Fundos de investimento e ETF: Coroa norueguesa
O conflito no Médio Oriente reduziu significativamente a visibilidade sobre a evolução da economia mundial. Adotamos uma postura ligeiramente mais prudente, alterando a composição das três carteiras recomendadas de fundos/ETF.
Os efeitos nos preços da energia já são evidentes e deverão continuar a repercutir-se no conjunto das economias. A inflação volta a constituir um risco e o crescimento torna-se ainda mais incerto. Numa conjuntura particularmente incerta, a coroa norueguesa oferece simultaneamente níveis de rentabilidade e perspetivas atrativas.
Prudência acrescida
A economia mundial evolui com reduzida visibilidade. Bancos centrais e investidores enfrentam um elevado grau de incerteza e antecipam cenários potencialmente desfavoráveis. Neste enquadramento, os modelos económicos, assentes em previsões com visibilidade limitada, podem revelar-se menos fiáveis do que o habitual. Torna-se, assim, essencial adotar uma postura prudente para limitar o risco das carteiras. O reforço do peso de ativos considerados seguros numa carteira diversificada insere-se nesta lógica.
Contudo, vários dos tradicionais valores de refúgio estão a desiludir desde o início do conflito no Médio Oriente, nomeadamente o ouro, o iene japonês, e sobretudo as obrigações soberanas norte-americanas. Neste último caso, o receio de um ressurgimento da inflação impulsionou as taxas de juro da dívida dos EUA e de outros países (automaticamente penalizou as cotações das obrigações). Acresce que o elevado endividamento nas economias ocidentais poderá piorar com medidas para a mitigar o impacto dos preços da energia, o que não tranquiliza os investidores em dívida. Por isso, embora as obrigações soberanas de elevado rating sejam habitualmente consideradas como refúgio, têm registado uma evolução pouco favorável desde o início do conflito.
Coroa da Noruega: reserva de valor
Face ao desempenho dececionante de vários ativos de refúgio tradicionais, os investidores dispõem agora de menos alternativas. É aqui que entra a coroa norueguesa:
- A Noruega possui uma situação financeira muito sólida;
- Apesar de uma valorização de 6% desde o início do ano, a coroa continua subavaliada face ao euro;
- Rentabilidade (“yield”) interessante: a taxa de juro no prazo de 10 anos situa-se em 4,4%, em linha com os EUA e acima da Zona Euro (2,9%), oferecendo um prémio atrativo;
- Enquanto outras moedas são penalizadas pela subida dos preços da energia, a coroa norueguesa beneficia deste contexto. Por um lado, as receitas provenientes do petróleo e do gás reforçam a economia norueguesa. Por outro, a procura por fontes fiáveis de hidrocarbonetos sustenta o investimento no setor energético da Noruega, aumentando a procura da moeda local.
Alterações às carteiras de fundos/ETF
O atual contexto de elevada incerteza exige uma abordagem mais prudente. A diversificação desempenha sempre um papel central na redução do risco e, no contexto atual, a coroa norueguesa surge como uma opção pertinente. Assim, optamos por:
- Introduzir 5% em fundos de obrigações em coroas norueguesas (NOK) nas três carteiras;
- Como contrapartida, reduzimos, na mesma proporção, a exposição às obrigações emitidas por empresas e denominadas em dólares dos EUA (dívida “corporate”);
- A repartição entre mercados de ações e obrigações fica inalterada nas três carteiras.
Nordea 1 Norwegian Short-Term Bond E EUR
Código ISIN: LU0173778332
Comercializado: BiG, Best, Banco Invest, Banco Carregosa
TER: 1,12% ao ano
Rentabilidade média anual 5 anos: 1,2%
Rentabilidade média anual 3 anos: 5,5%
Variação 12 meses: 6,0%
Nordea 1 Norwegian Bond E EUR
Código ISIN: LU0173776393
Comercializado: BiG, Best, Banco Invest, Banco Carregosa
TER: 1,6% ao ano
Rentabilidade média anual 5 anos: -2,7%
Rentabilidade média anual 3 anos: 1,2%
Variação 12 meses: 1,4%
Ambos os fundos investem sobretudo em títulos de emitentes privados noruegueses. Contudo, o fundo Nordea Norwegian Short-Term Bond tem algumas vantagens: beneficia de uma TER mais reduzida e, apostando em obrigações de menor duração, está menos exposto aos efeitos negativos de uma subida das taxas de juro. Por fim, mesmo em prazos mais curtos, as “yields” das obrigações oferecem atualmente o mesmo das maturidades mais longas, ou seja, cerca de 4,4%.