Regulador dos EUA quer acabar com a apresentação obrigatória de resultados trimestrais
A Securities and Exchange Commission (SEC, na sigla inglesa), entidade que regula os mercados financeiros nos EUA, está a preparar um proposta para acabar com a obrigatoriedade das empresas de apresentarem resultados todos os trimestres, noticia esta segunda-feira o Wall Street Journal, citando fontes anónimas próximas do tema. Caso avance, as empresas vão poder optar por apresentar contas apenas duas vezes por ano.
A proposta pode ser publicada já este mês, mas o regulador ainda estará em negociações com as maiores bolsas do país para avançar com uma alteração às regras. De acordo com o jornal norte-americano, o objetivo é reduzir a carga regulatória que as empresas enfrentam e, potencialmente, redirecionar o foco para estratégias de crescimento a longo prazo.
PUB
O movimento surge na sequência de um apelo deixado nesse sentido pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, no final do ano passado, o que, na altura, levou o líder da SEC, Paul Atkins, a dizer que o regulador estava a acelerar a inicitativa. No entanto, a ideia não é nova e, no seu primeiro mandato, Trump já tinha pressionado o regulador a acabar com a obrigatoridade de apresentar resultados trimestrais - o que acabou por não acontecer.
Há cerca de 50 anos que as empresas são obrigadas a apresentar contas de três em três meses nos EUA. Os críticos da proposta defendem que esta regra aumenta a transparência das empresas, mas há já uma década que outros grandes mercados - como o Reino Unido e os países da União Europeia (UE) - acabaram com esta obrigatoridade. Mesmo assim, e tendo opção de só apresentar resultados semestralmente, a grande maioria das empresas opta por fazê-lo de forma trimestral.
Os proponentes da proposta acreditam ainda que o fim da regra vai permitir que mais empresas avancem com ofertas públicas iniciais (IPO) para a entrada em bolsa, uma vez que elimina custos burocráticos que advêm da obrigatoriedade de apresentar resultados de três em três meses. No entanto, é expectável alguma resistência, principalmente por parte dos investidores institucionais, que usam estes relatórios trimestrais para reavaliar o peso de uma empresa nas suas carteiras.
PUB
Saber mais sobre...
Saber mais Empresa Mais Mercado mercado Empresas Estados Unidos Donald Trump The Wall Street Journal União Europeia Paul AtkinsMais lidas
O Negócios recomenda