Petróleo em máximo de quatro anos com Trump a manter bloqueio de Ormuz

O Presidente dos EUA disse que não vai levantar o bloqueio naval aos portos iranianos até que seja alcançado um acordo com Teerão que abranja o programa nuclear do país, mantendo o impasse em relação ao estreito de Ormuz. Brent acelerou para máximos de junho de 2022 após declarações.
Donald Trump rejeita desbloquear estreito de Ormuz sem acordo nuclear.
Mark Schiefelbein / AP
Pedro Barros Costa e Bárbara Cardoso 18:11

Os EUA não vão levantar o bloqueio naval aos portos iranianos até que seja alcançado um acordo com Teerão que abranja o programa nuclear do país, disse Presidente dos EUA, Donald Trump ao site Axios, prolongando o impasse em relação ao estreito de Ormuz. As declarações de Trump fizeram com que o Brent voltasse a acelerar, ultrapassando os máximos do ano de 119,5 dólares, registados pouco mais de uma semana após o início do conflito no Médio Oriente. O petróleo não atingia estes níveis desde finais de junho de 2022, quando alcançou os 120 dólares por barril, em plena guerra da Ucrânia.     

“O bloqueio é relativamente mais eficaz do que o bombardeamento. Estão a sufocar como um porco recheado. E vai ficar pior para eles. Não podem ter uma arma nuclear”, disse Trump numa entrevista telefónica ao site. O Presidente dos EUA disse também ter rejeitado a recente proposta do Irão para reabrir o estreito, que também se encontra condicionado por Teerão, em que o regime propunha que as conversações sobre o tema nuclear ficassem para mais tarde.   

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Antes das declarações, os preços do petróleo já estavam a subir de forma significativa nos mercados internacionais, com os investidores a reagirem à notícia do Wall Street Journal de que Trump terá pedido aos  procurando intensificar a pressão económica sobre o Irão, cuja maior fonte de rendimentos é o petróleo.

Segundo avançou o WSJ, a Casa Branca pensa que continuar com este bloqueio é mais rentável para Washington do que continuar com os ataques contra o Irão ou afastar-se da guerra sem um acordo sobre o programa nuclear iraniano. 

Com o intensificar da retórica, os preços do "ouro negro" aproximaram-se dos valores máximos desde o início do conflito. "Enquanto não houver um plano para pôr fim a esta confusão ou, pelo menos, abrir o estreito de Ormuz, o mercado continuará a subir", afirmou Robert Yawger, da Mizuho Securities, à Bloomberg.

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Ao mesmo tempo, continua o impasse nas negociações entre as duas partes, sem nova ronda negocial à vista, depois de o segundo encontro planeado para Islamabad ter sido cancelado. "Este impasse pode prolongar-se por semanas. Ou será o mercado global a dizer a Trump que já não aguentamos mais esta escassez de petróleo, ou será o Irão a afirmar que quer poder exportar o seu petróleo", afirmou Michelle Brouhard, da Kpler, que considera ainda que a pressão sobre Teerão está a aumentar. 

O Irão estará a ficar sem espaço de armazenamento de crude, o que ameaça acelerar os cortes na produção da matéria-prima. A pressão dos EUA surge ainda de outras vias. Os norte-americanos têm aplicado sanções a refinarias chinesas devido às suas ligações com o Irão.

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