Primeira semana de guerra deixa Wall Street mergulhada em pessimismo. Índices já desvalorizam no ano
Uma semana depois de ter estalado a guerra no Irão, os principais índices norte-americanos estão mergulhados em pessimismo e volatilidade, tendo terminado a sessão desta sexta-feira com perdas de mais de 1%.
A escalada dos preços do petróleo - o WTI nos 91 dólares por barril e o Brent nos 92,67 dólares - está a fazer soar os alarmes do mercado quanto a uma crise energética sem precedentes, o que pode ainda fazer disparar a inflação. O ministro da Energia do Catar avisou que o conflito pode levar a que os países do Golfo Pérsico parem com as exportações de energia, o que pode levar a que o barril suba até aos 150 dólares.
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O sentimento pessismista agravou-se depois de o Presidente dos EUA, Donald Trump, ter descartado as negociações para a paz e um acordo sobre o programa nuclear iraniano, dizendo que quer a “rendição incondicional do Irão”. Mas, a inflação não é a única a preocupar os analistas e investidores. O mercado de trabalho norte-americano também não dá sinais positivos: em fevereiro a maior economia do mundo cortou 92 mil empregos e a taxa de desemprego subiu para 4,4%. Ora, sendo estes os dois mandatos da Reserva Federal, os números podem levar a um adiamento da descida de taxas de juro - ou até mesmo a uma subida - dependendo se a estabilidade dos preços se sobrepõe à saúde do mercado laboral.
“Se eu fosse um investidor não estaria nada entusiasmado em ter um monte de ações sensíveis à economia durante um fim de semana de guerra com o Irão, com a volatilidade e imprevisibilidade de Trump. Quanto mais isto se prolongar, mais vai afetar o comportamento do mercado de ações", disse Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital Management, à CNBC.
O S&P 500 tombou 1,33% para 6.740,02 pontos, acumulando uma perda semanal de 2,05%, com três em cada quatro ações a caírem. O tecnológico Nasdaq Composite também recuou 1,59% para 22.387,68 pontos e cedeu 1,6% na semana. O industrial Dow Jones desvalorizou 0,95% esta sexta-feira para 47.501,55 pontos, tendo, na semana, perdido 2,87%.
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No ano, o primeiro perde 1,83%, o segundo tomba 3,65% e o terceiro cede 1,82%.
“O relatório sobre o emprego foi péssimo e pode até reacender uma nova ronda de conversas sobre como as más notícias podem ser boas notícias”, disse Chris Zaccarelli, diretor de investimento da Northlight Asset Managment, à Bloomberg. Afirmou ainda que se o mercado está a reagir bem ao relatório é apenas porque isso faria com que a Reserva Federal estivesse mais propensa a cortar as taxas de juro, tendo em conta as más notícias do mercado de trabalho.
“Ambas as partes do duplo mandato estão a deteriorar-se e não terão ideia de como equilibrá-las em termos do que fazer no curto prazo", disse ainda Derek Holt, vice-presidente e responsável pela economia dos mercados de capitais do Scotiabank à agência financeira.
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Já Mark Malek, diretor de investimento da Muriel Siebert & Co., considera que a "velocidade da oscilação nos mercados reflete o quão não-preparados estavam para um conflito que escalou gradualmente, em vez de através de um choque repentino".
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