponibilizada no site do IMT, Pinto Luz afirma desde logo que "o ponto de referência utilizado apresenta incorreções", já que "as projeções não foram ajustadas ao tráfego efetivo de 2024 e 2025", "Com apenas este ajuste, e mantendo as taxas de crescimento anuais adotadas, o tráfego projetado atinge 46,6 milhões de passageiros em 2045, valor que excede a capacidade prevista para o ano de abertura do NAL (45 milhões, segundo a concessionária), repercutindo-se esse desfasamento nas projeções para os seguintes 10 anos".
Ainda neste âmbito, o governante afirma que "não nos parece realista que o NAL apresente taxas de crescimento inferiores às dos restantes aeroportos da rede".É que, aponta, "os restantes aeroportos apresentam taxas entre os 1,5% e 1,7% ao ano durante o período da concessão, enquanto o NAL se situa nos 1,1% ao ano, 0,9% se o horizonte for 2100".
"Esta diferença indica uma restrição excessiva ao crescimento do NAL, nomeadamente uma penalização demasiado acentuada devido aos projetos de alta velocidade e às políticas ambientais europeias", afirma Pinto Luz, acrescentando que "também não são considerados fatores positivos de procura, como é o caso dos milhares de pedidos de slot no aeroporto Humberto Delgado que ficam, em cada temporada IATA, por acomodar".
PUB
Sobre a localização da infraestrutura, o Governo diz que a escolha da localização do NAL junto à extremidade nascente do Campo de Tiro de Alcochete “corresponde à solução preferencial estudada pela Comissão Técnica Independente (CTI) e coincide com a solução que, em 2010, obteve uma Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada”.
Em matéria ambiental, o Governo sublinha “a importância de o Estudo de Impacte Ambiental, a entregar em julho à Agência Portuguesa do Ambiente, integrar os antecedentes relevantes” e reforça “a necessidade de articulação com os municípios envolvidos”.
Relativamente ao Plano Diretor atualizado, o Ministério diz que “regista positivamente o trabalho desenvolvido pela concessionária, que já integra as alterações às especificações mínimas do NAL preliminarmente acordadas”, mas “identifica aspetos que devem ser revistos, nomeadamente a necessidade de reconfigurar o ‘pier swing’, de modo a assegurar maior flexibilidade operacional”.
PUB
Os próximos passos do processo são agora a entrega do relatório técnico até 16 de julho e a entrega do estudo de impacte ambiental à Agência Portuguesa do Ambiente em julho.
Saber mais sobre...
Saber mais nala Agência Portuguesa do Ambiente Miguel Pinto Luz Centro de Tecnologia da Informação Renato Archer Campo de Tiro de Alcochete Lisboa AlcocheteMais lidas
O Negócios recomenda