Mundial de 2026 pode gerar impacto económico de até 945 milhões em Portugal

Estudo do IPAM diz que o Campeonato do Mundo de futebol, que tem o pontapé de saída marcado para terça-feira, pode vir a representar o maior impacto económico de sempre em Portugal associado a uma competição que o país não organiza.
Roberto Martinez
Armando Franca/AP
Diana do Mar 09:20

Dependendo da "performance" da seleção nacional, o Campeonato do Mundo de futebol pode gerar um impacto económico entre 378 milhões e 945 milhões de euros em Portugal, revela um estudo do Instituto Português de Administração de Marketing (IPAM).

À luz da análise, desenvolvida pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM, "o Mundial de 2026 poderá mesmo representar o maior impacto económico de sempre em Portugal associado a uma competição que o país não organiza".

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Em comunicado, enviado esta terça-feira às redações, o IPAM indica que o valor mínimo estimado, correspondente à fase de grupos, é de 378 milhões de euros. Num cenário intermédio, com chegada aos oitavos de final, o impacto poderá atingir 561 milhões de euros. E, em caso de vitória, chegar aos 945 milhões de euros.

"Portugal não precisa de organizar o Mundial para gerar impacto económico relevante. O que este estudo demonstra é que o valor do futebol deixou de estar concentrado no estádio ou no país anfitrião. Hoje, o impacto é criado através do consumo, da atenção, da interação digital e da capacidade dos adeptos amplificarem o evento", diz o diretor executivo do IPAM, Daniel Sá, citado na mesma nota.

Para se ter uma ideia, , segundo dados do ISEG.

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Portugal não precisa de organizar o Mundial para gerar impacto económico relevante. O que este estudo demonstra é que o valor do futebol deixou de estar concentrado no estádio ou no país anfitrião. Hoje, o impacto é criado através do consumo, da atenção, da interação digital e da capacidade dos adeptos amplificarem o evento. Daniel Sá
Diretor executivo do IPAM

Segundo o IPAM, este crescimento resulta de quatro factores principais: aumento do poder de compra, organização da competição em mercados de elevada capacidade económica (Estados Unidos, Canadá e México), alargamento do Mundial para 48 seleções e 104 jogos, e consolidação da economia digital como nova fonte de valor.

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O potencial impacto na economia portuguesa do Mundial de 2026, que vai decorrer entre 11 de junho e 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México, traduz-se sobretudo no aumento do consumo - dentro e fora de casa -  que, como se diz na gíria, é mais do que meio-golo.

O consumo doméstico surge como a principal categoria de impacto, representando 26% do total, seguido da restauração, com 15%, e da publicidade e media, com 14%.

Já no bloco digital, as plataformas de streaming e OTT ("Over-The-Top") representam 10%, o "engagement" nas redes sociais 7% e a chamada "content economy" 6%.

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"O futebol continua a gerar consumo, mas o crescimento está cada vez mais na forma como esse consumo é partilhado, comentado, transformado em conteúdo e amplificado. Quase um em cada quatro euros gerados pelo Mundial já vem do digital", acrescenta o diretor executivo do IPAM que nota, nesse sentido, uma "transformação estrutural no modelo económico do futebol", embora o consumo tradicional continue a ter a fatia de leão em termos de impacto.

Cartas e cromos valem 5% e "merchandising" 4%, o que mostra que "o Mundial ativa economias emocionais e colecionáveis, com forte tração em segmentos específicos e em ciclos de compra por impulso".

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As apostas contribuem com 6%, surgindo como "componente relevante", mas "já integrada numa lógica de entretenimento e conveniência", diz o IPAM.

A investigação destaca ainda o papel do adepto como novo ativo económico, apontando que um adepto casual poderá gerar entre 40 e 70 euros durante a competição, enquanto adeptos intensivos e digitais podem atingir valores muito superiores, devido à combinação entre consumo recorrente, presença multiplataforma, interação social e influência sobre outros consumidores.

Para o IPAM, o Mundial 2026 antecipa também desafios estratégicos relevantes para marcas, media e entidades públicas.

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"As marcas terão de abandonar modelos rígidos de planeamento e apostar em ativações em tempo real. Os media terão de combinar televisão, 'streaming' e conteúdos digitais", refere.

Já o setor económico - sinaliza o IPAM - "poderá beneficiar não apenas através da restauração, retalho e turismo, mas também através de novas receitas associadas a plataformas, criadores de conteúdo e economia da atenção".

O estudo "Campeonato do Mundo FIFA 2026: análise do impacto económico em Portugal" foi desenvolvido pelo Gabinete de Estudos de Marketing para Desporto do IPAM, com base no modelo de previsão de impacto económico desenvolvido pelo UK Sport e aplicado pelo IPAM desde 2012.

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A análise considera quatro momentos de impacto – estágio, fase de grupos, eliminatórias e vitória – e integra variáveis tradicionais e digitais, incluindo consumo doméstico, restauração, publicidade, media, apostas, merchandising, viagens, streaming, redes sociais e produção de conteúdos.

O estudo deixa ainda uma reflexão para o Mundial 2030, que terá Portugal como um dos países organizadores: "organizar um evento desta dimensão não garante, por si só, impacto económico. O verdadeiro valor dependerá da capacidade de ativação estratégica antes, durante e depois da competição".

"Quem souber interpretar o Mundial 2026 ganha mais do que quem apenas o transmite. Esta é talvez a principal conclusão do estudo: o valor do Mundial já não está apenas no evento, está na forma como é ativado", conclui Daniel Sá.

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O Mundial vai decorrer entre 11 de junho e 19 de julho.

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