Utilizadores ganharam 330 mil dólares com "timing" perfeito de ataque dos EUA ao Irão no Polymarket
Antes do ataque dos Estados Unidos ao Irão houve um conjunto de apostas de grande dimensão e "timing" que geraram lucros de 330 mil dólares a 12 pessoas. O Financial Times analisou as movimentações no Polymarket, uma plataforma de apostas baseada em criptomoedas, e concluiu que 12 contas apostaram quase 67 mil dólares que o ataque dos EUA ao Irão ia acontecer no sábado.
Este levantamento gera questões sobre apostas com base em informação privilegiada, uma vez que os sites de apostas anónimos como o Polymarket não exigem, na maioria dos países, que os clientes forneçam os seus nomes, e podem vir a ser um problema maior do que o antecipado, particularmente no que toca a informação que não é pública.
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As apostas destas contas foram feitas cerca de seis horas antes do início dos ataques. A análise do jornal britânico teve em conta apostas que eram invulgarmente grandes, dadas as probabilidades oferecidas, e depois filtrou essas apostas atípicas para identificar carteiras que apenas tinham apostado em mercados relacionados com o Irão, não tinham vendido nenhuma das suas posições antecipadamente e tinham um histórico perfeito. Destas o FT identificou 13 carteiras, 12 das quais tinham sido criadas dias antes do ataque e as apostas tinham sido feitas nas últimas 24 horas da madrugada de sábado.
O jornal britânico também dá nota de um padrão invulgar no Polymarket. Enquanto o preço dos contratos que previam um ataque dos EUA ao Irão com datas-limites anteriores a 28 de fevereiro foram descendo à medida que se aproximava a data, no contrato relativo ao ataque que acabou por ocorrer no sábado, aconteceu o contrário nas horas anteriores: a probabilidade subiu de forma significativa quando o tempo restante era muito curto, um padrão considerado invulgar.
Este caso ganha contornos legais e já vários senadores afirmaram querer nova legislação sobre o uso de informação privilegiada nos mercados de apostas. O primeiro caso foi em Israel com o país a acusar dois militares na reserva de usarem "inside information" para apostarem nas operações militares israelitas. O FT também identificou oito contas que lucraram mais de 400 mil dólares em ação iminente das forças militares de Israel e um padrão também foi encontrado num mercado de apostas relacionado com a captura, por parte dos EUA, de Nicolás Maduro em janeiro.
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