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Norte e Alentejo escapam à quebra do turismo no início do Verão

Apesar do contributo dos turistas portugueses durante o mês de Julho, a hotelaria viu o total de hóspedes cair para 2,2 milhões e o de dormidas para 6,7 milhões. A culpa é dos britânicos, espanhóis, alemães e franceses.

Ricardo Meireles
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 17 de Setembro de 2018 às 12:52
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O Norte e o Alentejo foram as únicas duas regiões que registaram aumentos nas dormidas em Julho, face ao período homólogo. Todas as outras zonas do país tiveram evoluções negativas, contribuindo para que o Verão português tivesse arrancado com tons alaranjados em termos de hóspedes e do total de noites passadas nos estabelecimentos hoteleiros e similares.

 

Os dados divulgados pelo INE esta segunda-feira, 17 de Setembro, mostram que no Norte houve um acréscimo de 2% nas dormidas, tanto de residentes como de não residentes, para um total de 795 mil em Julho. No Alentejo, onde houve uma estabilização (0,1%) em torno das quase 227 mil dormidas, a captação de mais estrangeiros compensou o recuo nos portugueses.

 

Enquanto na zona de Lisboa caíram as dormidas dos residentes (-1,7%) e dos não residentes (-0,6%), o primeiro mês completo do Verão mostrou um tropeção de 3,2% no Algarve, para 2,68 milhões, em resultado da quebra homóloga de 6,5% nos turistas estrangeiros que rumaram ao principal destino turístico do país nesta época do ano. Isto apesar do aumento de 5,9% no fluxo dos portugueses rumo a Sul, num movimento transversal a quase todas as regiões do país.

 

Em termos nacionais, apesar do impulso de 1,6% por parte dos residentes em Portugal durante o mês de Julho, os estabelecimentos hoteleiros e similares viram o total de hóspedes cair para 2,2 milhões e o de dormidas para 6,7 milhões, o que corresponde a uma diminuição de 2,1% e de 2,8%, respectivamente. A estada média encolheu ligeiramente para 3,09 noites, enquanto o recuo na taxa líquida de ocupação das camas chegou aos 2,3 pontos percentuais neste mês, situando-se agora em 65,4%.

 

Fuga dos europeus e "descoberta" das Américas

 

Estas "nuvens" que pairaram sobre a hotelaria portuguesa no arranque do Verão e que prolongaram a desaceleração já sentida no primeiro semestre, deveram-se à diminuição de 4,5% nas dormidas dos estrangeiros, o que fez com que a redução acumulada até Julho tenha ascendido a 1,6%, face ao período homólogo. Quem deixou as camas dos hotéis, aparthotéis, pousadas e apartamentos turísticos mais vazias? Os britânicos (-11,7%), que ainda valem um quinto das dormidas dos estrangeiros em Portugal; mas também os espanhóis (-5,9%), os alemães (-1,6%) e os franceses (-5,9%).

 

Estes quatro principais mercados emissores de turistas para Portugal – em conjunto continuam a representar 51% do total – estão em perda no acumulado dos primeiros sete meses de 2018. Em sentido contrário, o INE salienta o crescimento nos mercados do Canadá (48,5%), dos Estados Unidos (33,6%) e do Brasil (11,6%), que mantiveram em Julho o comportamento positivo e os crescimentos a dois dígitos verificados desde o início deste ano.

 

Portugal recebeu 21,2 milhões de turistas estrangeiros em 2017

A estimativa provisória feita pelo Instituto Nacional de Estatística aponta para que o número de chegadas a Portugal de turistas não residentes tenha atingido 21,2 milhões em 2017, o que compara com os 18,2 milhões no ano anterior, contabilizando assim um acréscimo de 16,6% no ano passado. O destaque agora divulgado ressalva que esta estimativa não abrange movimentos de excursionistas (visitantes sem dormida), aplicando-se aos "turistas entrados em território nacional por via aérea, rodoviária e marítima, abrangendo todos os meios de alojamento, incluindo o não remunerado (particular)", tendo sido calculada através dos dados já conhecidos sobre transportes, movimentos fronteiriços e alojamento turístico, incluindo o alojamento local.

 

Proveitos com "tendência de abrandamento"

 

O proveito resultante da actividade de alojamento turístico, que inclui o aposento, restauração e outros serviços, como a cedência de espaços, lavandaria, tabacaria ou comunicações, totalizou 455,9 milhões de euros durante o mês de Julho, mantendo neste mês a "tendência de abrandamento", com um crescimento que se ficou pelos 6% em termos de variação homóloga mensal.

 

Considerados isoladamente, os proveitos de aposento – resultam das dormidas de todos os hóspedes nos meios de alojamento turístico – ascenderam a 351,2 milhões no sétimo mês do ano. Mesmo tendo aumentado em todas as regiões portuguesas, o INE destaca que a Área Metropolitana de Lisboa obteve o maior aumento (12,8%) dos proveitos totais em Julho, à frente dos Açores (8%) e do Norte (6,6%) do país.

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